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ONTEM, HOJE, AMANHÃ

Gosto muito de olhar para trás – ajuda a entender o hoje e projetar o amanhã. Por isso, sugiro que comecemos com uma rápida viagem à França em 1665. Mais exatamente ao dia cinco de janeiro, quando os parisienses puseram as mãos nas doze páginas da primeira edição de Le Journal des savants.

Era a primeira revista da história do planeta. Seu criador chamava-se Denis de Sallo, um nobre conselheiro do parlamento de Paris. Leitor contumaz – e cuidadoso -, devorava o que lhe caísse nas mãos. Com a ajuda de um punhado de secretários, anotava e comentava o que lhe chamava a atenção. Anotou tanto, que resolveu partilhar essas observações sobre o trabalho alheio por meio de uma publicação semanal.

Naquele tempo, novas ideias circulavam com dificuldade e ninguém estava acostumado com a crítica independente. Lançar um semanário disposto a monitorar o avanço nas ciências e nas artes foi uma ousadia. Mas deu tão certo que pouco adiante, a fórmula de Sallo foi replicada em dezenas de publicações por toda a Europa.

A soma de crítica independente, periodicidade e textos curtos facilitou o desenvolvimento de debates sobre muitas questões. O conjunto dessas publicações – e a multiplicação das academias – tiveram papel relevante na revolução científica que marcou a história da humanidade.

Em resumo, Le Journal des savants parece brincadeira num mundo conectado por uma gigantesca rede de comunicação horizontal, livre e meio anárquica, que cresce a cada minuto. No começo de abril, tive a oportunidade de ir à França de Sallo, na condição de mais um entre 11.500 profissionais de comunicação de 107 países, interessados nas possibilidades, desafios e negócios do mercado televisivo. Encontrei um traço comum no MIPTV 2011 – um gigantesco ponto de interrogação.

Os executivos de TV não querem repetir o erro cometido pela indústria musical que bateu de frente com a internet – e se deu mal. As corporações adotaram a tática de combater a circulação de música pela rede. A consequência é que as grandes empresas do ramo, cujo faturamento baseia-se na venda de discos, vêm perdendo lucratividade de maneira exponencial.

Ao invés de renegar e combater a rede, o povo da TV procura uma maneira integrar as várias telinhas, mantendo seu negócio em funcionamento. Já perceberam que não adianta apenas produzir uma série, novela, telejornal, programa de auditório, documentário e cruzar os braços. O telespectador já não quer o papel que Didi, dos Trapalhões bem definiu, ao chamá-lo de “o da poltrona.” Como fazer isso, sem comprometer o faturamento triliomário de uma indústria poderosa é o xis da questão

Mais e mais pessoas assistem a programas de TV e, ao mesmo tempo, usam algum outro tipo de aparelho, como computadores, celulares ou a nova tecnologia dos tablets. Segundo Nick Thomas, da Forrester Research, 50% das pessoas que estão vendo TV navegam pela web simultaneamente. Quando aparece um comercial na tela, eles mergulham na rede, deixando os anunciantes a ver navios.

Uma pessoa normal olha, em média, 150 vezes ao dia para seu celular. Se multiplicarmos esse número pelo total de assinaturas de serviços móveis em todo mundo – 5,2 bilhões – podemos imaginar o potencial e o risco que esse aparelhinho nos oferece. E não apenas em termos de comunicação.

Ouvi do maior executivo da Ericsson, Hans Vestberg em Cannes, que a soma de banda larga, mobilidade e computação em nuvem vai revolucionar a transmissão de conteúdo nos próximos anos. Vestberg calcula que, em 2015, mais de 90% da população do planeta terá acesso a redes de telefonia celular, sendo 5 bilhões com acesso móvel a banda larga. Uma condição que vai transformar a maneira como as pessoas acessam a internet e o que elas vão consumir. O Brasil está atrasado nesse campo, mas pode queimar etapas. Não é à toa que o plano nacional de banda larga aposta firme nas operadores de celular.

