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	<title>Blog dos Markun &#187; textos</title>
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	<description>Le tracce della salvezza nel dramma di vivere</description>
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		<title>Fato novo, transição tranquila [por Paulo Markun]</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 11:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>

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		<description><![CDATA[No início de 2010, o incentivo explícito de funcionários, de parte do Conselho Curador e do governador José Serra fizeram com que eu resolvesse encarar um novo mandato, desde que contasse com o indispensável consenso para o bom funcionamento da instituição.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Mais uma vez, esse texto foi escrito pelo jornalista, escritor e pai Paulo Markun, que me pediu para publicar aqui no meu blog. Esta na hora dele montar um blog, não?]</em></p>
<p>No início de 2010, o incentivo explícito de funcionários, de parte do Conselho Curador e do governador José Serra fizeram com que eu resolvesse encarar um novo mandato, desde que contasse com o indispensável consenso para o bom funcionamento da instituição. Preparei um plano de ação para os próximos três anos, mas durante semanas em que a mídia publicou as mais diversas especulações sobre as eleições, mantive-me calado, pois creio que cabe ao Conselho Curador deliberar sobre o assunto. O nosso estatuto determina que qualquer candidato precisa ter, antes de mais nada, o respaldo de pelo menos oito conselheiros eletivos.  Em minha eleição fui indicado por 18 integrantes e obtive mais 20 votos, entre os quais o do representante dos funcionários.</p>
<p>Na última terça-feira, 19 de abril, deparei-me com um fato novo: a candidatura do secretário João Sayad ao cargo. Como fora ele quem me convidara para o posto, em nome do governador, respondi a meu interlocutor que nada tinha a opinar sobre a decisão inesperada. Recusei a oferta de tornar-me presidente do Conselho Curador e informei que retornaria com alegria ao universo profissional a que sempre pertenci.</p>
<p>Antes de seguir adiante, gostaria de agradecer – e muito – a todos os funcionários e colaboradores pela compreensão e pelo esforço, sem os quais não teríamos realizado qualquer avanço. Sou grato ainda a todo o Conselho Curador, de quem recebi o necessário respaldo nos momentos mais importantes. Estendo gratidão e cumprimentos ao governador José Serra, que me ofereceu algumas condições básicas – todas cumpridas – sem as quais não teria sequer aceitado a tarefa.<br />
Tenho várias razões para estar orgulhoso do que foi feito. O balanço de 2009, auditado pela empresa Boucinhas, Campos &amp; Conti – e aprovado unanimemente pelo Conselho Curador – é a demonstração mais objetiva do nosso trabalho. Acima disso, tenho a alegria de ter consolidado a ideia de que a Fundação é maior que o conjunto de nossas respeitadas emissoras e que sua missão deve utilizar as mídias mais avançadas, como foram o rádio e a TV há quatro décadas. Algumas outras razões para festejar:</p>
<p>1 &#8211; Os 41 milhões de paulistas que nos sustentam têm agora uma instituição com controles mais rigorosos de seu orçamento e com todas as contas em dia;</p>
<p>2 &#8211; Depois de 18 meses de negociação, firmamos um contrato de parceria que norteia as relações entre a instituição e o governo do Estado. Em 2009, primeiro ano de vigência desse acordo inédito, cumprimos a nossa parte, pagando as dívidas, aumentando a receita própria e incrementando a produção independente na programação;</p>
<p>3 &#8211; A Fundação Padre Anchieta opera agora três emissoras digitais abertas. Depois de um embate duro, em que assumimos uma posição ousada, nos tornamos a única emissora pública de sinal aberto a utilizar a multiprogramação, peça chave do modelo brasileiro de digitalização. Nosso segundo canal, a Univesp TV, dá suporte ao mais ambicioso projeto de ampliação da educação superior pública de qualidade – uma parceria do governo de SãoPaulo com as três grandes universidades estaduais paulistas;</p>
<p>4 &#8211; O decreto da ditadura que limitava nossa ação às tele aulas e restringia nosso financiamento aos recursos orçamentários foi superado. Iniciativa nossa, com respaldo do advogado geral da União e do presidente da República, que nos permite veicular dentro da lei qualquer tipo de programação com sentido educacional: programas infantis, jornalismo, música, filmes, entretenimento. A mesma decisão nos dá direito a ter publicidade institucional;</p>
