Publico.org, Moitará e o futuro das coisas
Faz já algum tempo que não escrevo nesse blog, a vida tem andado bastante agitada… com uma porção deidéias e projetos finalmente tomando forma. A equipe na Nunklaki, minha empresa que pretende suprir o gap que existe entre os departamentos de TI e Comunicação criando e usando ferramentas na rede para promover transformação social (e que ainda não tem site) esta consolidada e produzindo loucamente.
Um desses projetos é o Publico.org um sonho conjunto de várias pessoas que admiro e que nasceu lá atrás com uma resposta a falência do processo democrático e da comunicação pública no país. A idéia era relativamente simples, através de uma plataforma de colaboração e articulação das redes queríamos desenvolver uma comunicação efetivamente pública e com isso montar uma cobertura das eleições que transcenderia os políticos e os partidos e seria focado efetivamente nos problemas da cidade.
Não posso deixar de pensar que se esse projeto tivesse vingado… a cena política talvez fosse outra. E, no caso, não é ingenuidade… mas uma esperança secreta de que seja realmente possível levar o debate político de volta para as ruas. Quem sabe ai as campanhas fossem de fato construídas sobre idéias ao invés de mero exibicionismo de ‘o meu é maior que o seu’, ‘tamanho não é documento’ e por ai vai… derivando analogias de sexo até chegar onde chegou… uma sexóloga colocando como questão política a sexualidade alheia.
Enfim, fato consumado é que não conseguimos articular o projeto a tempo. Ou pelo menos de viabilizar oprojeto a tempo. Mas o original ainda pode ser consultado aqui: Publico.Org - Projeto Original.
Mas um grupo impar estava formado e já tínhamos passado pela parte mais complicada que era aceitar e acertar as divergências e encontrado um caminho do meio. Depois de um call to arms, regado a pizza e vinho na casa do Rodrigo Savazoni resolvemos que daquele angu saia caroço, ou enfim, alguma coisa assim e passamos a nos reunir quase religiosamente as quintas-feiras para dominar o mundo, uma Dudinka por vez.
- Rodrigo Savazoni
- Editor de Novos Produtos na área de Conteúdo Digital de O Estado de S. Paulo e ex-Editor Chefe da agência pública de notícias Agência Brasil
- André Deak
- Editor Multimídia da Agência Brasil e Coordenador de Comunicação da CPFL Cultura
- Pedro Markun
- Editor do Jornal de Debates e Consultor em Mídias Sociais
- Paulo Fehlauer
- Criador do Coletivo Multimídia Garapa.org, que realiza trabalhos para a Folha de S. Paulo e MTV
- Ceila Santos
- Organiza NewsCamp-SP e criadora da rede social Desabafo de Mãe. Também atua como freelancer para diferentes veículos com ênfase em Telecomunicações, internet e TI
- Caru Schwingel
- Doutora em Ciberjornalismo e mestre em Cibercultura pelo GJOL eCiberpesquisa do PósCom-UFBA. Jornalista (Fabico/UFRGS), empresária, arquiteta da informação, trabalha desde 1995 desenvolvendo produtos e serviços para a internet. Especialista no desenvolvimento de plataformas web para a produção de jornalismo. Pesquisadora associada ao GJOL, ativista do Projeto Software Livre-BA. Consultora e instrutora do SEBRAE-BA.
- Francesco Cardi
- Especialista em consultoria e desenvolvimento de projetos na área de internet e tecnologia com experiência internacional
E no Amigo Gianotti, um boteco pra lá de simpático (que não serve cachaça, mas tem Foccacias incríveis) foi que surgiu a idéia do Moitará, coração recém transplantado para o Publico.
Como aplicar os princípios da economia solidária em processos e bens intangíveis? Ou ainda mais especifico, como trazer esse modelo econômico para o processo de newsmaking e criar um modelo sustentável para o trabalho colaborativo? Existem mais pistas que respostas… mas já da para sentir que tem alguma coisa ai. Nesse momento em que o mundo vive uma crise econômica sem precedentes é interessante poder pensar novas formas de valoração de trabalho ou de uma própria revisão das idéia de trabalho e valor. E claro, jornalismo.
Para isso construímos ao longo das últimas semanas um projeto que submetemos ao Knight News Challengeum concurso proposto pela Knight Foundation que financia $5mi em projetos inovadores de comunicação. Os projetos agora estão em fase de avaliação e por isso peço que aqueles que se interessarem, que votem e comentem no projeto.
E de uma forma ou de outra, esse tema e essa possibilidade tem permeado muito do meu pensamento-lateral… então fiquem a vontade para comentar ou me provocar pelo twitter ou quaisquer dos outros membros do #publico :)







Caro Pedrinho, vc tem a capacidade de fazer a gente reviver tudo. Um belo filme, aliás! que detalhe: nem começou, mas que promete muitooooooooo. pra mim, então, é um encontro de aprendizado, de possibilidades, de esperança, de ideologia, político e cidadão. É um prazer imenso fazer parte disso e espero em breve ver o moitará bombando nas redes…
bjkas
Publiquei um comentário no publico.org.br no post que fala do concurso que está inscrito e está aguardando moderação, por favor vejam lá, gostaria de colaborar com a iniciativa.
Obrigado
Belo post, Pedro. Eu nao sou tao critico como vc em relacao ao passado proximo do Brasil no que se refere democracia e politica (”a falência do processo democrático e da comunicação pública no país.”). Sempre achei e continuo a achar meio milagre que um pais como o Brasil, com uma fatia enorme da populacao semi-analfabeta, consiga manterse uma democracia. Tem algo bom ai no Brasil por baixo de tanta miseria educacional. Atitude, espirito positivo, sentido da coletividade… nao sei. Mas se a Italia, com toda a sua cultura e educacao de base, continua a ser uma democracia em peligro, o Brasil esta fazendo bem, nao e’?
Belo post Pedro!