Cinco coisas (que aprendi) sobre redes sociais
Esta é uma blogagem inédita. A primeira (espero que não seja a última) desse blog.
Vivemos na cultura do remix. Portanto não são, talvez, informações inéditas e – bem possivelmente – não são opiniões inéditas. São coisas que aprendi aqui e ali sobre os desafios de se trabalhar com mídias sociais e sites colaborativos.
-
Foco
Uma rede social precisa de um ponto de foco. Algo que faca as pessoas se aglutinarem. Pode ser um fator geográfico, um interesse comum, objetivos profissionais, uma dúvida, uma mesma experiência, ou a própria descentralização das idéias é preciso encontrar um denominador comum.
- debates
- mobilização
- transformação social
- argumentos
- educação
- comunidade
- política
- opinião
- liberdade
- diversidade
-
Menos é mais
Uma vez entendido qual é essa comunidade, podemos enfim pensar na ferramenta. Essa ferramenta deve ser projetada para responder às necessidades da comunidade. Nem mais, nem menos. Não tente abraçar o mundo todo. Eu sei que parece super dois-ponto-zero que o seu site colaborativo de culinária permita que o usuário customize a pagina inicial para expor noticias do New York Times, tenha previsão do tempo, aceite widgets de sudoku e outras pirotecnias… mas deixe-me te dizer uma coisa. Não é legal.
É um site de culinária. Eu quero ler, escrever e compartilhar receitas. Quero saber sobre tipos de panelas, disposição de talheres, onde comprar os ingredientes na minha cidade e como manter uma pequena horta. Quero conversar com pessoas que compartilham desses interesses.
De coisas a fazer no Jornal de Debates:
- Unificar réplicas e comentário.
É tudo uma conversa só.
- Permitir um perfil personalizado.
As pessoas querem entender com quem estão debatendo e poder ver a linha de raciocínio dessa pessoa.
- Criar um mecanismo de mensagens internas entre usuários
Amigos e inimigos surgem nesses processos de intensa discussão. As pessoas querem um jeito de extrapolar as conversas para fora dos debates.
- Criar diferentes canais.
O interesse pelo debate é ponto comum. Mas são diferentes grupos querendo discutir coisas diferentes. Eu não estou afim da sua discussão sobre Pagode x Funk e você não esta interessado na minha discussão Godzilla x Ultraman, ou Serra x Alckmin.
entre outros…
Esse é o meu desafio: fazer um site que permita que você debata e apresente seus pontos de vistas sobre assuntos do momento. Quando você conseguir entender qual é o seu… tudo vai ficar mais fácil.
- Unificar réplicas e comentário.
-
São pessoas
-
Quantidade não é qualidade
-
Integre-se
Faca um exercício simples. Procure dez palavras que sintetizem a sua comunidade-alvo. Monte uma nuvem com essas tags e deixe isso sempre visível, você precisa acordar e dormir com essas palavras na cabeça. Elas serão a sua linha guia do seu projeto.
Para o Jornal de Debates? Que tal:
Lembre-se porem que aquelas palavras-chaves devem refletir a comunidade e nunca o contrario. As comunidades são orgânicas e se reconfiguram a todo momento. E não adianta, por mais que você explique, crie filtros, regras, procedimentos… os seus usuários vão usar o site da maneira como acharem melhor. A web tem um elemento subversivo que não deve, nem pode ser ignorado.
Seu site de culinária virou um social bookmarker? O Fórum virou classificados? As pessoas estão usando o Jornal de Debates como blog, escrevem o primeiro parágrafo sobre o assunto certo e depois resolvem falar daquilo que realmente estavam afim. Ninguém escapa.
Digo uma coisa: Maravilha! As pessoas estão interagindo, cacete. O que mais você quer? O seu trabalho agora é achar um jeito de usar essa energia a seu favor. Porque você não cria uma seção só para agregar links externos? Ou uma seção de classificados? Ou permite que cada usuário tenha seu blog e consiga vincular os posts com os debates quando der na telha?
