Sobre José Mindlin [por Paulo Markun]

[Esse texto foi escrito pelo jornalista, escritor e pai Paulo Markun, que me pediu para publicar aqui no meu blog]

Tive poucos contatos com José Mindlin – incluindo entrevistas. Nunca fui à casa dele, uma experiência fascinante, pelo que pude ver em reportagens e fotos. Casa construída em torno da imensa biblioteca que ele e a mulher, Guita, construíram durante décadas.

Na verdade, até outubro de 1975, sabia apenas que ele era secretário da Cultura do empresário Paulo Egydio Martins, que chegara ao governo de São Paulo escolhido por Geisel prometendo mudança e novos ares.

Um dos grupos de trabalho organizados por Paulo Egydio no intervalo entre sua indicação e a posse tratou da comunicação social. Depois de apontar graves defeitos graves na programação da TV Cultura – indefinição de objetivos, desconhecimento do público a que se dirigia, amadorismo na escolha de temas e na própria realização dos programas e um elitismo que levava a índices de audiência praticamente nulos – o grupo recomendou que ela fosse utilizada não apenas para divulgar atos e intenções do governo, mas para permitir sua discussão e – mais importante – a abertura de um canal de diálogo que permitisse à população manifestar aos governantes seus problemas, apreensões, queixas e sugestões. Para isso, sugeria uma ampla reformulação da Cultura, em especial de seu telejornalismo.

O produtor musical Fernando Faro, a quem Paulo Egydio costumava recorrer como uma espécie de conselheiro informal, sugeriu que Fernando Pacheco Jordão fosse recontratado e promoveu um encontro ele ele e o novo presidente da Fundação Padre Anchieta, Rui Nogueira Martins. Depois de discutirem a linha de trabalho a ser adotada, que seria transformar a Cultura num canal de diálogo, Jordão, que estava no Globo Repórter, recusou o convite por carta e sugeriu o nome de Vlado, que encaminhou seu currículo a Antonio Angarita, chefe de gabinete de Mindlin.

Com Rui Nogueira Martins na Europa, coube a Mindlin escolher o diretor de jornalismo da emissora. Antes de se decidir, ele chamou Vlado para uma conversa. Ficou bem impressionado com a atitude do candidato, que limitou-se a descrvcer seu currículo e suas idéias para o jornalismo da Cultura. Junto ao cônsul inglês, Mindlin foi conferir se Vlado realmente trabalhara na BBC e recebeu não apenas a confirmação, como notícias das boas referências que ele deixara na BBC.

Decidido a contratar Herzog, o secretário da Cultura teve o cuidado de consultar o chefe do escritório do SNI em São Paulo, coronel Paiva. De acordo com Mindlin, meia hora depois, este ligou de volta, dizendo que não havia objeção, embora a ficha de Herzog registrasse algumas “veleidades comunistas” na juventude.

Na manhã de três de setembro de 1975, uma quarta-feira, fui buscar Vlado em casa. Ele morava a meio caminho entre o Brooklin e a sede da TV Cultura, na rua Carlos Spera, 179, no bairro da Água Branca, zona oeste de São Paulo e não sabia dirigir.

Antes que tomassemos pé da situação na TV, o telejornal do meio dia foi ao ar. Entre as matérias, um mini documentário de sete minutos, produzido pela agência inglesa Visnews, (que em 1992 seria comprada pela Reuters). O material não causaria qualquer problema na Inglaterra, mas Vlado considerou uma provocação dar tanto espaço para o líder do Vietnã do Norte, Ho Chi Min. Eliminou qualquer referência ao assunto no Hora da Notícia daquela noite e decidiu demitir o editor.

Não adiantou: no dia seguinte, o espaço dado a Ho Chi Min foi criticado pelo colunista Cláudio Marques. A notícia foi praticamente reproduzida na Última Hora de cinco de setembro:

Bastante comentada, por sua “oportunidade” e “qualidade”, a reportagem levada ao ar na quarta-feira, pela TV Cultura, em seu programa noticioso do meio-dia. Inúmeros minutos da programação da emissora educativa foram dedicados à história do Vietnã e às lutas que ali ocorreram nos últimos anos, dando-se especial destaque a pensamentos e à figura de Ho Chi Min, o líder comunista do Vietnã do Norte.