Mas olhando para o futuro, é possível prever que a internet vai mudar radicalmente os negócios, a ciência, a educação e a política.

Cinco perguntas apenas de uma lista imensa:

1- a televisão aberta continuará sendo o pilar de toda a indústria da propaganda?

2- a escola vai funcionar na base da lousa, do giz e de uma professora falando?

3- os bancos terão o mesmo papel num mundo em que o dinheiro será todo virtual e as trocas entre pessoas cada vez mais fáceis?

4- as maracutaias se repetirão quando cada um de nós puder acompanhar para onde vai nosso dinheiro on line e sem complicação?

5- os currais eleitorais e os coronéis da política sobreviverão no momento em for possível votar com frequencia usando chips distribuídos pela Justiça Eleitoral, como já acontece na Estônia?

Se eu tivesse a resposta para qualquer uma dessas perguntas, estaria rico. Por enquanto, acho indispensável (e divertido), procurar por ela. Se não for em Paris ou em Cannes, olhando um punhado de veleiros na baía norte da nossa ilha.

ONTEM, HOJE, AMANHÃ

Gosto muito de olhar para trás – ajuda a entender o hoje e projetar o amanhã. Por isso, sugiro que comecemos com uma rápida viagem à França em 1665. Mais exatamente ao dia cinco de janeiro, quando os parisienses puseram as mãos nas doze páginas da primeira edição de Le Journal des savants.

Era a primeira revista da história do planeta. Seu criador chamava-se Denis de Sallo, um nobre conselheiro do parlamento de Paris. Leitor contumaz – e cuidadoso -, devorava o que lhe caísse nas mãos. Com a ajuda de um punhado de secretários, anotava e comentava o que lhe chamava a atenção. Anotou tanto, que resolveu partilhar essas observações sobre o trabalho alheio por meio de uma publicação semanal.

Naquele tempo, novas ideias circulavam com dificuldade e ninguém estava acostumado com a crítica independente. Lançar um semanário disposto a monitorar o avanço nas ciências e nas artes foi uma ousadia. Mas deu tão certo que pouco adiante, a fórmula de Sallo foi replicada em dezenas de publicações por toda a Europa.

A soma de crítica independente, periodicidade e textos curtos facilitou o desenvolvimento de debates sobre muitas questões. O conjunto dessas publicações – e a multiplicação das academias – tiveram papel relevante na revolução científica que marcou a história da humanidade.

Em resumo, Le Journal des savants parece brincadeira num mundo conectado por uma gigantesca rede de comunicação horizontal, livre e meio anárquica, que cresce a cada minuto. No começo de abril, tive a oportunidade de ir à França de Sallo, na condição de mais um entre 11.500 profissionais de comunicação de 107 países, interessados nas possibilidades, desafios e negócios do mercado televisivo. Encontrei um traço comum no MIPTV 2011 – um gigantesco ponto de interrogação.

Os executivos de TV não querem repetir o erro cometido pela indústria musical que bateu de frente com a internet – e se deu mal. As corporações adotaram a tática de combater a circulação de música pela rede. A consequência é que as grandes empresas do ramo, cujo faturamento baseia-se na venda de discos, vêm perdendo lucratividade de maneira exponencial.

Ao invés de renegar e combater a rede, o povo da TV procura uma maneira integrar as várias telinhas, mantendo seu negócio em funcionamento. Já perceberam que não adianta apenas produzir uma série, novela, telejornal, programa de auditório, documentário e cruzar os braços. O telespectador já não quer o papel que Didi, dos Trapalhões bem definiu, ao chamá-lo de “o da poltrona.” Como fazer isso, sem comprometer o faturamento triliomário de uma indústria poderosa é o xis da questão

Mais e mais pessoas assistem a programas de TV e, ao mesmo tempo, usam algum outro tipo de aparelho, como computadores, celulares ou a nova tecnologia dos tablets. Segundo Nick Thomas, da Forrester Research, 50% das pessoas que estão vendo TV navegam pela web simultaneamente. Quando aparece um comercial na tela, eles mergulham na rede, deixando os anunciantes a ver navios.