<p>5 &#8211; Com o surgimento da TV Brasil, a TV Cultura assumiu nova posição no plano nacional, equidistante da concorrência e da submissão, oferecendo seus conteúdos sob várias formas, todas com contrapartidas financeiras;</p>
<p>6 &#8211; A rádio Cultura Brasil, que morria lentamente, ressurge na forma do mais importante portal de música brasileira, no ar em 28 de abril. O <em>RadarCultura</em>, seu programa interativo, acaba de ser contemplado com o Prêmio Especial do Júri da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) como o melhor programa de rádio de 2009;</p>
<p>7 &#8211; A rádio Cultura FM, que não veicula comerciais e dedica-se totalmente à música clássica, como era seu projeto original, registrou um aumento de audiência de 20%, de segunda a sexta, na faixa das  7h às 19h, entre janeiro de 2008 e janeiro de 2010. Houve ainda significativo avanço na faixa das 21h às 23h, com a veiculação de obras de grande duração pelo programa Sala de Concerto, que encerrou 2009 com 10 mil ouvintes por minuto, excelente marca para o horário;</p>
<p>8 &#8211; A TV Rá Tim Bum está em quase todas as operadoras e ultrapassa a casa dos 2,5 milhões de assinantes. Seu conteúdo está sendo distribuído pela principal operadora de Portugal e contrato semelhante está em negociação para atender às colônias brasileiras no Japão e em Israel. O único canal infantil a cabo com produção nacional exibiu 11 novas atrações no ano passado. Em 2010, serão 12;</p>
<p>9 &#8211; Nas quase 12 horas diárias dedicadas às crianças, não há, também, qualquer tipo de publicidade. Em 2009, nosso maior sucesso, <em>Cocoricó</em>, teve 39 episódios e 24 clipes musicais gravados em HD. A nova temporada, em que Júlio e seus amigos vão para a cidade, estreou no cinema primeiro, com bom resultado;</p>
<p>10 &#8211; Passamos a utilizar regularmente o cenário virtual e suas possibilidades criativas. O primeiro projeto, <em>Lygia por Lygia</em>, inaugurou a série <em>Autor por Autor</em>, na qual estão sendo produzidos mais 12 programas em parceria com a SescTV. <em>Planeta Terra</em>,<em>Vitrine </em>e <em>Clássicos </em>(agora em horário nobre) também estão sendo gravados com esse recurso;</p>
<p>11 &#8211; O <em>Jornal da Cultura, </em>reformulado com base em pesquisas quantitativas e qualitativas, retoma o viés do jornalismo público;</p>
<p>12 &#8211; Toda a identidade visual da emissora foi renovada. <em>Viola minha Viola</em>, <em>Roda Viva</em>, <em>Metrópolis</em>, <em>Provocações</em> e <em>Cartão Verde</em>, entre outros programas, têm novos cenários;</p>
<p>13 &#8211; A TV Cultura tornou-se a principal parceira da produção independente, que em 2009 alcançou 30% de toda nossa produção. As séries <em>A´Uwe</em>, <em>Ecoprático</em> e <em>Tudo o que é sólido pode derreter</em>estão entre os destaques desse projeto. Somos a emissora aberta de TV que mais incentivou a animação brasileira;</p>
<p>14 &#8211; A educação foi alçada à condição de objetivo estratégico da FPA. Produzimos centenas de vídeos, milhares de pen drives e mais de três milhões de exemplares de livros: 104 títulos feitos sob encomenda de parceiros e clientes, como organismos de governo nos planos municipal, estadual e federal, além de organizações internacionais, como Unesco e Unicef. Os contratos já assinados nessa área para 2010 ultrapassam a casa dos R$ 60 milhões;</p>
<p>15 &#8211; A área de prestação de serviços reavaliou todos os contratos a partir de um denominador comum: só realizamos projetos rentáveis e compatíveis com a grande missão da FPA, que é a de contribuir para o exercício da cidadania. A campanha publicitária do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2009, <em>Vota Brasil</em>, foi desenvolvida graciosamente pela agência W/Brasil e esteve entre os finalistas da etapa nacional do prêmio Profissionais do Ano de 2009;</p>
