Você trabalha com o que?
Bom, todo mundo já ouviu essa pergunta, isso é fato.
Eu tenho sempre três respostas possíveis para essa pergunta, variando de acordo com o meu humor e paciência.
1. ‘Trabalho com Internet’
‘Fazendo site?’ ‘É.’
2. ‘Sou Jornalista’
‘…’
3. ‘É complicado.’
E ai é que o caldo engrossa.
Em um projeto de rede social que estou desenvolvendo, me pediram para colocar no papel a estrutura de uma pequena equipe para manter uma rede social… falei que ia pensar sobre o assunto e respondia. Decidi compilar uma lista não de pessoas, mas de necessidades básicas para que a roda gire.
Sai por ai a cata de títulos possíveis para essas funções - tarefa Hercúlea e improdutiva - já que não existe ainda um consenso e tudo o que temos são nomes que hora são hypeados por uns e debochados por outros… hora o inverso.
Ainda assim acho importante ter algo legal e aceitável para colocar no currículo. Por enquanto vou com esses aqui:
Estrategista de Mídias Sociais
Esse é sem dúvida o cara mais importante dentro da estrutura. Idealmente ele tem que saber tudo que os caras ali de baixo fazem, além de passar, cozinhar e fazer café. Sério. A função do estrategista de mídia social é ter um panorama geral de tudo que esta acontecendo dentro da comunidade e quais são as ferramentas que devem ser utilizadas e quais ações executadas para que ela continue crescendo e permaneça saudavel.
É o cara que tem a sacada de fazer uma festa de aniversário para o usuário mais antigo, que diz como e quando vão abordar (do ponto de vista da administração) as eleições municipais (que estão ai e vão invadir de uma forma ou de outra todos os espaços) e que, de uma maneira geral, tenta traçar planos maquiavélicos para que a comunidade esteja sempre produzindo e se divertindo.
*Atenção aqui* a função do estrategista é planejar uma estratégia e nunca força-la goela abaixo. A sociedade em rede se auto-regula. O estrategista só fornece caminhos e torce para que pelo menos alguns deles gerem bons frutos…
Atribuições:
- Coordenar e supervisionar o trabalho dos Facilitadores e Evangelistas.
- Planejar ações especiais para interferir/estimular a comunidade.
- Tomar as decisões difíceis de gestão e moderação e se ferrar se fizer a escolha errada.
- Fazer a ponte com todas as outras áreas do site. Conteúdo, Administração, Financeiro, etc e tal.
- Monitorar o nível de satisfação interno e de exposição externa da comunidade.
Características :
- Tudo que um bom facilitador/evangelista precisa ser e mais.
- Bom gestor.
- Perspicaz.
- Pulso-firme.
Facilitador (de Comunidades)
O facilitador é alguém que come, dorme e respira a sua comunidade. Esta presente em todos os tópicos, atento a todas as discussões, sabe naturalmente quem são as pessoas mais relevantes dentro da comunidade e principalmente sabe usar todas essas informações para fazer a conversa fluir melhor e mais intensamente.
É a emulação (ou não) do colaborador perfeito.
Das atribuições desse cara estão:
- Construir um relacionamento (p2p) com os colaboradores.
- Aumentar a quantidade e a qualidade da conversação.
- Fiscalizar conteúdos e usuários impróprios.
- Responder os questionamentos e críticas do site.
- Trazer links e informações relevantes a conversação de modo a estimula-la
- Junto com o Evangelista, ir buscar recursos externos para contribuir com a conversação.
Algumas características chaves:
- Paciente
- Atencioso
- Apaixonado pelo tema da comunidade
- Comunicativo
Evangelista
O evangelista tem tarefas parecidas com as do facilitador, mas seu campo de atuação são as pessoas que ainda não fazem parte da comunidade. O objetivo é localizar pessoas e conteúdos dentro ou fora da rede que possam de alguma forma enriquecer as conversas da comunidade. O articulista de um jornal, um blogueiro, alguém em uma lista de discussão… o desafio é trazer essa pessoa para dentro da comunidade de forma não-intrusiva. O resultado disso é uma comunidade com cada vez mais qualidade e credibilidade.