Uma pessoa normal olha, em média, 150 vezes ao dia para seu celular. Se multiplicarmos esse número pelo total de assinaturas de serviços móveis em todo mundo – 5,2 bilhões – podemos imaginar o potencial e o risco que esse aparelhinho nos oferece. E não apenas em termos de comunicação.

Ouvi do maior executivo da Ericsson, Hans Vestberg em Cannes, que a soma de banda larga, mobilidade e computação em nuvem vai revolucionar a transmissão de conteúdo nos próximos anos. Vestberg calcula que, em 2015, mais de 90% da população do planeta terá acesso a redes de telefonia celular, sendo 5 bilhões com acesso móvel a banda larga. Uma condição que vai transformar a maneira como as pessoas acessam a internet e o que elas vão consumir. O Brasil está atrasado nesse campo, mas pode queimar etapas. Não é à toa que o plano nacional de banda larga aposta firme nas operadores de celular.

Mas olhando para o futuro, é possível prever que a internet vai mudar radicalmente os negócios, a ciência, a educação e a política.

Cinco perguntas apenas de uma lista imensa:

1- a televisão aberta continuará sendo o pilar de toda a indústria da propaganda?

2- a escola vai funcionar na base da lousa, do giz e de uma professora falando?

3- os bancos terão o mesmo papel num mundo em que o dinheiro será todo virtual e as trocas entre pessoas cada vez mais fáceis?

4- as maracutaias se repetirão quando cada um de nós puder acompanhar para onde vai nosso dinheiro on line e sem complicação?

5- os currais eleitorais e os coronéis da política sobreviverão no momento em for possível votar com frequencia usando chips distribuídos pela Justiça Eleitoral, como já acontece na Estônia?

Se eu tivesse a resposta para qualquer uma dessas perguntas, estaria rico. Por enquanto, acho indispensável (e divertido), procurar por ela. Se não for em Paris ou em Cannes, olhando um punhado de veleiros na baía norte da nossa ilha.

Carta do Fórum da Cultura Digital em Defesa da Liberdade na Internet

Leiam, entendam, republiquem:

A Internet deve continuar livre. A liberdade é que permitiu criar um dos mais ricos repositórios de informações, cultura e entretenimento de toda história. Nós, defendemos que a rede continue aberta. Defendemos que possamos continuar criando conteúdos e tecnologias sem necessidade de autorização de governos e de corporações.

Não admitimos que a Internet seja considerada a causa da pedofilia. Denunciamos as tentativas de grupos conservadores em superdimensionar o potencial criminoso da Internet para criar um estado de temor que justifique a supressão de direitos e garantias individuais. Alertamos a todos que estas forças obscuras querem aprovar no final desta legislatura o AI-5 Digital, substitutivo PL84/89 antigo PLS 89/03+ redigido pelo Senador Azeredo.

Não admitimos que as pessoas sejam obrigadas a se cadastrar para navegar na rede. Consideramos que a vinculação de um número IP a identidades civis é inaceitável. Não queremos ser uma China. Controles exagerados na rede poderão sufocar a sua criatividade e implementar o vigilantismo que é democraticamente insustentável.

Os internautas brasileiros construiram colaborativamente um marco civil que define direitos e deveres dos cidadãos nas redes digitais e rejeitam uma lei que sirva aos interesses apenas dos banqueiros e da indústria de copyright.

A diversidade e liberdade são a base de uma comunicação democrática. O acesso à Internet é um direito fundamental.
Abaixo o AI-5 Digital.

São Paulo, 15/16 de novembro de 2010.

