Visões planetárias sobre a rede de mensagens instantâneas

Este blog-experimento vai ser alvo constante de testes de formatos. Depois de dois (longos) posts, vamos tentar o famoso ‘manhêee, olha só o que eu trouxe pra casa.’

Alguns dias atrás descobri via Download Squad, que uma dupla de pesquisadores da Microsoft havia lançado uma pesquisa sobre conversas no MSN.

É uma analise de impressionantes 30 bilhões de mensagens trocadas por 240 milhões de usuários ao longo de um mês. (!!!) O report completo pode ser encontrado aqui. Entre outras informações muito interessantes, o estudo traz a confirmação definitiva da famosa teoria dos 6 graus de separação (o resultado obtido na pesquisa é de 6.6, na verdade).

Curioso notar como eles falam quase uma vez por parágrafo que ‘não tinham acesso ao conteúdo das mensagens e acessaram dados meramente estatísticos’, outra vez esbarrando na questão de privacidade dos dados…

De minha parte, me intrigou os gráficos detalhando uma série de características da comunicação em função da idade dos participantes:

Gráfico da pesquisa do MSN

Algumas obviedades:

  • Existem muito mais conversas entre jovens do que entre velhos. (a)
  • Essas conversas acontecem em um ritmo muito mais acelerado (d)
  • Mas geralmente são conversas mais curtas e que duram menos. (c)(b)

Extrapolando um pouco o terreno dos IMs é possível aplicar essa analise ao comportamento geral dos usuários na web? Isso explicaria, em partes, o fato de um público mais velho ter tomado conta de um projeto como o Jornal de Debates - hoje sustentado por longas e duradouras conversas, debatidas em profundidade e que não convivem bem com o ‘comentário-express’, que invade de forma esmagadora centenas de espaços públicos da rede.

Não quero dizer com isso que esses textos curtos, instantâneos e/ou efêmeros resultam em uma conversa de qualidade inferior. Seria um tanto preconceituoso. Talvez até míope?

Discuti isso ainda esses dias, em fragmentos de 140 caracteres, de uma forma descentralizada e intercalada à muitas outras conversas, através do twitter. Claro que o formato impôs limitações e que muitos dos pensamentos mais complexos acabaram sendo reduzidos a palavras-conceitos, mas ouso dizer que o papo foi bem interessante e produtivo.

Mais do que discutir a qualidade desse tipo de comunicação, é necessário entender que essa fragmentação dos discursos representa como uma nova forma de pensar. É o DDA não como doença mas como estrutura(s) de raciocínio(s) em um mundo hiperconectado, me disse uma vez Cláudio Prado.

Ainda encontramos dificuldades para adaptar ( construir? ) ferramentas e processos para esse novo modelo. Os wikis embora conceitualmente se encaixem nesse perfil, enfrentam um problema de adesão e aprendizado e pede uma disciplina ímpar para colaborar; o twitter surge com uma proposta inovadora e uma interface transparente que permite milhões de esporos, você twitta o que quiser, de onde quiser, mas ainda sugere um formato predeterminado e só consegue dinamismo com uma quantidade grande de usuários. Enquanto, isso Efeefe propõe uma gambiarra construída, ela própria, colaborativamente. Com sorte não teremos um modelo único de pensamento ou encontraremos a aplicação perfeita, mas é interessante pensar para onde vamos caminhar agora que ruído é também mensagem.

E no fim, me pego pensando qual forma teria um heatmap do twitter…

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3 Comments »

Comment by Carlos Augusto Rosa
2008-03-24 12:13:57

Prezado Pedro, muito interessante este estudo. Eu trabalho com jovens e na minha vivência, tenho observado que eles não estão lendo e escrevendo como deviam. Em parte culpa do sistema educacional que não se modernizou e não sabe ainda usar ou não tem acesso as novas tecnologias principalmente informática e internet. Eu acho que não teremos como fugir do “internetes”, usado principalmte no Msn, no orkut e outros veículos que tanto agradam os jovens. Os puristas que me perdoem, mas ele veio para ficar. Devemos continuar estimulando a boa leitura e ao mesmo tempo mostrar-lhes que a internet não se resume apenas aos msn e orkut da vida, lá também podemos realizar bons trabalhos de pesquisas e adquirir novas informações e conhecimentos. Parabéns pelo trabalho e forte abraço

PS: Sou um humilde participante do debates do JD, e não somos “público mais velho”, apenas mais experientes. Como dizia minha saudosa mãe “velha é a Bíblia”. Brincar é preciso hehehehe (olha o internetes aí) fuiiiii.

Comment by Pedro Markun
2008-03-24 13:04:14

Carlos,

bom saber que o pessoal do JD circula por aqui também e concordo plenamente velhice deve, hoje, pouca coisa à idade! E é isso ai, o dito ‘internetês’ não é nada mais do que o bom e velho português quando encontra uma novo canal de expressão. E acho que o problema é mesmo que a maioria das pessoas trabalha com a idéia de reprimir a (nova) linguagem, ao invés de estimular a escrita.

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