Lembrando que aqui o importante não é gerar trafego, mas relevância. Então se você precisar linkar para o artigo do cara ao invés de ter o autor escrevendo no site ou uma cópia publicada no seu espaço, tanto melhor. Fazer a conversação rolar é tarefa do Facilitador, de qualquer forma >:)
Atribuições:
- Buscar conteúdo e pessoas relevantes para a comunidade.
- Divulgar a comunidade em outros sites afins e plataformas de mídia social.
- Manter e monitorar o blog da comunidade e outros dispositivos de conversação externa.
- Manter e monitorar profiles públicos da comunidade. (Orkut, Digg, Technorati, Newscloud, Facebook)
- Mostrar uma cara ‘humana’ da comunidade para quem esta de fora.
Características:
- Comunicativo.
- Heavy-user de blogs, twitters, jaikus e quaisquer outros meios de fazer barulho na rede.
- Exímio conhecedor de ferramentas de compartilhamento na rede. (YouTube, Slideshare, Podwhatever)
- Noções de SEO e SEM.
- Alguém que vista a camisa. (como todo bom evangelista)
- Preferencialmente alguém já com relevância na comunidade.
Enfim, estou aberto a discussões e sugestões de outros nomes e funções, tentei desenhar aqui o que vejo como essencial para o crescimento de uma comunidade na rede, seja ela em uma plataforma própria, no ning ou dentro do Orkut… infelizmente ainda não consegui isso no Jornal de Debates, que quando tem alguém olhando pro umbigo, nunca tem ninguém olhando pro mundo… mas é como dizem… cobertor é curto.







Primeiro, artigo excelente, Markun.
Mas faltou algo.
“tentei desenhar aqui o que vejo como essencial para o crescimento de uma comunidade na rede,”
“quando tem alguém olhando pro umbigo, nunca tem ninguém olhando pro mundo…”
Falta algo essencial e que passa justamente pela idéia de união que vai acabar com esse padrão de olhar para o próprio umbigo.
Nenhuma, absolutamente nehuma comunidade, cresce sem uma equipe core. E no caso não estou falando das pessoas contratadas para montar o projeto e fazê-lo acontecer. A equipe core são outros 500 e um tema que gostaria de debater com vc aí em Sampa. Já montei 3 comunidades ultra participativas do zero e isso hj é claro como cristal.
#Nob?
Valadares,
com certeza toda boa comunidade tem o seus 300 de esparta, guerreiros voluntários lutando pela nobre causa da própria satisfação coletiva! E muitas boas comunidades nascem e crescem espontaneamente, com esses caras assumindo posições de liderança social organicamente. E no fundo são esses caras que determinam o real sucesso ou fracasso, eles são *A* comunidade.
O que eu coloco em jogo aqui é que a existência de alguns profissionais chaves podem estimular o crecimento das comunidades, localizando e abrindo possibilidades para que esses caras apareçam.
Mas vamos falar sobre isso num #NoB, sem duvida
abs,
Pedro Markun
Pedro, achei bem esclarecedor, mas se alguém chegar em uma reunião de família e que eu vireou um/a “facilitador/a”, ninguém ficaria muito contente. Evangelista até vai, mas acho que precisamos rever esses nomes! :*
Haha,
o termo eu empresto das organizações de ‘open spaces’ e outras metodologias horizontais. O facilitator é figura chave por lá e - acredito - que por aqui também. Mas concordo que não é a palavra mais bonita da língua portuguesa
Agora… reuniões de família SÃO micro-comunidades e com toda certeza tem os seus facilitadores… sabe, aquela moça que liga para todos os parentes para fazer as notícias circularem? Poizé.
:*
assessoria de imprensa do Markun informa: http://tinyurl.com/2fds8t
“com certeza toda boa comunidade tem o seus 300 de esparta, guerreiros voluntários lutando pela nobre causa da própria satisfação coletiva!”