‘ah, mas isso vai descaracterizar o site’
Vou te dar uma notícia triste. Se você trabalha com mídia social, o site não é teu, é deles. Então ou você mete o pé na porta e manda todo mundo pra rua ou você aceita que quem manda aqui são eles, seu trabalho é só garantir que eles se sintam em casa.
Rápido e rasteiro?
Um dos melhores exemplos disso pra mim é o Open Thread do Pedro Dória.
Eu sei. Vivemos na tirania do banner, pedimos esmolas na praça do AdSense, queremos leitores com apelidos de tempero para clicar nos em botões coloridos e nos fazer ricos.
Ainda assim, quantidade de visitas não quer dizer nada em um site colaborativo. É preciso sempre e acima de tudo buscar e incentivar a participação Na sua comunidade é que esta a sua força e o seu
potencial. Esses caras são o seu negócio. O site onde você pendura o banner é mera interface.
O Jornal de Debates tem hoje mais de 10 mil cadastros. Desses, só 2000 escreveram mais de um texto e existem 100 que representam quase 25% dos textos do site. É preciso trabalhar com carinho com esses números Esses 100 parecem pouco à primeira vista, mas são uma tropa de elite com provavelmente muito mais engajamento e tesão pelo projeto do que eu ou você. E volto a dizer, o projeto é deles, feito por eles e para eles. E se tenho algum mérito, foi só o de articular esse espaço para que essas pessoas pudessem se encontrar.
Então, enfim, você já disparou todos os rojões e fogos de artifício que a web2 proporcionou? Fez barulho, coloriu e colocou caixas com drag nd drop e menus customizáveis? Maravilha, hora de trabalhar sério agora.
Eu poderia fazer um rap-pokemon com nomes de redes sociais. Aliás, eu poderia fazer um jogo sem fim – ‘gotta join them all’.
O que antes era bacana, agora é um saco. Por sorte, não sou o único que esta de saco cheio disso. Estão buscando soluções.
OpenID, Dataportabilty, APIs abertas, OpenSocial, DiSo, lifestream… são todos assuntos que devem estar na agenda de quem quer construir um site social de sucesso. É hoje um dos papos que mais me interessam e devo começar a destrinchar um a um aqui nesse blog. Por hora, basta saber que são todas tentativas (em algum grau) de unificar a web, criar interoperabilidade entre diferentes redes.
Eu disse antes que um bom site social precisa de um foco claro, precisa definir uma comunidade-alvo… mas as pessoas não integram uma única comunidade, não têm (ou não deveriam ter) apenas um único interesse.
Interesses diversos, demandas diversas e sites diversos. Pessoas únicas que gostariam de poder gerenciar essas informações de maneira global.
Gambiarras do tipo ‘importe seus amigos do orkut’ são aceitáveis por enquanto. Mas queremos mais. Queremos integração total! Queremos controle total!
Pense nisso quando for construir o seu site. Aqui no JD estamos pensando e acompanhando, tudo é muito incipiente e ainda não existem soluções definitivas… mas pense que quanto mais integrado você estiver com as redes, maior será a possibilidade de que aqueles que têm interesses afins com os teus e da sua comunidade te encontrem e colaborem.
abs,
Pedro Markun







O primeiro comentário no primeiro post do blog do Markun? É meu! hehehe
Haha, primeiro nested comment é meu então. Vamos ver se esse plugin da conta.
Bem-vindo! Bela postagem pra começar.
Boa sorte, sucesso!
bj
Excelente a sua abordagem! Conheendo vc, sei que pensou em cada palavra que escreveu, todas com muito conhecimento embarcado. Abs.
Ótimo post, gostei!. Pra mim, parece que redes sociais estão sendo bem banalizadas, perdendo foco e demais detalhes.