Pode ser que exista uma razão muito forte para tal tipo de preocupação na TV Cultura, mas não há dúvida que, no Brasil, existem temas muito mais educativos e salutares do que a história dos conflitos na Indochina ou os conceitos do vietcong.

A matéria sobre o Vietnã foi motivo de uma reclamação do coronel Paiva ao secretário da Cultura. De acordo com Mindlin, na conversa “bastante áspera, apesar da aparência cordial,” ele tentou explicar que Vlado lhe parecera um profissional sério, tinha a ficha limpa e não podia ser responsabilizado por algo que havia sido colocado no ar no dia de sua posse e que, portanto, era produto da equipe anterior. Nessas condições, argumentou, seria uma injustiça demiti-lo. O coronel reagiu com um alerta:

- Eu não estou pedindo para que o senhor o demita, depende do grau de risco que o senhor quer assumir.

Mindlin respondeu que não tinha medo de assumir riscos, mas que, naquele caso, a responsabilidade não era dele, já que a TV Cultura tinha autonomia. O coronel não aceitou o argumento:

- Mas o responsável é sempre o chefe…

Combinaram que Mindlin promoveria uma conversa entre Vlado e o coronel, para que este orientasse o diretor de jornalismo. Se depois disso, o telejornal continuasse avançando o sinal, a situação seria diferente, acordaram.

Pouco depois, o governador foi procurado pelo major Ismael Armond. Amigos desde o tempo em que Paulo Egydio presidira a União Metropolitana de Estudantes, em meados da década de 50, no Rio de Janeiro, tinham se aproximado na adoração a Carlos Lacerda, e chegaram a integrar, com oficiais da Aeronáutica, o grupo que fazia a segurança pessoal do político da UDN em guerra aberta contra o governo Vargas. Em 1964, Armond aproximou Paulo Egydio dos conspiradores. Agora, alertava sobre a contratação de Vlado, um “comuna.” O governador procurou Mindlin e se deu conta de que este tinha pouca informação sobre o novo diretor de jornalismo da Cultura:

- Notei que Herzog tinha sido admitido normalmente, em razão da necessidade do preenchimento de um cargo vago, sem nenhuma indicação de cima. Em função daquele estado de guerra, da pressão geral contra o governo e de estar efetivamente comprometido até os ossos com os castelistas, mandei o coronel Erasmo e o coronel Paiva, chefe do SNI em São Paulo, investigarem o que se passava com esse tal Vladimir Herzog, que eu nunca tinha visto nem ouvido falar e que estava para assumir o setor de jornalismo da TV Cultura.

Depois de verificarem a ficha do Herzog em todos os órgãos de segurança, eles disseram que não tinham encontrado nada que obrigasse a demissão do sr. Herzog e que ele tinha evidentemente de ficar sob observação, em função da movimentação toda contra ele. Ainda disse: se o homem quiser fazer do jornal da TV um veículo de propaganda ideológica, evidentemente nós vamos atuar. Mas a ficha dele está limpa, não há nenhuma indicação de que alguém o colocou lá, vamos mantê-lo.

No dia sete de setembro, Cláudio Marques voltou ao ataque, em sua coluna dominical no Shopping News, um jornal distribuído gratuitamente em centenas de milhares de lares de São Paulo, patrocinada pela construtora Adolpho Lindenbergh, diretor-tesoureiro da TFP:

TV Educativa continua uma nau sem rumo. Repercutindo – pessimamente – o documentário exibido pelo Canal 2, fazendo a apologia do Vietcong. Eu acho que o pessoal do PC da TV Cultura pensa que isto aqui virou o fio…

A Última Hora 11 de setembro trazia nova bomba, agora contra a matéria sobre o regresso do príncipe Norodon Sihanouk ao Cambodja, após um exílio na China Comunista, que teria ocupado o espaço onde deveríamos veicular notícias sobre a volta do governador Paulo Egydio de Brasília, o aumento do preço dos combustíveis e outras notícias oficiais, que segundo o jornal, tinham aparecido em outros telejornais.

