Do jabaculê, Safari Urbano e outras estórias curtas
Aconteceu ontem em São Paulo um Safari Urbano. A idéia é genial. Proporcionar uma experiência inusitada para um grupo de urbanóides – como diria meu pai – e muni-los de um LG Viewty KE990 um novo celular que, pelo que eu pude perceber, vai finalmente ser um concorrente decente para as funcionalidades de foto e vídeo do N95. A acão de marketing foi promovida pela OneDigital/Dudinka com assessoria da Blog Content
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– ou seja, eu vi coisas legais na ação, minhas críticas não são só rabugisse e adoraria ganhar um LG desses da mãe, da namorada ou do tio.
Sensacional. É a faca e o queijo, não? Experimentar todo o poder de um aparelho que é mais camera/celular do que celular/camera vamos passear de helicóptero, em um jogo do São Paulo e no final ainda rola o famoso bar Brahma, tudo por conta da LG.
Até ai tudo bem… mas ai vem aquele velho papo de lobo:
– Ei vovó, mas que celular chique! Por que você vai me dar de presente?
– É para você testar melhor, minha netinha.
E ai, cráu. Cantarola-se ‘ Lobo canta… Pede, promete tudo, até amor’
Não é #blogpurismo. É talvez só #purismo. Entre uma empresa dar lembrancinhas simpáticas e dar um celular de mais de mil reais de presente existe uma bela diferença e – olha – que em muitos casos eu concordo que a linha seja tênue.
Acho que a ação se sustentava sozinha, sem precisar desse golpe de misericórdia. Só isso.
E reitero o que disse no twitter:
tem gente que acha isso legal. eu não acho.
ps: para quem caiu de paraquedas e não sabe do que estou falando, vale ler o SimViral e a discussão no twitter.







Eu acho a idéia de degustação muito válida e o valor do produto a ser degustado não entra em questão. Pode ser um livro a ser resenhado, uma câmera celular ou um vinho chileno para o crítico gastronômico.
O jabá aí no meio é a pompa e circunstância, que não passa de um truque barato. Massagem boba de ego alterando a experiência do produto. Ou todo mundo que comprar o LG vai ganhar viagem de helicóptero? Acredito na relação neutra entre o fornecedor e o formador de opinião, seja ele qual for. Se a marca tem que babar o ovo de alguém que seja de todos os consumidores, qualquer coisa além disso é alimentar um circuito bem pobre de estrelas vazias.
A outra bobagem aí no meio é a mistureba panelosférica dos formadores de opinião. Poucos ali tem real conteúdo para avaliar o produto enquanto gadget ou experiência fotográfica. A maior parte é só uma brincadeira de mau gosto, um pastiche macaqueado da mass mídia criticada pro eles mesmo. Uma caricatura bem pouco engraçada na verdade.
Mas é isso, meu caro. Na hora do ganha ganha praticado diariamente em todas as esferas políticas desse país, todo mundo é inquisidor gritando BRUXA e chamando para si a santidade. No fim, a verdade está no Guitar Hero numa de suas frases de loading: “todas as gravadoras são monstros corporativos sem alma, menos aquela que te contrata”.
e sua opinião sobre nepotismo ?
acho absurdo qualquer tipo de favoritismo.
Concordo de fato com você markun. Porem convenhamos que o que seria de um produto sem seu marketing?
Engraçado como perdi meu celular semana passada eu estive em algumas revendedoras ate conseguir recuperar meu numero e essa burocracia toda, e adivinhe? em todas elas o estoque de N95 ja haviam se esgotado e em uma delas ja havia lista de espera. Há realmente quem pense que foi lancado recentemente, porem assim como voce desde julho do ano passado ja o utilizei em algumas ocasioes e por que ate entao ele nao era ambiçao infanto-juvenal, e muito mais recentemente talvez semana passada eu vi em alguma novela e em comerciais de televisao. Quer formadores de opniao maiores que a novela da tv globo em horario nobre?
Acho a degustaçao do Produto essencial para que se crie uma concorrencia significativa, uma vez que formadores de opniao como voce e tantos outros passarem a falar usar e mostrar tais aparelhos as massas que os seguem comecaram entao a ansiar por te-los.
A propaganda boca a boca (blog a blog) ainda é e talvez sempre será um dos melhores links entre produto e consumidor
abraços
JC
Fiquei lendo o streaming dessa ação ontem pelo Twitter e ainda não consegui digerir tudo. Vou ruminar mais e depois dar minha opinião. Por enquanto só vou observar as reações à tua pimenta. 1abs
Acho que as reações estão over. É jabá? Claro que é. Mas foi uma ação superbem feita, bem planejada, gerou um buzz gigante – portanto, bem-sucedida.