Carta do Fórum da Cultura Digital em Defesa da Liberdade na Internet

Em tempo:

A Internet deve continuar livre. A liberdade é que permitiu criar um dos mais ricos repositórios de informações, cultura e entretenimento de toda história. Nós, defendemos que a rede continue aberta. Defendemos que possamos continuar criando conteúdos e tecnologias sem necessidade de autorização de governos e de corporações.

Não admitimos que a Internet seja considerada a causa da pedofilia. Denunciamos as tentativas de grupos conservadores em superdimensionar o potencial criminoso da Internet para criar um estado de temor que justifique a supressão de direitos e garantias individuais. Alertamos a todos que estas forças obscuras querem aprovar no final desta legislatura o AI-5 Digital, substitutivo PL84/89 antigo PLS 89/03+ redigido pelo Senador Azeredo.

Não admitimos que as pessoas sejam obrigadas a se cadastrar para navegar na rede. Consideramos que a vinculação de um número IP a identidades civis é inaceitável. Não queremos ser uma China. Controles exagerados na rede poderão sufocar a sua criatividade e implementar o vigilantismo que é democraticamente insustentável.

Os internautas brasileiros construiram colaborativamente um marco civil que define direitos e deveres dos cidadãos nas redes digitais e rejeitam uma lei que sirva aos interesses apenas dos banqueiros e da indústria de copyright.

A diversidade e liberdade são a base de uma comunicação democrática. O acesso à Internet é um direito fundamental.
Abaixo o AI-5 Digital.

São Paulo, 15/16 de novembro de 2010.

fuscahacker.txt

Apontamentos de um Fusca Hacker
(ainda em draft)

O Fusca Hacker pode, potencialmente, ficar conectado 24/7.
Mas ele também é consciente da sua capacidade energética.

O Fusca Hacker é uma máquina móvel de armazenar e compartilhar informação.

É aberto, é DIO (Do it Ourselves) e é livre. E preferencialmente de baixo custo.

* Modos de operação: Andando, Ligado, Minimo

Fontes de energia:
* Painel solar no teto?
* Possibilidade de plugar diretamete na tomada?
* Pedais de força auxilia? (Esquema bicicleta)

* Modulo Central
ZeroShell com possibilidade de plugar 3gs.
Possibilidade de retransmitir um sinal wifi qualquer.
Roteador Wifi. Onde estiver disponibiliza conexão.
Sistema de DNS dinâmico para manter um host fixo.
GPS (reporta o posicionamento de tempos em tempos).
Servidor ftp + web + torrent + irc.
Gateway SMS.

* Modulo Chat
Camera + Mic + Microprojetor e/ou Tela.
Sistema de Som autonomo
Possibilidade de fazer videochamadas.

* Modulo Colaborativo
Painel de Led controlado colaborativamente.

* Modulo inteligente
Alarme arduino (com suporte a SMS e Twitter, integrado com GPS)
Faróis inteligentes (detector de luminosidade)
Parabrisas inteligentes (detector de pressão?)
Sistema de resfriamente (Coolers de CPU? + detector de temperatura?)
Painel eletrônico ‘velocidade média, gasto de combustivel (como medir?), km rodada, etc.
Qualidade do ar?

* Modulo Blip.fm
Radio conectado com serviços de rádio online.
Rádio pode ser controlado por webservice.

* Modulo Projeção
Projeção de dentro do Fusca para fora.
Possibilidade de receber streamings – mounting point de Theora.
Integrado com sistema de som do carro.

* Modulo Wired
Portas USB e Lan soldadas na lataria. USBs são discos autonomos ‘use at your own risk’. Lan é conectada ao servidor central.

* Modulo Lan
Possibilidade de anexar bancadas nas laterais p/ 2 pessoas(?) (por lado).
Abrir uma tenda por cima? A la ‘Trailer?
Como fazer bancos portateis?

