Jornal de Debates e uma estrada de cms amarelos

A saga de transformação do Jornal de Debates, durou coisa de um ano e meio. Seis meses passados do lançamento daquela primeira versão, já havíamos esbarrados com diversos problemas no sistema - muitos decorrentes de um desenvolvimento apressado e curto tempo de planejamento e outros simples frutos do acumulo de experiência.

O verdadeiro sentido do ‘beta eterno’ que vemos por ai e que é profetizado pelo grande Sílvio Meira, não é tanto o repensar constante do criador sobre sua obra, mas sim as novas leituras que os milhares de usuários e visitantes fazem a cada minuto. Não canso de me surpreender com os colaboradores do Jornal de Debates e sua aparentemente infinita capacidade de inventar novas maneiras de interagir com o conteúdo, de não entender ou re-entender como querem as funcionalidades propostas e de criar e resolver problemas sem que seja preciso mudar uma única linha de código.

Foi assim que percebemos, por exemplo, que a Enquete era uma função bonitinha, mas ordinária. Que não adiantava usar um sistema de votação simples de 0 a 5 porque isso fazia com que o artigo em destaque fosse sempre o último artigo onde o próprio autor resolveu votar 5 no seu próprio artigo. Que para uns, o limite minimo de 2000 chars era intransponível mas para outros o limite máximo de 20000 igualmente um problema. Que nossa interface administrativa funcionava muito bem nos primeiros meses, mas com +5000 artigos a coisa começava a ficar complicada e nossos editores acabavam perdendo mais tempo esperando o reload do que pensando e propondo debates… Que os blogueiros, por interessados que fossem, já tinham seu espaço cativo e dificilmente iriam sair da comodidade de seus blogs para vir escrever nessa arena estranha… e enfim, uma série de outras constatações que surgem dessa interlocução constante com um site que além de vivo, não me pertence.

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elucubrações sobre porque projetos grandes naufragam

Dias atrás, em uma conversa de botequim, surgiu - geralmente surge - um papo sobre os grandes elefantes brancos da web. Entre argumentos lúcidos, acalorados e alguns alcoolizados… debatíamos sobre o sucesso e fracassos de grandes projetos na internet, o Spyer fez algumas considerações e falou de transformar papo em post. Pode ser, desce um chopp ai.

Pra constar: Elefante branco é aquele animal enorme e exótico que, por excesso de estrutura, as vezes tem uma dificuldade enorme de se locomover e de se adaptar.

Pra constar: Projeto web dificilmente morre. Mas agoniza, dor de falta. Cidade-fantasma com direito a barulho de vento e bola de feno.

Enfim, constantemente vejo que ronda nas velhas cabeças e velhas empresas um discurso do tipo:

‘as pessoas estão na internet agora! precisamos fazer algo com isso! não podemos perde-los! vamos enredar a rede!’

sigh.

Parece idiota, mas por vezes esquecemos que a rede não é um lugar físico. Distancia é vento. Você não pode contar  com ‘o bairro’ e seus moradores, filhos e babas para frequentar o seu parquinho.

Geralmente são idéias legais de gente que não sabe exatamente o que quer ou quem quer. Perigo parnasiano. É uma coisa meio ’site porque site’… afinal, hoje em dia, diz-se que não ter site -  quando não é coisa chique - é prova cabal de que parou no tempo, né?

Não é. Seu projeto deve ser uma resposta a uma pergunta. E o sucesso dele vai depender de quanta gente perguntar e do quão bem você conseguir responder.