<p>16 &#8211; Nosso portal recebe mais de um milhão de internautas por mês; o <em>Conexão Cultura</em> oferece conteúdos relevantes para milhões de usuários de lan houses e telecentros.  Há outras iniciativas inovadoras como o <em>Portal Roda Viva</em>, o programa <em>Login</em> (sucessor de <em>Pé na Rua</em> e <em>Programa Novo</em>) e o <em>RadarCultura</em>.<em> </em>A atuação em multiplataforma inclui ainda exposições virtuais, como <em>Olheiro da Arte,</em> com mais de três mil obras inscritas virtualmente antes da exposição física e a <em>Galeria dos presidentes da República.</em> Essa operação transversal se expressa ainda na revista <em>Mbaraka</em>, dedicada à música clássica e a dança, cuja segunda edição (também superavitária) está sendo impressa;</p>
<p>17 &#8211; O parque tecnológico foi completamente renovado. Novas câmeras, ilhas de edição e controles mestres garantem mais qualidade e economia. Concluímos assim um processo de modernização que demandou muitos milhões de reais de investimento público e de recursos próprios;</p>
<p>18 &#8211; Nossas instalações estão sendo melhoradas gradualmente, como bem sabem todos que trabalham no chamado “prédio das Tecas.” O Teatro Franco Zampari foi totalmente recuperado e pode ser utilizado para programas e eventos, com transmissão ao vivo pela TV ou pela web;</p>
<p>19 &#8211; Mordomias incompatíveis com nosso tipo de instituição e com o trabalho em equipe (carro de diretores, portão de acesso exclusivo, restaurante executivo, passagens em classe executiva) foram suprimidas;</p>
<p>20 &#8211; Parcerias com emissoras do Brasil e do exterior permitiram aumentar a produção e o alcance de nossos programas. Da Arirang TV da Coréia à Deusteche Welle da Alemanha, passando pela TV Encuentro da Argentina. Com a TV Brasil, desenvolvemos o<em>Almanaque Brasil</em>, levando para a telinha o conteúdo da revista criada por Elifas Andreatto. Com a Imprensa Oficial está sendo desenvolvida a série <em>Aplauso</em>, baseada na coleção de biografias de personalidades do teatro e da TV. Um acordo longamente costurado com a RTP2 resultou em <em>Brasil e Portugal, Lá e Cá</em>, série que manterá meu vínculo com a TV Cultura, na condição de apresentador, pelas próximas 12 semanas.</p>
<p>Em conversa cordial neste domingo, 25 de abril, ouvi do candidato a presidente João Sayad, que não existe, da parte dele, a intenção de transformações radicais na equipe ou grandes mudanças no que está sendo desenvolvido na Fundação Padre Anchieta.</p>
<p>A alegria do dever cumprido em 39 anos de profissão me remeteram a esta reflexão do escritor Alejo Carpentier, que busco relembrar volta e meia:</p>
<p><em>“&#8230;o homem nunca sabe para quem padece e espera. Padece e espera e trabalha para gentes que nunca conhecerá e que por sua vez padecerão e esperarão e trabalharão para outras que tampouco serão felizes, pois o homem anseia sempre uma felicidade situada além da porção que lhe é outorgada. Mas a grandeza do homem está precisamente em querer melhorar o que é. É impor-se tarefas. No Reino dos Céus não há grandeza a conquistar, pois ali tudo é hierarquia estabelecida, incógnita derramada, existir sem fim, impossibilidade de sacrifício, repouso e deleite. Por isso, atormentado por penas e tarefas, formoso dentro de sua miséria, capaz de amar em meio às pragas, o homem só pode alcançar sua grandeza, sua máxima medida, no reino deste mundo.”</em></p>
<p>Creio que no reino deste mundo, cabe agora a vocês, que há 43 anos trabalham para erguer (e melhorar) a Fundação Padre Anchieta, uma bela tarefa, digna da grandeza dos homens.</p>
<p align="right"><strong>Paulo Markun</strong></p>
<p align="right">26 de abril de 2010</p>
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		<title>Sobre José Mindlin [por Paulo Markun]</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 19:09:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
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		<description><![CDATA[Tive poucos contatos com José Mindlin. Infelizmente. Nunca estive, por exemplo na casa dele, uma experiência fascinante, pelo que pude ver em reportagens e fotos. Casa construída em torno da imensa biblioteca que ele e a mulher, Guita, construíram durante décadas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-bottom: 0in;"><em>[Esse texto foi escrito pelo jornalista, escritor e pai Paulo Markun, que me pediu para publicar aqui no meu blog]</em></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Tive poucos contatos com José Mindlin – incluindo entrevistas. Nunca fui à casa dele, uma experiência fascinante, pelo que pude ver em reportagens e fotos. Casa construída em torno da imensa biblioteca que ele e a mulher, Guita, construíram durante décadas.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Na verdade, até outubro de 1975, sabia apenas que ele era secretário da  Cultura do empresário Paulo Egydio Martins, que chegara ao governo de São Paulo escolhido por Geisel prometendo mudança e novos ares.<br />