O Hora da Notícia daquela terça-feira incluía dois ministros, o presidente da Embratur e um secretário do governo de São Paulo, mas isso pouco importava para quem estava em campanha contra a TV Vietcultura.

O coronel Paiva ligou novamente para o secretário da Cultura, reclamando do Hora da Notícia, que estaria veiculando informações tendenciosas. Citou um caso específico: ao noticiar o julgamento de autores de um atentado terrorista na Espanha, o telejornal dava mais destaque à pena de morte do que aos crimes praticados pelos autores do atentado.

O caso envolvia militantes antifranquistas acusados da morte de um policial e por isso, condenados à morte, entre eles, duas mulheres grávidas. Várias matérias exibiam imagens do garrote vil em que a sentença deveria ser executada. Não havia adjetivos, nem era preciso – as matérias eram claramente contrárias à pena de morte.

Mindlin contra-argumentou, explicando que essa avaliação podia ser subjetiva. Assumiu o compromisso de instalar um televisor em sua sala e monitorar o programa, como o coronel já fazia. Ficou acertado também que o secretário conversaria com Vlado e que nenhuma providência seria tomada contra o jornalismo da Cultura ou sua equipe sem que o responsável pelo SNI falasse antes com o secretário ou com o governador.

Alguns dias mais tarde, o coronel Paiva telefonou pela terceira vez, agora para dizer que estava achando o telejornal “muito chocho”. Ao que Mindlin respondeu que a responsabilidade era de seu interlocutor, já que dele partira a recomendação para que o Hora da Notícia evitasse qualquer comentário “tendencioso”.

Ao cabo de duas semanas e debaixo desse tiroteio todo, Vlado formalizou suas primeiras propostas e as encaminhou à assessoria administrativa da emissora. Propunha o cancelamento imediato do Jornal da Manhã, a suspensão temporária do Jornal Agrícola, a redução pela metade do tempo do Jornal da Cidade, a suspensão da edição de sábado do Hora da Notícia e um reexame dos noticiosos da rádio. A partir de janeiro de 1976, se o estúdio próprio do jornalismo estivesse pronto, o formato e o nome do jornal mudariam ( a proposta era chamá-lo de Jornal da Noite) e no lugar das edições de três minutos do TV2 Notícias, entrariam duas emissões de dez minutos do Hora da Notícia, além de um jornal infantil e uma revista semanal.

As medidas imediatas foram aprovadas e postas em prática, mas já estava em pleno curso a Operação Radar, desencadeada para destruir o Partido Comunista e, acredito, envolver integrantes do primeiro escalão do governo Paulo Egydio, numa manobra cujo alvo final era o general Geisel.

No plenário da Assembléia, discutia-se mais a situação da Cultura que a escalada de prisões ilegais. Foi lá que o deputado Wadih Helou, aparteado por seu colega José Maria Marin, reclamou da ausência de uma equipe da TV Cultura na inauguração de um serviço de água e esgoto e disse que não ficara surpreso, em razão das denúncias de Cláudio Marques:

- Num país como o nosso, que está em pleno desenvolvimento, num país como o nosso, que se constitui num verdadeiro oásis no mundo de hoje, são esses elementos pagos pelo governo numa emissora de televisão do governo de São Paulo, que pregam a desagregação do nosso povo, da nossa cidade, omitindo-se de comunicar ao povo paulista as realizações do nosso governo.

Acusado por Helou de ser conivente com a ação subversiva da TV Cultura, Mindlin saiu em nossa defesa. Explicou que enquanto não fossem apontados fatos concretos, não havia motivos para preocupação e que a equipe lhe parecia séria e objetiva, que não merecia as suspeitas e críticas levantadas. Sobre Vlado, foi claro:

- O jornalista Vladimir Herzog é um sujeito sério, que merece a confiança da Fundação Padre Anchieta.