* Modulo Pirate Radio
Transmissor FM?
Radio PX
Mic interno integrado com alto-falante

* Modulo Google Street View
Cameras de baixo custo tirando fotos e criando imagens 360s.

fuscahacker.txt

Apontamentos de um Fusca Hacker
(ainda em draft)

O Fusca Hacker pode, potencialmente, ficar conectado 24/7.
Mas ele também é consciente da sua capacidade energética.

O Fusca Hacker é uma máquina móvel de armazenar e compartilhar informação.

* Modos de operação: Andando, Ligado, Minimo

Fontes de energia:
* Painel solar no teto?
* Possibilidade de plugar diretamete na tomada?
* Pedais de força auxilia? (Esquema bicicleta)

* Modulo Central
ZeroShell com possibilidade de plugar 3gs.
Possibilidade de retransmitir um sinal wifi qualquer.
Roteador Wifi. Onde estiver disponibiliza conexão.
Sistema de DNS dinâmico para manter um host fixo.
GPS (reporta o posicionamento de tempos em tempos).
Servidor ftp + web + torrent + irc.
Gateway SMS.

* Modulo Chat
Camera + Mic + Microprojetor e/ou Tela.
Sistema de Som autonomo
Possibilidade de fazer videochamadas.

* Modulo Colaborativo
Painel de Led controlado colaborativamente.

* Modulo inteligente
Alarme arduino (com suporte a SMS e Twitter, integrado com GPS)
Faróis inteligentes (detector de luminosidade)
Parabrisas inteligentes (detector de pressão?)
Sistema de resfriamente (Coolers de CPU? + detector de temperatura?)
Painel eletrônico ‘velocidade média, gasto de combustivel (como medir?), km rodada, etc.
Qualidade do ar?

* Modulo Blip.fm
Radio conectado com serviços de rádio online.
Rádio pode ser controlado por webservice.

* Modulo Projeção
Projeção de dentro do Fusca para fora.
Possibilidade de receber streamings – mounting point de Theora.
Integrado com sistema de som do carro.

* Modulo Wired
Portas USB e Lan soldadas na lataria. USBs são discos autonomos ‘use at your own risk’. Lan é conectada ao servidor central.

* Modulo Lan
Possibilidade de anexar bancadas nas laterais p/ 2 pessoas(?) (por lado).
Abrir uma tenda por cima? A la ‘Trailer?
Como fazer bancos portateis?

* Modulo Pirate Radio
Transmissor FM?
Radio PX
Mic interno integrado com alto-falante

* Modulo Google Street View
Cameras de baixo custo tirando fotos e criando imagens 360s.

Fato novo, transição tranquila [por Paulo Markun]

[Mais uma vez, esse texto foi escrito pelo jornalista, escritor e pai Paulo Markun, que me pediu para publicar aqui no meu blog. Esta na hora dele montar um blog, não?]

No início de 2010, o incentivo explícito de funcionários, de parte do Conselho Curador e do governador José Serra fizeram com que eu resolvesse encarar um novo mandato, desde que contasse com o indispensável consenso para o bom funcionamento da instituição. Preparei um plano de ação para os próximos três anos, mas durante semanas em que a mídia publicou as mais diversas especulações sobre as eleições, mantive-me calado, pois creio que cabe ao Conselho Curador deliberar sobre o assunto. O nosso estatuto determina que qualquer candidato precisa ter, antes de mais nada, o respaldo de pelo menos oito conselheiros eletivos.  Em minha eleição fui indicado por 18 integrantes e obtive mais 20 votos, entre os quais o do representante dos funcionários. (more…)

Fato novo, transição tranquila [por Paulo Markun]

[Mais uma vez, esse texto foi escrito pelo jornalista, escritor e pai Paulo Markun, que me pediu para publicar aqui no meu blog. Esta na hora dele montar um blog, não?]