</span>
</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Um dos grupos de trabalho organizados por Paulo Egydio no intervalo entre sua indicação e a posse tratou da comunicação social. Depois de apontar graves defeitos graves na programação da TV Cultura &#8211; indefinição de objetivos, desconhecimento do público a que se dirigia, amadorismo na escolha de temas e na própria realização dos programas e um elitismo que levava a índices de audiência praticamente nulos – o grupo recomendou que ela fosse utilizada não apenas para divulgar atos e intenções do governo, mas para permitir sua discussão e &#8211; mais importante &#8211; a abertura de um canal de diálogo que permitisse à população manifestar aos governantes seus problemas, apreensões, queixas e sugestões. Para isso, sugeria uma ampla reformulação da Cultura, em especial de seu telejornalismo.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">O produtor musical Fernando Faro, a quem Paulo Egydio costumava recorrer como uma espécie de conselheiro informal, sugeriu que Fernando Pacheco Jordão fosse recontratado e promoveu um encontro ele ele e o novo presidente da Fundação Padre Anchieta, Rui Nogueira Martins. Depois de discutirem a linha de trabalho a ser adotada, que seria transformar a Cultura num canal de diálogo, Jordão, que estava no Globo Repórter, recusou o convite por carta e sugeriu o nome de Vlado, que encaminhou seu currículo a Antonio Angarita, chefe de gabinete de Mindlin.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Com Rui Nogueira Martins na Europa, coube a Mindlin escolher o diretor de jornalismo da emissora. Antes de se decidir, ele chamou Vlado para uma conversa. Ficou bem impressionado com a atitude do candidato, que limitou-se a descrvcer seu currículo e suas idéias para o jornalismo da Cultura. Junto ao cônsul inglês, Mindlin foi conferir se Vlado realmente trabalhara na BBC e recebeu não apenas a confirmação, como notícias das boas referências que ele deixara na BBC.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Decidido a contratar Herzog, o secretário da Cultura teve o cuidado de consultar o chefe do escritório do SNI em São Paulo, coronel Paiva. De acordo com Mindlin, meia hora depois, este ligou de volta, dizendo que não havia objeção, embora a ficha de Herzog registrasse algumas “veleidades comunistas” na juventude. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Na manhã de três de setembro de 1975, uma quarta-feira, fui buscar Vlado em casa. Ele morava a meio caminho entre o Brooklin e a sede da TV Cultura, na rua Carlos Spera, 179, no bairro da Água Branca, zona oeste de São Paulo e não sabia dirigir. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Antes que tomassemos pé da situação na TV, o telejornal do meio dia foi ao ar. Entre as matérias, um mini documentário de sete minutos, produzido pela agência inglesa Visnews, (que em 1992 seria comprada pela Reuters). O material não causaria qualquer problema na Inglaterra, mas Vlado considerou uma provocação dar tanto espaço para o líder do Vietnã do Norte, Ho Chi Min. Eliminou qualquer referência ao assunto no Hora da Notícia daquela noite e decidiu demitir o editor. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Não adiantou: no dia seguinte, o espaço dado a Ho Chi Min foi criticado pelo colunista Cláudio Marques. A notícia foi praticamente reproduzida na Última Hora de cinco de setembro: </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>Bastante comentada, por sua “oportunidade” e “qualidade”, a reportagem levada ao ar na quarta-feira, pela TV Cultura, em seu programa noticioso do meio-dia. Inúmeros minutos da programação da emissora educativa foram dedicados à história do Vietnã e às lutas que ali ocorreram nos últimos anos, dando-se especial destaque a pensamentos e à figura de Ho Chi Min, o líder comunista do Vietnã do Norte. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>Pode ser que exista uma razão muito forte para tal tipo de preocupação na TV Cultura, mas não há dúvida que, no Brasil, existem temas muito mais educativos e salutares do que a história dos conflitos na Indochina ou os conceitos do vietcong.