Livro Livre - Blitz Literária (15/11)

Estou lançando o Livro Livre ( www.livrolivre.art.br ) um projeto de distribuição p2p de livros físicos que lá fora é conhecido como Bookcrossing. O principio é simples, livro não foi feito para ficar parado na estante, foi feito para ser lido e para tanto precisa ser livre. Então a idéia é criar uma espécie de ‘biblioteca aberta’ da qual você sempre pode dispor, desde que após a leitura faça o favor de encaminhar o livro para outra pessoa.

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A colaboração invísivel

“One needs only to run a Google search on any subject of interest to see how the “information good” that is the response to one’s query is produced by the coordeinate effects of the uncoordinated actions of a wide and diverse range of individuals and organizations acting on a wide range of motivations— both market and nonmarket, state-based and nonstate.”

Yochai Benkler - The Wealth of Networks

Esses dias me peguei pensando em toda essa marola do colaborativo no qual estamos inseridos. É social isso, social aquilo, comunidades que vão de religião até batatinha… redes, grupos, grupos… enfim, tudo é conjunto, tudo é colab, as ações, os labores, atividades… e que na prática isso não estava funcionando tão bem assim. Será?

Para ficar com a prata da casa, o Jornal de Debates, é projeto colaborativo, democrático e que serve de tribuna pública para as discussões dos problemas da sociedade civil. Pelo menos em tese. Na prática, é um pequeno reduto onde uma ou duas duzias de pessoas encontraram um espaço para escrever e publicar suas opiniões.

Longe de desmerecer o projeto, isso valoriza, da forma e cria uma consistência e uma intimidade entre os participantes que o transforma em realmente algo com valor. Mas não é nem de longe a ferramenta de transformação social que aparecia nos mindmaps e primeiros rascunhos feitos a mão no guardanapo.

E essa angustia tomou conta de mim e fiquei ali matutando se essa tal colaboração não era muito mais um fetiche do que uma possibilidade real… foi quando me dei conta (e hoje de manhã Benkler confirmou) dessa ‘colaboração invisível’, essa que acontece o tempo todo na internet, que é de fato a base da internet como a conhecemos mas que poucas vezes damos o devido crédito.

Não falo aqui daqueles momentos onde a dita netiqueta prega que sempre cite-se a fonte da sua informação, isso geralmente se traduz com um link para o blog ou site onde você viu pela primeira vez aquela determinada notícia.

Falo das milhares de vezes onde você resolve alguma dúvida existêncial como quais discos fizeram parte do movimento tropicalista ou (acaba de me acontecer) como evitar que debates apareçam sem artigos no JD. Não fosse essa imensa, amorfa e invísivel comunidade essas respostas não seriam assim, ao alcancce de um click. ‘I’m feeling lucky!’

Por essa falta de percepção, já deixei e deixo de agradecer rotineiramente as Anas de Oliveira e os Ezras Barnett Gildesgame, sem os quais a rede hoje seria pouco mais do que espaço vazio.

Tanto o site do Drupal quanto o Tropicália foram em si mesmo comunidades e funcionam de forma colaborativa, mas curiosamente o real alcance da sua colaboração foge completamente ao escopo dos participantes da comunidade e vice-versa.

Lançamento: Além das Redes de Colaboração

Vale separar tempo na agenda para o lançamento do livro  “Além das Redes de Colaboração: internet, diversidade cultural e
tecnologias do poder”.

Entre os articulistas estão o Prof. Imre Simon, Sérgio AmadeuAlex PrimoJoão Brant e Nelson Pretto. Só gente fera =)

O livro é produto do ciclo de debates Além das Redes de Colaboração que é parte do projeto Cultura e Pensamento do Minc. Pude acompanhar alguns dos debates que foram transmitidos online e disso já da pra ver que vem coisa boa por ai.

Enfim, fica a dica para quem quer refletir mais profundamente sobre esses assuntos que, em geral, a gente só aborda pelas beiradas.
Dia 27/08, quarta­-feira, às 19h (depois do Seminário de Direitos Autorais e Acesso à Cultura do
Ministério da Cultura)
Local: Auditório da USP Leste
Rua Arlindo Béttio, 1000, Ermelino Matarazzo, São Paulo.

elucubrações sobre porque projetos grandes naufragam

Dias atrás, em uma conversa de botequim, surgiu - geralmente surge - um papo sobre os grandes elefantes brancos da web. Entre argumentos lúcidos, acalorados e alguns alcoolizados… debatíamos sobre o sucesso e fracassos de grandes projetos na internet, o Spyer fez algumas considerações e falou de transformar papo em post. Pode ser, desce um chopp ai.

Pra constar: Elefante branco é aquele animal enorme e exótico que, por excesso de estrutura, as vezes tem uma dificuldade enorme de se locomover e de se adaptar.

Pra constar: Projeto web dificilmente morre. Mas agoniza, dor de falta. Cidade-fantasma com direito a barulho de vento e bola de feno.

Enfim, constantemente vejo que ronda nas velhas cabeças e velhas empresas um discurso do tipo:

‘as pessoas estão na internet agora! precisamos fazer algo com isso! não podemos perde-los! vamos enredar a rede!’

sigh.

Parece idiota, mas por vezes esquecemos que a rede não é um lugar físico. Distancia é vento. Você não pode contar  com ‘o bairro’ e seus moradores, filhos e babas para frequentar o seu parquinho.

Geralmente são idéias legais de gente que não sabe exatamente o que quer ou quem quer. Perigo parnasiano. É uma coisa meio ’site porque site’… afinal, hoje em dia, diz-se que não ter site -  quando não é coisa chique - é prova cabal de que parou no tempo, né?

Não é. Seu projeto deve ser uma resposta a uma pergunta. E o sucesso dele vai depender de quanta gente perguntar e do quão bem você conseguir responder.

Visões planetárias sobre a rede de mensagens instantâneas

Este blog-experimento vai ser alvo constante de testes de formatos. Depois de dois (longos) posts, vamos tentar o famoso ‘manhêee, olha só o que eu trouxe pra casa.’

Alguns dias atrás descobri via Download Squad, que uma dupla de pesquisadores da Microsoft havia lançado uma pesquisa sobre conversas no MSN.

É uma analise de impressionantes 30 bilhões de mensagens trocadas por 240 milhões de usuários ao longo de um mês. (!!!) O report completo pode ser encontrado aqui. Entre outras informações muito interessantes, o estudo traz a confirmação definitiva da famosa teoria dos 6 graus de separação (o resultado obtido na pesquisa é de 6.6, na verdade).

Curioso notar como eles falam quase uma vez por parágrafo que ‘não tinham acesso ao conteúdo das mensagens e acessaram dados meramente estatísticos’, outra vez esbarrando na questão de privacidade dos dados… (more…)