No início de 2010, o incentivo explícito de funcionários, de parte do Conselho Curador e do governador José Serra fizeram com que eu resolvesse encarar um novo mandato, desde que contasse com o indispensável consenso para o bom funcionamento da instituição. Preparei um plano de ação para os próximos três anos, mas durante semanas em que a mídia publicou as mais diversas especulações sobre as eleições, mantive-me calado, pois creio que cabe ao Conselho Curador deliberar sobre o assunto. O nosso estatuto determina que qualquer candidato precisa ter, antes de mais nada, o respaldo de pelo menos oito conselheiros eletivos.  Em minha eleição fui indicado por 18 integrantes e obtive mais 20 votos, entre os quais o do representante dos funcionários. (more…)

Fato novo, transição tranquila [por Paulo Markun]

[Mais uma vez, esse texto foi escrito pelo jornalista, escritor e pai Paulo Markun, que me pediu para publicar aqui no meu blog. Esta na hora dele montar um blog, não?]

No início de 2010, o incentivo explícito de funcionários, de parte do Conselho Curador e do governador José Serra fizeram com que eu resolvesse encarar um novo mandato, desde que contasse com o indispensável consenso para o bom funcionamento da instituição. Preparei um plano de ação para os próximos três anos, mas durante semanas em que a mídia publicou as mais diversas especulações sobre as eleições, mantive-me calado, pois creio que cabe ao Conselho Curador deliberar sobre o assunto. O nosso estatuto determina que qualquer candidato precisa ter, antes de mais nada, o respaldo de pelo menos oito conselheiros eletivos.  Em minha eleição fui indicado por 18 integrantes e obtive mais 20 votos, entre os quais o do representante dos funcionários.

Na última terça-feira, 19 de abril, deparei-me com um fato novo: a candidatura do secretário João Sayad ao cargo. Como fora ele quem me convidara para o posto, em nome do governador, respondi a meu interlocutor que nada tinha a opinar sobre a decisão inesperada. Recusei a oferta de tornar-me presidente do Conselho Curador e informei que retornaria com alegria ao universo profissional a que sempre pertenci.

Antes de seguir adiante, gostaria de agradecer – e muito – a todos os funcionários e colaboradores pela compreensão e pelo esforço, sem os quais não teríamos realizado qualquer avanço. Sou grato ainda a todo o Conselho Curador, de quem recebi o necessário respaldo nos momentos mais importantes. Estendo gratidão e cumprimentos ao governador José Serra, que me ofereceu algumas condições básicas – todas cumpridas – sem as quais não teria sequer aceitado a tarefa.
Tenho várias razões para estar orgulhoso do que foi feito. O balanço de 2009, auditado pela empresa Boucinhas, Campos & Conti – e aprovado unanimemente pelo Conselho Curador – é a demonstração mais objetiva do nosso trabalho. Acima disso, tenho a alegria de ter consolidado a ideia de que a Fundação é maior que o conjunto de nossas respeitadas emissoras e que sua missão deve utilizar as mídias mais avançadas, como foram o rádio e a TV há quatro décadas. Algumas outras razões para festejar:

1 – Os 41 milhões de paulistas que nos sustentam têm agora uma instituição com controles mais rigorosos de seu orçamento e com todas as contas em dia;

2 – Depois de 18 meses de negociação, firmamos um contrato de parceria que norteia as relações entre a instituição e o governo do Estado. Em 2009, primeiro ano de vigência desse acordo inédito, cumprimos a nossa parte, pagando as dívidas, aumentando a receita própria e incrementando a produção independente na programação;

3 – A Fundação Padre Anchieta opera agora três emissoras digitais abertas. Depois de um embate duro, em que assumimos uma posição ousada, nos tornamos a única emissora pública de sinal aberto a utilizar a multiprogramação, peça chave do modelo brasileiro de digitalização. Nosso segundo canal, a Univesp TV, dá suporte ao mais ambicioso projeto de ampliação da educação superior pública de qualidade – uma parceria do governo de SãoPaulo com as três grandes universidades estaduais paulistas;