O secretário rebateu diretamente o ataque de Wadih Helou:

- Se a TV Cultura deixou de promover o governo em algum momento, foi por mero acaso. A missão da emissora é, além de promover a cultura e cumprir seu programa educativo, dar uma informação objetiva, tanto quanto possível. Não deve fazer críticas sistemáticas ao governo, como também não é seu papel fazer uma apologia sistemática.

Quanto às matérias sobre a revolução russa e o socialismo – na verdade, aulas de Geografia do curso supletivo, aprovadas pela censura federal – afirmou:

- Não vejo por que tanto barulho pelo simples fato de a TV Cultura falar de revolução russa e socialismo.

No dia 20 de outubro, após minha prisão pelos homens do Dói-Codi, Vlado levou meu pai para falar com Mindlin. O secretário da Cultura estava nos Estados Unidos e eles só estiveram com o assessor de imprensa, Armando Figueiredo.

No Roda Viva histórico de dezembro de 2006, reprisado agora Mindlin falou de Vlado, da ditadura e do que mais amava – os livros. Abaixo, um resumo do que disse:

Eu fui secretário de Cultura, Ciência e Tecnologia por insistência do Paulo Egídio [governador de São Paulo], e hesitei muito porque eu não queria participar de um governo nomeado e não eleito. Fui a favor da abertura política, desde o momento em que a política foi fechada. Fui contra o regime. Mas havia, naquela época,  uma perspectiva de abertura porque o MDB [Movimento Democrático Brasileiro, partido opositor do regime militar, que em 1980 passa a se chamar Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB] tinha ganhado as eleições em 1974 e o governo tinha respeitado o resultado das eleições. De modo que o momento parecia permitir esperanças. E o grupo de amigos a quem eu consultei disse que eu devia aceitar porque se quem queria a abertura recusasse o cargo, o cargo seria ocupado por alguém que não desejaria a abertura. E eu, então, combinei com o Paulo Egídio de ficar um ano e, se houvesse abertura eu continuaria, se não houvesse, eu sairia. E, surpreendentemente, deu para fazer muita coisa naquele ano. Quando você está em um cargo público, sabe dizer não e planeja coisas pela importância que elas têm em si mesmas e não para se promover, ou não usar o cargo como degrau para progresso na carreira política. Eu tive para mim que foi uma experiência muito interessante. Mas quando houve o episódio Herzog – eu estava nos Estados Unidos e telefonei para o Paulo Egídio dizendo que ia voltar e só consegui passagem na terça-feira, e eu soube da morte no domingo – eu queria levar a cabo a carta de demissão. Quando fui vê-lo, ele me disse: “você está liberado porque esse é o nosso acordo, mas se você sair agora você vai enfraquecer a resistência ao grupo radical do exército que pegou o Herzog. Ele vai pegar você para me pegar e me pegaria para pegar o presidente. Então você resolve. Você pode sair porque é combinação, mas se você ficar eu não posso garantir nada, amanhã podemos estar todos na rua, ou presos”. E aí eu achei que tinha que permanecer por mais um tempo, mas já tendo resolvido deixar na primeira oportunidade. Tempos depois, o Paulo Egídio quis transferir a secretaria para secretaria de governo. E aí eu usei isso como pretexto para deixar o posto. E não me arrependo nem de ter aceitado, muito menos de ter saído.

Normalmente a gente tem a ilusão que vai poder ler muitos mais livros do que a gente consegue. Agora, a convivência com livros é muito agradável e quase que independente da leitura. A gente passa e os livros ficam, de modo que outros lerão os livros que eu não li.

Eu não encontro explicação para o fenômeno Paulo Coelho. Eu considero que ele está para a literatura como o bispo Edir Macedo está para a religião. Li O alquimista porque não concordo com a maneira de falar do Oswald de Andrade [(1890-1954) poeta e ensaísta brasileiro, um dos escritores mais atuantes no movimento modernista brasileiro, "não li e não gostei". Eu li para poder dizer que não gostei, ou com muita surpresa para ter que dizer que gostei, o que não foi o caso. Agora, é um fenômeno inexplicável e a fama é mundial. Dizem que os tradutores são melhores do que ele, mas isso talvez seja maldade.

