Jornalismo Hiperlocal - Globo lança Bairros.com
A página será um portal onde cada região do Grande Rio terá um blog
próprio, abastecido pelos repórteres dos Jornais de Bairros com o
auxílio - cada vez mais imprescindível - dos próprios leitores. Além de
notas em tempo real, apuradas na rua e enviadas para o site via celular,
o site contará com conteúdo enviado pelos leitores através do
Eu-Repórter , a ferramenta de jornalismo participativo do Globo na
internet. No ambiente do Bairros.com, o internauta poderá, além de
comentar os textos, mandar notícias da sua comunidade em texto, foto ou
vídeo, escrever artigos, responder pesquisas e participar de fóruns.de O Globo Online
Opa! Pausa rápida nos trabalhos regulares para comentar essa notícia… primeiro, óbvio, uma crítica-relampago. Porque merda resolveram usar ‘.com’ no nome do produto? A ação lógica é tentar www.bairros.com que te retorna uma dessas páginas de parking-space que, agora, vão querer uma bela grana para liberar.
Dito isso, o projeto é muito interessante. Claro que tudo vai depender de como os cidadãos repórteres vão se apropriar da ferramenta. Ainda assim a iniciativa traz algumas características dignas de nota:
Hiperlocalidade
Eu sempre fui fã da idéia de jornalismo hiperlocal e inclusive tendo a acreditar que é uma das únicas maneiras de sustentar o jornalismo colaborativo. Isso porque toda comunidade na rede precisa ter um eixo, seja geografico, seja cultural. Iniciativas de jornalismo colaborativo ‘genérico’ tendem a cair num oba-oba de notícias vazias. Muito embora, como cv notou, o Bairros.com esteja longe de ser ‘hiperlocal’… ainda daria um desconto se fossem realmente Bairros, mas Zonas? Esta mais para ’suficientemente local’.
Histórico
Vale lembrar que a divisão geográfica proposta não é a toa. Ela segue o mesmo traçado usado pelos (excelentes) suplementos de bairro que já saem na versão impressa do O Globo. Esse gancho com uma publicação já com tradição ajuda a referenciar o comportamento e a produção dos colaboradores. Note que o diferencial aqui é mesmo a introdução do elemento colaborativo.
Simplicidade
Cada zona da cidade é um blog, em cada blog os repórteres dos Jornais de Bairro atuam como produtores de conteúdo juntamente com os leitores/colaboradores que podem enviar conteúdo para a sessão ‘Eu Reporter’. As implicações de abandonar o formato portal e deixar questões como hiearquização, editoração e diagramação em segundo plano ainda não são claras. Estou discutindo isso em pvt com a Aninha e quem sabe, mais tarde, volto com updates.
Colaboração
Por fim, talvez o que tenha me chamado mais atenção no projeto todo. O portal recém estreou e é justo dizer que quase todo o (excelente) conteúdo foi produzido pelos jornalistas responsáveis do O Globo… vale notar que os reporteres não tem permissão para reproduzir conteúdo dos Jornais de Bairro nesse espaço e que todo conteúdo deve ser exclusivo.
Se isso cria uma ilusão momentanea de que a grama desse lado vai ser sempre verde, algo que fatalmente se provara errado à medida que mais e mais usuários com interesses diversos começarem a colaborar para o site, temos ai um notório trabalho de ‘Facilitador’. Ao escreverem esses textos os jornalistas não estão só produzindo conteúdo para o site, como estão também orientando a produção dos cidadãos repórteres que vão pensar duas vezes antes de postar a caminhada matinal da Gretchen.
Como se isso não bastasse eles criaram uma seção no site, Opinião, que inverte a lógica livre das publicações colaborativas e cria um foco bem específico trazendo questões pertinentes as comunidades. De todas as apostas acho que essa tem o maior potencial como ferramenta evangelizadora. Aos poucos os temas propostos vão gerar um condicionamento natural para um determinado tipo de informação. Esta semana ‘No seu bairro há prédios históricos pichados? Conte-nos‘ ainda não recebeu nenhuma resposta só recebeu uma resposta, mas o produto foi lançado ontem. É esperar para ver.
Bom, nem tudo é perfeito e o site ainda tem uma série de problemas. Algumas inconsistências de layout, falta clareza sobre quais são os critérios reais de seleção a publicação, um cadastro monstruoso que inibe a participação e sobretudo faltam ferramentas para que a comunidade realmente estabeleça vínculos digitais - é impossível localizar as notícias de um determinado autor ou entrar em contato com ele… Todo caso… creio que temos ai uma proposta muito mais robusta do que o que andavamos vendo por ai, vou acompanhar com atenção e torcer para que surja algo aqui em Sampa, para que eu possa me aventurar reportando as surrealidades que acontecem no centro dessa metrópole.
Confira aqui o Bairros.com







Meu caro Pedro, os espaços comunitários abertos para buscar a participação popular são fundamentais para estimular os cidadãos para que usem democraticamente os espaços em uma concessão que na verdade é seu. Ele não sabe e não é informado, a Globo e outras empresas de comunicação não estão fazendo mais que sua obrigação como detentor de concessão pública. São espaços para que a voz do cidadão e das comunidades possa alcançar maior visibilidade. A população precisa ter consciência da importância e saber utilizar esse novos veículos em seu benefício. Forte abraço.
legal, mas o que alguém vai contar sobre um prédio pichado?
Cláudia,
talvez contar sobre o prédio e sua fachada histórica, ou defender que na verdade não é pichação, é arte de uma galera que não tem onde se expressar, ou falar sobre as doações para instituições de caridade que alguns comerciantes fazem e colocam placas pedindo para não serem pichados… enfim… são tantas coisas possíveis, tantos olhares diferentes…
Talvez esse seja o grande trunfo do jornalismo colaborativo/cidadão. As falas são infinitas. Mas claro, também, pode-se não ter nada a dizer sobre o assunto… e ai a gente (colaborativamente) fecha a pauta e vai buscar outro assunto
Ó que bosta, você precisa se cadastrar por lá antes de comentar.
Seria isso um filtro útil ou pura miopia?
Fala Valadares,
essa questão do cadastro é sempre um ponto polêmico, não? Já militei pelos dois lados da questão e hoje estou tentando o velho caminho budista do meio. Não vejo grandes diferenças entre comentário e conteúdo em um site colaborativo, então, acredito que se você precisa de cadastro para um… porque não para o outro? No caso do Globo, não acho que o problema seja a existência de cadastro… mas o fato dele ser extremamente longo e burocrático.
nome, email e bingo! O cara já esta registrado e identificado de alguma forma. Se e quando ele quiser participar mais ativamente da comunidade, ai sim você começa o tradicional inquérito…
aplaudir a midia corporativa correrndo atras do prejuizo?
aplaudir o jornal de classe media mais conservador do pais.
lugar de legitimacao dos exterminios nas favelas.
essa vanguarda de blogueiros do pais… aiaiai
vou te contar….
cada um que me aparece.
Steve,
acho que vale sim aplaudir a tentativa do ‘jornal de classe média mais conservador do pais’ e da ‘midia corporativa’ de buscar uma democratização maior no seu processo de comunicação. Ainda estamos longe do ideal… mas é um passo para reverter esse quadro e essa legitimação, não?
Vou na linha do Carlos Augusto Rosa. Não é mais do que obrigação, claro. O lance é aproveitar o (pouco) que esta sendo feito e usar essas novas possibilidades para o beneficio coletivo.
abs,
Pedro Markun