4 – O decreto da ditadura que limitava nossa ação às tele aulas e restringia nosso financiamento aos recursos orçamentários foi superado. Iniciativa nossa, com respaldo do advogado geral da União e do presidente da República, que nos permite veicular dentro da lei qualquer tipo de programação com sentido educacional: programas infantis, jornalismo, música, filmes, entretenimento. A mesma decisão nos dá direito a ter publicidade institucional;

5 – Com o surgimento da TV Brasil, a TV Cultura assumiu nova posição no plano nacional, equidistante da concorrência e da submissão, oferecendo seus conteúdos sob várias formas, todas com contrapartidas financeiras;

6 – A rádio Cultura Brasil, que morria lentamente, ressurge na forma do mais importante portal de música brasileira, no ar em 28 de abril. O RadarCultura, seu programa interativo, acaba de ser contemplado com o Prêmio Especial do Júri da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) como o melhor programa de rádio de 2009;

7 – A rádio Cultura FM, que não veicula comerciais e dedica-se totalmente à música clássica, como era seu projeto original, registrou um aumento de audiência de 20%, de segunda a sexta, na faixa das  7h às 19h, entre janeiro de 2008 e janeiro de 2010. Houve ainda significativo avanço na faixa das 21h às 23h, com a veiculação de obras de grande duração pelo programa Sala de Concerto, que encerrou 2009 com 10 mil ouvintes por minuto, excelente marca para o horário;

8 – A TV Rá Tim Bum está em quase todas as operadoras e ultrapassa a casa dos 2,5 milhões de assinantes. Seu conteúdo está sendo distribuído pela principal operadora de Portugal e contrato semelhante está em negociação para atender às colônias brasileiras no Japão e em Israel. O único canal infantil a cabo com produção nacional exibiu 11 novas atrações no ano passado. Em 2010, serão 12;

9 – Nas quase 12 horas diárias dedicadas às crianças, não há, também, qualquer tipo de publicidade. Em 2009, nosso maior sucesso, Cocoricó, teve 39 episódios e 24 clipes musicais gravados em HD. A nova temporada, em que Júlio e seus amigos vão para a cidade, estreou no cinema primeiro, com bom resultado;

10 – Passamos a utilizar regularmente o cenário virtual e suas possibilidades criativas. O primeiro projeto, Lygia por Lygia, inaugurou a série Autor por Autor, na qual estão sendo produzidos mais 12 programas em parceria com a SescTV. Planeta Terra,Vitrine Clássicos (agora em horário nobre) também estão sendo gravados com esse recurso;

11 – O Jornal da Cultura, reformulado com base em pesquisas quantitativas e qualitativas, retoma o viés do jornalismo público;

12 – Toda a identidade visual da emissora foi renovada. Viola minha ViolaRoda VivaMetrópolisProvocaçõesCartão Verde, entre outros programas, têm novos cenários;

13 – A TV Cultura tornou-se a principal parceira da produção independente, que em 2009 alcançou 30% de toda nossa produção. As séries A´UweEcopráticoTudo o que é sólido pode derreterestão entre os destaques desse projeto. Somos a emissora aberta de TV que mais incentivou a animação brasileira;

14 – A educação foi alçada à condição de objetivo estratégico da FPA. Produzimos centenas de vídeos, milhares de pen drives e mais de três milhões de exemplares de livros: 104 títulos feitos sob encomenda de parceiros e clientes, como organismos de governo nos planos municipal, estadual e federal, além de organizações internacionais, como Unesco e Unicef. Os contratos já assinados nessa área para 2010 ultrapassam a casa dos R$ 60 milhões;

