Conversas furtadas
de Tono-Bungay
Ainda bem que ela não fez isto. Eu me vi envolvido numa conversa com uma distinta senhora, a vizinha do meu lado, uma mulher baixinha de ar tristonho, aparência lânguida e voz suave; nosso tema preferido foram cães e gatos.
- Eu sempre sinto – disse a melancólica senhora – que existe alguma coisa no cão. No gato, não.
- Isso mesmo – estava eu admitindo com grande entusiasmo -, existe alguma coisa, sim. E além disso…
- Oh! Eu sei que há também qualquer coisa no gato. Mas não é igual.
- Não exatamente igual – admiti – ; no entanto, sempre é alguma coisa.
- Ah! Mas uma coisa tão diferente!
- Mais sinuosa.
- Muito mais.
- Sempre bem mais.
- A diferença toda está ai, você não acha?
- Sim – respondi -, toda.
Ela me olhou com o rosto sério e falou, suspirando profundamente: – Sim.
Caiu um silêncio profundo.







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