Cobertura de eventos e encontro na Editora Globo

Hoje pela manhã estive com uma intrépida trupe falando para um grupo de editores e redatores de revistas da Editora Globo. O evento foi bastante tranquilo e bem descontraído, ainda que um pouco vago. É sempre bom ver esses movimentos acontecendo ; e a roda da convergência sendo puxada ‘do lado de lá’, que no final é cá também..

Fiquei gratamente surpreso com o interesse dos jornalistas e com a qualidade das perguntas. Sei que não deveria ficar surpreso já que, como disse o Manoel Fernandes, o ofício do jornalista é perguntar… mas perdi a conta de de quantas e quantas vezes tentei engajar uma conversa do gênero e simplesmente não emplacou. É a resistência tola e boba de dois lados que são um só.

A equipe do Manoel ensaiou uma ‘blogagem ao vivo‘ que se, por um lado, foi interessante do ponto de vista didático, acabou sendo mal explorado e gerando um resultado um tanto vazio. Me interesso bastante por interações ‘on-off’ em eventos e acho que blogueiros podem criar coberturas dinâmicas e interessantes… mas criar um blog para um único evento de três horas? E onde fica a conversação?

Para não falar de novo na minha menina-dos-olhos, o twitter, digo que poderia ter sido muito melhor aproveitado se tivesse sido convidado um blogueiro *para* cobrir o evento, ou mesmo, disponibilizado uma máquina para que os palestrantes que não estavam na mesa pudessem blogar/twittar/se comunicar.

Isso puxa um assunto que estava aqui parado na minha caixinha de drafts - e desculpem os poucos leitores, tento, mas não consigo imprimir um ritmo decente de publicação nesse blog - que é a idéia do live-blogging e a sua relação com jornalismo e o imediatismo da rede.

Li na Poynter esses dias um artigo muito interessante, sobre a teoria de um jornalista americano chamado Joshua Benton. Benton traça um gráfico que auto-intitulou ‘A Curva Benton do Interesse Jornalístico’, que tentar relacionar o quão é interessante e aprazível uma notícia em função do tempo de produção.

The Benton Curve of Journalistic Interestingness

Em linhas gerais ele diz que o ato do live-blogging, de reportar as coisas de forma imediata, com poucos filtros e com uma linguagem direta e pessoal gera interesse nas pessoa, de forma parecida com as longas e pensadas matérias e do poder narrativo das grandes reportagens ou do jornalismo investigativo. Por outro lado, a reportagem tradicional, escrita de forma superficial e naquele modelo arroz com feijão que invadem hoje as homes dos portais momentos depois de findado o evento, não conseguem despertar o mesmo interesse.

Relembra de belas reportagens testemunhais (eye-witness)  da época do telegrafo que propõe serem exercícios de proto-blogagem!

Com isso busca justificar a idéia de que devemos retomar um ‘jornalismo natural’, em contraposição a um ‘jornalismo processado’ e industrial que se faz hoje nas redações. Particularmente, sempre acho essas conexões com o orgânico, fascinantes.

Ponto interessante e do meu ponto de vista bastante acertivo. E as vésperas de uma Ciranda de Jornalismo e na eminência de um newscamp, com certeza vou levantar essas questões para o coletivo rebater ;)

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3 Comments »

Comment by Leonardo Fontes
2008-03-27 04:10:03

Li o mesmo artigo, dias atrás, e a idéia é linda. Acho que tive a mesma sensação do Peter Clark, só não sei se executável em produção jornalística de redação, talvez cheguemos a isso naturalmente. Ou forçadamente pela concorrência.

Outra percepção que talvez interesse, no entanto anterior ao “jornalismo natural” do Joshua, é q essa época de blogs me lembra muito o jornalismo parisiense de Balzac, onde dezenas de jornais conviviam com idéias e ideais diferentes, sem que houvesse uma real hegemonia, mas em uma pluralidade até meio caótica. Se Balzac tinha razão, “se o jornalismo não existisse seria preciso não inventá-lo”, não sei ainda ao certo, talvez ninguém saiba, mas acredito nos blogs como força de reinvenção dessas narrativas e de reestruturação do jornalismo não para algo mais primitivo, mas para uma evolução em diversidade e livre de formatações asfixiantes.

E desculpa pelo semi-post em forma de comentário. :)

 
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