twitter no #rodaviva, layers de informação e paulo caruso

fazendo um rápido adendo ao post anterior - que ia sair em forma de comentário mas me pareceu pertinente transformar em post.

um dos pontos mais controversos nessa idéia de ter twitteiros participando do #rodaviva é a incapacidade deles de interagir efetivamente com os entrevistadores e o entrevistado.

a principio é uma revindicação legitima. afinal, o cara é convidado para ir lá, pilotar um mecanismo de comunicação, e fica incapacitado de se comunicar com o objetivo maior do programa?

ao invés de apontar os prós e contras que essa decisão pode acarretar, queria colocar apenas um outro bit de informação.

muita gente comentou sobre isso e a discussão me lembrou um papo que tive uma vez com meu pai, na época que ele ainda era apresentador do Roda Viva, sobre a participação do Caruso no programa.  O Caruso é uma peça antiga no programa. Já foi e já voltou com suas charges, trazendo, sim, um pouco de graça e de ‘respiro’ para uma arena que muitas vezes é super tensa.

O Caruso não dialoga com os entrevistados ou com os entrevistadores. E no entanto ninguém pode negar que ele faz um sem-fim de perguntas que, obviamente, ficam sem respostas. É um outro layer de informação, uma leitura adicional e complementar sobre a cena que esta acontecendo. Ao mesmo tempo que ele perde a possibilidade de dialogar com os participantes, ele ganha MUITO na capacidade de dialogar com os tele-espectadores. Afinal, ele desenha para eles.

É assim que vejo, creio, a participação dos twitters em um programa como o Roda. É questão de objetivo, eles não estão lá para dialogar com os participantes da roda, mas com todos os outros que estão assistindo e comentando sobre a roda. O fato dos entrevistadores não usarem seus mensageiros para se comunicar, armar e antecipar ciladas é algo ruim, sem duvida! Mas sem dúvida também trás algumas coisas interessantes.

É o panopticon do qual eu falava no post abaixo.

Enfim, são dois modelos distintos de uso do twitter e da interação. Seria interessante, aproveitando essa onda de experimentação, testar os dois. E talvez, mais interessante ainda, procurar uma terceira-via, um caminho do meio, capacitando a moça que recebe a participação dos tele-espectadores por email e telefone para absorver também um pouco do conteúdo do twitter.

Ou ainda usar um mecanismo como o do RadarCultura / Digg para votar nas melhores perguntas? Quando do lançamento do Radar eu tinha algumas duvidas sobre o funcionamento desse sistema para coisas real-time como a programação da rádio… funcionou. Não sei se ou como isso poderia funcionar sem quebrar a dinâmica do twitter. Mas como gosta de dizer avório-san, é questão de interface.

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6 Comments »

Comment by avório-san
2008-05-13 16:15:32

Os diálogos geralmente transcendem uma ou outra edição do programa. Na internet, essas conversas estão cada vez mais dispersas. É uma de suas características mais belas, na verdade. Nesse sentido, mapear e trazer conteúdo de um sem-número de fontes pode enriquecer a transmissão.

No Roda, que priva por pluralidade, a voz do público interator, IMHO, deve ganhar espaço, sim. De novo, é uma questão de interface porque implica em trabalharmos com essas diversas fontes em sincronia. Votação e outros recursos democráticos muitas vezes ajudam a colocar ordem na casa - do mesmo jeito que, no RadarCultura, damos prioridade para uma ou outra playlist com base no seu número de votos (critério de aceitação), poderíamos considerar destaque para uma ou outra pergunta de acordo com sua relevância para uma comunidade ativa de telespectadores.

Backchannels são extensivamente usados para alimentar apresentações, palestras, debates e seminários com pluralidade; fundamentalmente, com outros olhares. O grande pulo do gato, IMHO, seria pensarmos em um backchannel com moderação social, que teria como papel estabelecer o canal de retorno para o programa.

Isso porque, de dentro do Roda para fora, o streaming da TV Cultura é o mais imparcial :)

Comment by Pedro Markun
2008-05-13 16:26:11

Fica rodando na minha cabeça a idéia de um bot interativo. Bots tinham e tem um lugar de destaque no IRC, desempenhando as mais variadas funções. Pool, quizes, moderadores, tudo controlado por um robozinho sensível ao input textual dos usuarios.

Cheguei até, uma vez, a codar o MalaB0T que tinha uma IA rudimentar e cujo unico proposito era ofender os incautos visitantes. Uma combinação de directs e replies poderia manter o sistema funcionando sem (tanto) ruido.

Enfim, todas essas questões passam por um amadurecimento e stress-test da idéia. Ainda falta algum chão para que compense destinar meia duzia de neuronios pro problema.

abs,
Pedro Markun

(Comments wont nest below this level)
 
 
Comment by Pedro Doria
2008-05-16 14:58:08

Xará –

Eu não incluiria o que os twitters comentam na conversa da entrevista, não. Deixa os jornalistas cuidarem da entrevista.

O que eu talvez experimentaria fazer era botar na tela alguns dos comentários que saem no twitter na tela para o telespectador ouvir. Incluindo críticas ao entrevistado e aos jornalistas.

Gosto de como vc se refere à coisa: uma layer a mais de informação. Serve a quem está assistindo ao programa, não é uma camada de informação autônoma - faz sentido no contexto e apenas nele. É um dividir de percepções de o que está acontecendo na tela. Entrei achando que o Twitter não fazia sentido no Roda Viva. Saí achando o contrário. Faz sentido sim. E a presença dos tuiteiros é capaz de fazer os jornalistas envolvidos mais atentos, menos dispostos ao tricô no qual às vezes o programa cai.

 
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