15 – A área de prestação de serviços reavaliou todos os contratos a partir de um denominador comum: só realizamos projetos rentáveis e compatíveis com a grande missão da FPA, que é a de contribuir para o exercício da cidadania. A campanha publicitária do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2009, Vota Brasil, foi desenvolvida graciosamente pela agência W/Brasil e esteve entre os finalistas da etapa nacional do prêmio Profissionais do Ano de 2009;

16 – Nosso portal recebe mais de um milhão de internautas por mês; o Conexão Cultura oferece conteúdos relevantes para milhões de usuários de lan houses e telecentros.  Há outras iniciativas inovadoras como o Portal Roda Viva, o programa Login (sucessor de Pé na RuaPrograma Novo) e o RadarCultura. A atuação em multiplataforma inclui ainda exposições virtuais, como Olheiro da Arte, com mais de três mil obras inscritas virtualmente antes da exposição física e a Galeria dos presidentes da República. Essa operação transversal se expressa ainda na revista Mbaraka, dedicada à música clássica e a dança, cuja segunda edição (também superavitária) está sendo impressa;

17 – O parque tecnológico foi completamente renovado. Novas câmeras, ilhas de edição e controles mestres garantem mais qualidade e economia. Concluímos assim um processo de modernização que demandou muitos milhões de reais de investimento público e de recursos próprios;

18 – Nossas instalações estão sendo melhoradas gradualmente, como bem sabem todos que trabalham no chamado “prédio das Tecas.” O Teatro Franco Zampari foi totalmente recuperado e pode ser utilizado para programas e eventos, com transmissão ao vivo pela TV ou pela web;

19 – Mordomias incompatíveis com nosso tipo de instituição e com o trabalho em equipe (carro de diretores, portão de acesso exclusivo, restaurante executivo, passagens em classe executiva) foram suprimidas;

20 – Parcerias com emissoras do Brasil e do exterior permitiram aumentar a produção e o alcance de nossos programas. Da Arirang TV da Coréia à Deusteche Welle da Alemanha, passando pela TV Encuentro da Argentina. Com a TV Brasil, desenvolvemos oAlmanaque Brasil, levando para a telinha o conteúdo da revista criada por Elifas Andreatto. Com a Imprensa Oficial está sendo desenvolvida a série Aplauso, baseada na coleção de biografias de personalidades do teatro e da TV. Um acordo longamente costurado com a RTP2 resultou em Brasil e Portugal, Lá e Cá, série que manterá meu vínculo com a TV Cultura, na condição de apresentador, pelas próximas 12 semanas.

Em conversa cordial neste domingo, 25 de abril, ouvi do candidato a presidente João Sayad, que não existe, da parte dele, a intenção de transformações radicais na equipe ou grandes mudanças no que está sendo desenvolvido na Fundação Padre Anchieta.

A alegria do dever cumprido em 39 anos de profissão me remeteram a esta reflexão do escritor Alejo Carpentier, que busco relembrar volta e meia:

“…o homem nunca sabe para quem padece e espera. Padece e espera e trabalha para gentes que nunca conhecerá e que por sua vez padecerão e esperarão e trabalharão para outras que tampouco serão felizes, pois o homem anseia sempre uma felicidade situada além da porção que lhe é outorgada. Mas a grandeza do homem está precisamente em querer melhorar o que é. É impor-se tarefas. No Reino dos Céus não há grandeza a conquistar, pois ali tudo é hierarquia estabelecida, incógnita derramada, existir sem fim, impossibilidade de sacrifício, repouso e deleite. Por isso, atormentado por penas e tarefas, formoso dentro de sua miséria, capaz de amar em meio às pragas, o homem só pode alcançar sua grandeza, sua máxima medida, no reino deste mundo.”

Creio que no reino deste mundo, cabe agora a vocês, que há 43 anos trabalham para erguer (e melhorar) a Fundação Padre Anchieta, uma bela tarefa, digna da grandeza dos homens.

Paulo Markun

26 de abril de 2010

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