Não acredito (mesmo) que afete a credibilidade. Objetividade, nestas horas, é fundamental. Até porque a média dos 10 milhões de leitores de blogs tem QI de ostra e não lê com calma e atenção o que a gente escreve…
Quer a prova?
leia os comentários deste aqui: http://www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte/2007/02/amazonia-para-sempre.html
uai, leitor com QI de ostra só agrava a questão.
“lendo sobre o #safariurbano sinceramente? levou a idéia de jaba para um nivel nunca antes presenciado na web.”
O nível que já ocorre hoje em dia na mídia impressa? Com, pra ficar no exemplo mais escancarado, cadernos de turismo com repórteres indo a destinos a convite de companhias aéreas e/ou agências de turismo?
Just to know…
por ai. chato, não sei de onde vem essa mania?
sabe aquela frase ‘a melhor defesa é o ataque’? Não é verdade.
O fato de isso acontecer na mídia tradicional só agrava o fato. Estamos diante de uma nova construção social… precisamos replicar sempre os maus hábitos?
Nada pessoal, Markun
É que o doubletalk anda grassando tanto no Brasil de uns tempos pra cá que meu desconfiômetro ligou logo.
Cara Markun,
seu Blog, dentre os que “fuçei” sobre a ação, foi onde me senti mais a vontade para colocar minha opinião. Talvez, medo de ser mal compreendido e gerar possíveis rótulos não legais para o momento. Mas, enfim, se vou falar aquí, já dei espaço para assimilações subjetivas. Não dá para fugir disto. Minha visão é:
1. Considero legal pessoas estarem tendo esta oportunidade. Entendo que isto também é fruto do trabalho e dedicação de várias pessoas que estou aprendendo a respeitar por sua coragem e pioneirismo, entre outras coisas. Neste ponto, parabéns para os idealizadores e realizadores do evento. É claro que dá uma baita vontade de ter estado lá também!!!!!
2. Minha preocupação é com os limites e conseqüencias do poder corporativo. E isto não tem nada a ver com teorias da conspiração. O documentário “The Corporation” é um bom “produto” para compreender como a atividade corporativa se relaciona com o consumidor, trabalhando inclusive com o inconsciente de crianças, pessoas com a personalidade ainda em formação, em favor de seus objetivos.
3. O mais complicado ainda é que, convivendo com pessoas com relativo bom nível de educação formal, podemos perceber que passa à margem das preocupações da maioria as noções de poder corporativo. Como se o que se manifesta o nosso redor fosse algo inevitável, característica imanente do mundo “moderno”. Aqueles que veêm problemas geralmente são consumidores insatisfeitos, como o caso do Ian-Danoninho. Mas nem todo consumidor insatisfeito tem o poder de comunicação que o Ian tem hoje, não é verdade?!! E se tiver, por quanto tempo a corporação vai insistir no erro de mantê-lo insatisfeito?
4. Por isso e muito mais do que sei e não sei, ações como esta devem continuar fazendo sucesso. Quando não for mais com esta roupagem, que se troque a imagem e se venda a imagem mais adequada para a situação. Não acho que se deva lutar contra isso. Pelo contrário, muitos de nós só comem porque estas ações existem.
5. A torcida é para que outras ações em algum momento possam ser tão ou mais poderosas que esta. Mas com objetivos diferentes: gestão satisfatória e sustentável de problemas sociais. Será que dá?
estou nessa torcida com você, Orlando =)
alias… não é nem só torcer, né? é (tentar) fazer.
Pedro, você sabe que eu sou tão contra post pago quanto você, mas nesse caso não vejo tanto problema, por uma razão muito simples: blogueiro NÃO é jornalista (ao menos, não necessariamente) e portanto não está submetido ao mesmo código de ética. Se quiserem aceitar um celular na LG, problema deles.
Acho que até poderá ser considerado post pago se não informarem que a LG foi quem bancou tudo. Mas aí estarão minando a própria credibilidade que, no fim das contas, é o que garante esses jabaculês.
Träsel,
blogueiro é comunicador. O código de ética talvez não seja o mesmo do jornalismo e com toda certeza não é um único, mas deve(ria) existir. E como toda questão ética, o problema é sempre individual mas a discussão é coletiva.
Evidentemente, contra a discussão eu não sou, tanto que estou participando aqui.
Sou contrário à idéia de código de ética para blogueiros. Entendo que os blogs são uma extensão da identidade da pessoa na Web e, portanto, devem seguir os princípios éticos de seu autor. Todo o papel e tinta que se gastou escrevendo códigos de ética para o jornalismo não impediu as barbaridades que ouvimos por aí quase toda semana. Acho um esforço fútil.
