Cinco coisas (que aprendi) sobre redes sociais

Esta é uma blogagem inédita. A primeira (espero que não seja a última) desse blog.

Vivemos na cultura do remix. Portanto não são, talvez, informações inéditas e – bem possivelmente – não são opiniões inéditas. São coisas que aprendi aqui e ali sobre os desafios de se trabalhar com mídias sociais e sites colaborativos.

  1. Foco

    Uma rede social precisa de um ponto de foco. Algo que faca as pessoas se aglutinarem. Pode ser um fator geográfico, um interesse comum, objetivos profissionais, uma dúvida, uma mesma experiência, ou a própria descentralização das idéias é preciso encontrar um denominador comum.

  2. Faca um exercício simples. Procure dez palavras que sintetizem a sua comunidade-alvo. Monte uma nuvem com essas tags e deixe isso sempre visível, você precisa acordar e dormir com essas palavras na cabeça. Elas serão a sua linha guia do seu projeto.

    Para o Jornal de Debates? Que tal:

     

    • debates
    • mobilização
    • transformação social
    • argumentos
    • educação
    • comunidade
    • política
    • opinião
    • liberdade
    • diversidade
  3. Menos é mais

    Uma vez entendido qual é essa comunidade, podemos enfim pensar na ferramenta. Essa ferramenta deve ser projetada para responder às necessidades da comunidade. Nem mais, nem menos. Não tente abraçar o mundo todo. Eu sei que parece super dois-ponto-zero que o seu site colaborativo de culinária permita que o usuário customize a pagina inicial para expor noticias do New York Times, tenha previsão do tempo, aceite widgets de sudoku e outras pirotecnias… mas deixe-me te dizer uma coisa. Não é legal.

    É um site de culinária. Eu quero ler, escrever e compartilhar receitas. Quero saber sobre tipos de panelas, disposição de talheres, onde comprar os ingredientes na minha cidade e como manter uma pequena horta. Quero conversar com pessoas que compartilham desses interesses.

    De coisas a fazer no Jornal de Debates:

    • Unificar réplicas e comentário.

      É tudo uma conversa só.

    • Permitir um perfil personalizado.

      As pessoas querem entender com quem estão debatendo e poder ver a linha de raciocínio dessa pessoa.

    • Criar um mecanismo de mensagens internas entre usuários

      Amigos e inimigos surgem nesses processos de intensa discussão. As pessoas querem um jeito de extrapolar as conversas para fora dos debates.

    • Criar diferentes canais.

      O interesse pelo debate é ponto comum. Mas são diferentes grupos querendo discutir coisas diferentes. Eu não estou afim da sua discussão sobre Pagode x Funk e você não esta interessado na minha discussão Godzilla x Ultraman, ou Serra x Alckmin.

    entre outros…

    Esse é o meu desafio: fazer um site que permita que você debata e apresente seus pontos de vistas sobre assuntos do momento. Quando você conseguir entender qual é o seu… tudo vai ficar mais fácil.

  4. São pessoas

  5. Lembre-se porem que aquelas palavras-chaves devem refletir a comunidade e nunca o contrario. As comunidades são orgânicas e se reconfiguram a todo momento. E não adianta, por mais que você explique, crie filtros, regras, procedimentos… os seus usuários vão usar o site da maneira como acharem melhor. A web tem um elemento subversivo que não deve, nem pode ser ignorado.

    Seu site de culinária virou um social bookmarker? O Fórum virou classificados? As pessoas estão usando o Jornal de Debates como blog, escrevem o primeiro parágrafo sobre o assunto certo e depois resolvem falar daquilo que realmente estavam afim. Ninguém escapa.

    Digo uma coisa: Maravilha! As pessoas estão interagindo, cacete. O que mais você quer? O seu trabalho agora é achar um jeito de usar essa energia a seu favor. Porque você não cria uma seção só para agregar links externos? Ou uma seção de classificados? Ou permite que cada usuário tenha seu blog e consiga vincular os posts com os debates quando der na telha?

    ‘ah, mas isso vai descaracterizar o site’

    Vou te dar uma notícia triste. Se você trabalha com mídia social, o site não é teu, é deles. Então ou você mete o pé na porta e manda todo mundo pra rua ou você aceita que quem manda aqui são eles, seu trabalho é só garantir que eles se sintam em casa.

    Rápido e rasteiro?

    Um dos melhores exemplos disso pra mim é o Open Thread do Pedro Dória.

     

  6. Quantidade não é qualidade

  7. Eu sei. Vivemos na tirania do banner, pedimos esmolas na praça do AdSense, queremos leitores com apelidos de tempero para clicar nos em botões coloridos e nos fazer ricos.

    Ainda assim, quantidade de visitas não quer dizer nada em um site colaborativo. É preciso sempre e acima de tudo buscar e incentivar a participação Na sua comunidade é que esta a sua força e o seu

    potencial. Esses caras são o seu negócio. O site onde você pendura o banner é mera interface.

    O Jornal de Debates tem hoje mais de 10 mil cadastros. Desses, só 2000 escreveram mais de um texto e existem 100 que representam quase 25% dos textos do site. É preciso trabalhar com carinho com esses números Esses 100 parecem pouco à primeira vista, mas são uma tropa de elite com provavelmente muito mais engajamento e tesão pelo projeto do que eu ou você. E volto a dizer, o projeto é deles, feito por eles e para eles. E se tenho algum mérito, foi só o de articular esse espaço para que essas pessoas pudessem se encontrar.

     

  8. Integre-se

  9. Então, enfim, você já disparou todos os rojões e fogos de artifício que a web2 proporcionou? Fez barulho, coloriu e colocou caixas com drag nd drop e menus customizáveis? Maravilha, hora de trabalhar sério agora.

    Eu poderia fazer um rap-pokemon com nomes de redes sociais. Aliás, eu poderia fazer um jogo sem fim – ‘gotta join them all’.

    O que antes era bacana, agora é um saco. Por sorte, não sou o único que esta de saco cheio disso. Estão buscando soluções.

    OpenID, Dataportabilty, APIs abertas, OpenSocial, DiSo, lifestream… são todos assuntos que devem estar na agenda de quem quer construir um site social de sucesso. É hoje um dos papos que mais me interessam e devo começar a destrinchar um a um aqui nesse blog. Por hora, basta saber que são todas tentativas (em algum grau) de unificar a web, criar interoperabilidade entre diferentes redes.

    Eu disse antes que um bom site social precisa de um foco claro, precisa definir uma comunidade-alvo… mas as pessoas não integram uma única comunidade, não têm (ou não deveriam ter) apenas um único interesse.

    Interesses diversos, demandas diversas e sites diversos. Pessoas únicas que gostariam de poder gerenciar essas informações de maneira global.

    Gambiarras do tipo ‘importe seus amigos do orkut’ são aceitáveis por enquanto. Mas queremos mais. Queremos integração total! Queremos controle total!

    Pense nisso quando for construir o seu site. Aqui no JD estamos pensando e acompanhando, tudo é muito incipiente e ainda não existem soluções definitivas… mas pense que quanto mais integrado você estiver com as redes, maior será a possibilidade de que aqueles que têm interesses afins com os teus e da sua comunidade te encontrem e colaborem.

abs,

Pedro Markun

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