E digo que é possível puxar esses 300 de esparta, não somente esperar pela chegada deles. Tricks of the trade. Só colocar algumas jogadas em prática.
;D
Ola Pedro, excelente vc desenhar os novos caminhos desta humanidade digital! O conceito de trabalho e diversao esta se misturando! Obrigado por ser um ” facilitador” deste novo mundo. Abs Gil Giardelli
fala pedro. primeiro, parabens por se preocupar nao apenas em pensar nisso como em abrir a discussão.
concordo com a bel, os nomes são esquisitos, mas acho até bom que sejam porque dá margem para associar novos valores a cada função.
só acho que faltou a cada função uma dose de conhecimento técnico. uma das atribuições do estrategista é fazer a ponte com outras áreas.
acho que esse cara deve saber conversar com arquiteto de informação, designer, programador, e observar os avanços dos outros sites e ir estabelecendo e acompanhando as metas de desenvolvimento do site.
faz sentido?
ah, sim! A área técnica ficou relegada ao etc do estrategista, falha minha.
Realmente deixei de mencionar qualquer skill de ‘técnica/produção’. Curiosamente, isso é menos uma questão de negligência e mais um entendimento de que o conhecimento das diferentes (hiper/multi)mídias devem fazer parte do arsenal de qualquer um que queira trabalhar com a rede hoje.
Publicar no Wordpress, gravar um vídeo ou tirar uma foto com camera digital são nesse meio necessidades tão básicas como saber escrever. É assim o alfabeto digital.
Pedro,
lembrei de um texto (já antigo) do Jeffrey Zeldman sobre a “profissão que ousa não dizer seu nome”. O enfoque é um pouco diferente, mas tem algumas semelhanças. Vale a leitura do texto e dos comentários:
http://www.zeldman.com/2007/04/25/the-profession-that-dare-not-speak-its-name
=)
Renato
E aproximadamente um ano depois temos mais certeza do que duvidas. Talvez porque as coisas se transformem tão rapidamente que fique complicado precisar…
Pedro, a Beth Saad, blogando para o Intermezzo, direto de Austin, achou um termo que serve aqui para você também: gestor de comunidades! =)
http://imezzo.wordpress.com/2008/04/08/jol-em-austin-ii-surge-nas-redacoes-o-gestor-de-comunidades/
ótimo post!
“O estrategista só fornece caminhos e torce para que pelo menos alguns deles gerem bons frutos…”
metodologias são poucas, sinto falta de casos bem documentados, outra grande dificuldade é traduzir qualidade em números (que são exigidos como prova por clientes).
Land,
bom te ver por aqui. As metodologias ainda estão realmente sendo construídas. Cases até tem bastante coisa, mas como falta metodologia, fica difícil buscar algo além de ‘boas práticas’. No fundo, vejo o mesmo problema que com o cálculo de ROI, tenta-se adaptar um novo modelo a um velho olhar… ‘qualidade em números’ é buscar os resultados errados, nosso dever é fazer o cliente entender isso. Fico com o Brian Solis:
‘This isn’t the post for ROI, but I will ask, how do you evaluate the ROI of your best friends in real life?’
– http://www.briansolis.com/2008/04/will-real-social-media-expert-please.html
realmente a frase final é pertinente e certamente acho que qualidade x números é uma conversão que nunca vai gerar resultados “limpos”, nossa função agora se limita a compartilhar o que sabemos com os clientes e experimentar (e errar bastante faz parte).
Oi Pedro! Acho que uma coisa que é importante ressaltar é a questão do capital social. Acho que nenhuma comunidade sem algum tipo de valor que seja perceptivelmente construído pela participação no grupo funciona. Eu sempre defendi que a comunidade (comunidade mesmo, nao grupo) é emergente na rede, e que depende de uma quantidade de fatores relacionados a comprometimento, ferramentas, relações de poder e capital social.
Abraço!