Eu divido as leituras em duas categorias, as leituras profissionais e as leituras de deleite, de prazer. Neste campo de leitura, onde provavelmente existem muitos autores que eu não li eu não me lembro de nenhum que eu  tenha lido sem prazer.

O primeiro livro antigo que eu tive em mãos foi em um sebo, quando eu tinha 13 anos, uma edição portuguesa do Discurso sobre a história universal, numa tradução portuguesa publicada em Coimbra em 1740. Naquele tempo eu não tinha familiaridade com o livro antigo, eu fiquei fascinado pela data e depois aprendi que a data tem uma importância muito relativa. Há muito livro moderno mais importante do que um livro do século XVI ou XVII, mas esse foi o primeiro que eu conservo até hoje.

O que deu mais trabalho foi a primeira edição de O Guarani [do escritor José de Alencar] de 1857, de que se conheciam apenas dois exemplares. E eu soube de um terceiro que foi oferecido aos colecionadores do Rio por um grego, mais mercador de livros do que colecionador, e os cariocas não tiveram coragem de comprar apesar de não estar pedindo uma exorbitância. Quando eu soube disso eu fui procurar o grego mais ele já tinha partido para a Europa. E eu fiquei atrás desse livro, uma vez encontrei a primeira e segunda parte, das quatro partes do livro, num sebo em Santiago. Comprei, mas não era satisfatório. Noutra vez, eu vi em um catálogo de um leilão em Londres um exemplar estimado em um preço ridículo, mas em leilão isso não quer dizer nada, e eu mandei um telegrama para um livreiro amigo dizendo que queria que comprasse o livro. Depois, na compreensível impaciência, telefonei para ele perguntando quanto o livro atingiria no leilão. E ele me disse: “eu acho que umas vinte libras”. Eu digo: “você está enganado, se houver brasileiro no leilão, o preço será bem mais alto. Em todo caso, eu quero que compre de qualquer maneira”. No dia do leilão, telefonei para saber por quanto ele tinha comprado e ele disse: “olha, não comprei porque quando o livro chegou a sessenta libras eu achei que você podia ficar aborrecido”. E eu disse: “aborrecido eu estou agora”. Mas, enfim, não há o que fazer. Soube depois que, na realidade, não tinha sido vendido. Era do grego e como não teve comprador oferecendo mais do que sessenta libras, ele retirou o livro do leilão. Passam-se alguns anos, e eu fui convidado para um leilão de livros raros de uma biblioteca muito boa de um colecionador francês que morava no Rio. E tive a sorte de ser convidado pela Air France [companhia aérea francesa] para um vôo non stop de Bueno Aires para Paris, o vôo inaugural. Então, eu fui levado para Buenos Aires, levado para Paris, e lá encontrei o dono da livraria Cosmos, dizendo que tinha uma surpresa para mim, que o grego estava em Paris e O guarani estava com ele para evitar possível negócio do grego com outra pessoa. E aí foi uma epopéia a discussão com o grego, mas acabei comprando e fiquei praticamente com o livro no colo durante toda a estadia e, na volta, o livro sempre comigo, pus na pasta e naquele tempo, se trocava de avião no Rio para São Paulo. Eu dormi durante a viagem e quando eu abro a pasta no avião do Rio para São Paulo, o livro tinha sumido. Eu provavelmente abri a pasta dormindo e o livro escorregou. Eu cheguei em casa e perguntei para minha mulher se ela poderia imaginar que livro que eu tinha comprado em Paris. E ela não podia saber e eu disse que era O guarani. E ela: “Não diga, que coisa boa”. E eu digo: “É, mas já perdi”. E tinha que me resignar, mas eu deixei marcado o lugar aonde eu estava, e três ou quatro dias depois a Air France me telefona dizendo que o livro tinha sido encontrado. Eu acho que esse foi o que mais causou emoção e dificuldade.

A íntegra transcrita dessa entrevista está no site e no portal do Roda Viva. www.tvcultura.com.br/rodaviva. Vale conferir.

Paulo Markun

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