Sou muito mais de tentar convencer os blogueiros de que, ao aceitarem pagamento por posts ou não avisarem que ganharam um celular da LG de presente, por exemplo, estão corroendo seu principal recurso, que é a credibilidade. Ou não. Mas eu não estaria disposto a arriscar minha reputação por um celular.
Em todo caso, prefiro deixar que os leitores condenem os blogueiros mercenários a seu merecido ostracismo. Ou não.
O código de ética ao qual me refiro não é em hipótese alguma escrito! Deus me livre! É, como de costume, um acordo não verbal de boas práticas e tem todas as nuancias e interpretações do mesmo.
Essa sua não-disposição de arriscar sua reputação esta ligado diretamente a uma ‘consciência jornalistica’, metier onde a credibilidade é moeda de cambio e valoriza o passe.
Falar em convencer blogueiros disso ou daquilo é, no fundo, propor esse tipo de discussão. Colocando em jogo práticas e atitudes e seus diversos outcomes para que cada um decida o que é melhor, não?
E por fim, concordo que o trabalho último cabe ao(s) leitor(es). Mas em certa medida isso vale para todas as outras mídias, que nem por isso deixam de ter suas ovelhas negras… e por outro lado, estou aqui como comunicador e leitor, mas também como agente de aproximação entre empresas/instituições e essa dita mídia social… e nesse caso me importa o comportamento quase barbaro de uns e outros que correm, saqueiam e pilham para depois deixar só as ruinas.
Alias, para não gerar desentendimentos, a referência aos barbaros não é provocação direta para nenhum dos envolvidos na ação da LG ou pessoas presentes nesse debate. A questão aqui é (ainda bem) um mero desentendimento civilizado e discutivel sobre práticas nessa mídia ainda verde.
Pedro, você resvalou num ponto importante, que é a credibilidade. Reputação é algo que dá muito trabalho para construir e manter, mas, com um delize, tudo se põe a perder. Na política, no jornalismo, na ética, na cidadania e, claro, na Internet.
Ao participar da ação de marketing (nem me refiro a aceitar o jabaculê, por enquanto), o blogueiro –conheço pessoalmente todos, menos um, dos participantes–, no papel de comunicador, deixa seu poder de replicação e influência ser posto em dúvida, mesmo que por um pequeno instante, dada sua associação a uma ação de merchandising.
Quanto ao presente, em si, gosto da visão do Márcio Gaspar nos comentários do blog da Ana — http://www.anacarmen.com/blog/2008/04/07/jabacule-or-not-jabacule/ — ao entender que isso faz parte da relação entre empresa e imprensa (e como lembra a Mari-Jô, há séculos) e que o acordo é de entrar na pauta, não de falar bem. A omissão da relação é que seria grave. Não foi, definitivamente, o caso.
“Entre uma empresa dar lembrancinhas simpáticas e dar um celular de mais de mil reais de presente existe uma bela diferença e – olha – que em muitos casos eu concordo que a linha seja tênue.”
Qual o custo de uma empresa que fabrica e vende celulares presentear alguns sortudos? Pode crer que não é o preço que vemos nas lojas, onde são adicionados lucros e custos de operação. Isso poderia ter sido levado em consideração. A mesma coisa se a Kibon desse sorvetes, a H Stern desse anéis de ouro e por ai vai. Toda operação tem um “gasto” (que podemos chamar de investimento) em marketing, e certamente esses custos são absolvidos sem maiores ônus. Ou vai dizer que alguma empresa daria tamanho tiro no pé?
falo aqui de valor percebido, Rafael.
e não do custo disso para a empresa que com certeza é (sempre) levado em consideração.
Quando a Sony lançar sua nova câmera filmadora HDTV, tomara que chame uns blogueiros para testá-la e os leve para um estúdio gravações em Hollywood. Nem vai estar comprando a opinião de ninguém… [ironia off]
Oi, Pedro. Nos conhecemos no aniversário do André, semana passada. Como você e ele comentaram sobre esse texto, procurei vir aqui ler e lamento profundamente não ter sentado mais próximo de ti e ter conversado sobre isso.
Lamento igualmente a falta de argumento que faz com que algumas pessoas acabem desviando o foco do debate inicial.
Você fala em ética e dia desses ouvi a frase que resume tudo: não devemos falar em ética no jornalismo, ética nos blogs. Ética é um conceito absoluto que tem que estar presente em todas as nossas ações, mesmo as mais aparentemente mínimas.
Um abraço e fica pra próxima nosso bate papo.
otimo post!!!