Beijo
Muito bom! Parabéns pelo post e pelo novo blog!
Se rendeu né?! Hahaha!
Beijão
Visitei aqui, mas não li tudo, embora fosse interessante. Sabe como é… o pouco tempo. Bjo!
Pedro, agora a blogosfera ta quase completa! Seja bem vindo! Abs, Gil Giardelli
Ps: passa no evento e se precisar tenho um vip para vc!
Acho que tens total razão naquele teu comentário. De uma certa forma, eu acho, os blogueiros estão profissionalizando sua atividade, tornando-se mais focados em capital social como reputação. Será culpa do adsense?
))
BTW, bom post sobre redes sociais. Acho que concordo com tudo.
Continuo achando que há semelhanças entre a internet e a corrida do ouro no velho Oeste. Ganhavam dinheiro os vendedores de pás e picaretas (nos dois sentidos), os fabricantes de elixires milagrosos e quem fornecia caroças e cavalos. Ouro mesmo, um ou outro encontrava. Transformar a energia pulsante e anárquica das redes sociais numa mídia sustentável é o problema. Se você deixa ela funcionar livremente, vai viver de brisa. Se tenta domesticar o impulso, dá com os burros n´água.
Agora que tem alguma coisa sendo gestada e que essa coisa vai ser incorporada logo, logo, isso tem.
Parabéns pelo blog e pelo post.
Internet lembra corrida do ouro, certo? E quem ganhou com a outra, do Velho Oeste? Fabricantes de pás, picaretas e rifles; vendedores de elixires miraculosos, comerciantes e fornecedores de cavalos, carroças e uísque.
Continuo achando que falta encontrar quem pague a conta ou um jeito de produzirmos mídia permanente e sustentável sem precisar garantir o leite das crianças.
Mas que nessa tal de mídia social tem coisas que serão logo engolidas pela mídia da mãe, isso tem. ( Mídia da mãe é um termo antigo, vale ver o seu sentido). Parabéns pelo post e pelo blog.
Entendo a analogia, mas penso que talvez ela se aplique a (alguns) internAUTAS e não a Internet, que para mim parece mais com aquela visão mítica de Brasil – aqui, se plantando, tudo dá.
Boa parte dos índios-atuantes das mídias sociais se contentam com espelhos e por vezes, nem isso… e é preciso tomar cuidado para não repetir o erro de quinhentos anos atrás e julgar que isso é desconhecimento do real valor das coisas, quando, na verdade é apenas um novo set de valores colocados em jogo.
Mais do que entender a web (essa da sociedade em rede) como um novo mercado, é preciso percebe-la como um novo plano, uma nova dimensão ou realidade que não é paralela mesmo complementar, é simplesmente ‘um novo’.
O descompasso é tentar adaptar velhas formas de ganhar dinheiro à esse mundo novo, mas o tempo resolve essa… a mídia mãe *já engoliu*, daqui pra frente é briga de anzol para retardar ser engolida.
É um pouco difícil entender a ousadia, a gentileza e o intenso destempero de Pedro Markun, mas com o tempo, a gente acostuma e acaba gostando… A partir de hoje eu leio Pedro Markun como bibliografia base de Social Media. E mais: recomendo.
Conte comigo!
Um abraço;
Patrícia.
Alguma coisa acontece que não consegui comentar na primeira e a originalidade e o sentimento pós-texto se foram… mas enfim, dizia o quanto o Sr. Markun pode ser uma mistura de gentileza, destempero, inteligência e qualquer outra coisa, e também, que não recomendo a ninguém (disse NINGUÉM) tentar entender o que se passa na cabeça desse cara enquanto ele fala.
O parabenizo pelo blog (mais uma vez) e deixo clara e registrada a declaração de que o blog virou minha bibliografia base para atualização em social mídia. Tudo de bom e continue escrevendo com essa clareza e intensidade.
Recomendo!
Um abraço;
Patrícia.