</em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">A matéria sobre o Vietnã foi motivo de uma reclamação do coronel Paiva ao secretário da Cultura. De acordo com Mindlin, na conversa “bastante áspera, apesar da aparência cordial,” ele tentou explicar que Vlado lhe parecera um profissional sério, tinha a ficha limpa e não podia ser responsabilizado por algo que havia sido colocado no ar no dia de sua posse e que, portanto, era produto da equipe anterior. Nessas condições, argumentou, seria uma injustiça demiti-lo. O coronel reagiu com um alerta:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>- Eu não estou pedindo para que o senhor o demita, depende do grau de risco que o senhor quer assumir. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Mindlin respondeu que não tinha medo de assumir riscos, mas que, naquele caso, a responsabilidade não era dele, já que a TV Cultura tinha autonomia. O coronel não aceitou o argumento:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>- Mas o responsável é sempre o chefe&#8230; </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Combinaram que Mindlin promoveria uma conversa entre Vlado e o coronel, para que este orientasse o diretor de jornalismo. Se depois disso, o telejornal continuasse avançando o sinal, a situação seria diferente, acordaram. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Pouco depois, o governador foi procurado pelo major Ismael Armond. Amigos desde o tempo em que Paulo Egydio presidira a União Metropolitana de Estudantes, em meados da década de 50, no Rio de Janeiro, tinham se aproximado na adoração a Carlos Lacerda, e chegaram a integrar, com oficiais da Aeronáutica, o grupo que fazia a segurança pessoal do político da UDN em guerra aberta contra o governo Vargas. Em 1964, Armond aproximou Paulo Egydio dos conspiradores. Agora, alertava sobre a contratação de Vlado, um “comuna.” O governador procurou Mindlin e se deu conta de que este tinha pouca informação sobre o novo diretor de jornalismo da Cultura: </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>- Notei que Herzog tinha sido admitido normalmente, em razão da necessidade do preenchimento de um cargo vago, sem nenhuma indicação de cima. Em função daquele estado de guerra, da pressão geral contra o governo e de estar efetivamente comprometido até os ossos com os castelistas, mandei o coronel Erasmo e o coronel Paiva, chefe do SNI em São Paulo, investigarem o que se passava com esse tal Vladimir Herzog, que eu nunca tinha visto nem ouvido falar e que estava para assumir o setor de jornalismo da TV Cultura. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>Depois de verificarem a ficha do Herzog em todos os órgãos de segurança, eles disseram que não tinham encontrado nada que obrigasse a demissão do sr. Herzog e que ele tinha evidentemente de ficar sob observação, em função da movimentação toda contra ele. Ainda disse: se o homem quiser fazer do jornal da TV um veículo de propaganda ideológica, evidentemente nós vamos atuar. Mas a ficha dele está limpa, não há nenhuma indicação de que alguém o colocou lá, vamos mantê-lo. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">No dia sete de setembro, Cláudio Marques voltou ao ataque, em sua coluna dominical no Shopping News, um jornal distribuído gratuitamente em centenas de milhares de lares de São Paulo, patrocinada pela construtora Adolpho Lindenbergh, diretor-tesoureiro da TFP:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>TV Educativa continua uma nau sem rumo. Repercutindo – pessimamente – o documentário exibido pelo Canal 2, fazendo a apologia do Vietcong. Eu acho que o pessoal do PC da TV Cultura pensa que isto aqui virou o fio&#8230;</em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">A Última Hora 11 de setembro trazia nova bomba, agora contra a matéria sobre o regresso do príncipe Norodon Sihanouk ao Cambodja, após um exílio na China Comunista, que teria ocupado o espaço onde deveríamos veicular notícias sobre a volta do governador Paulo Egydio de Brasília, o aumento do preço dos combustíveis e outras notícias oficiais, que segundo o jornal, tinham aparecido em outros telejornais. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">O Hora da Notícia daquela terça-feira incluía dois ministros, o presidente da Embratur e um secretário do governo de São Paulo, mas isso pouco importava para quem estava em campanha contra a TV Vietcultura.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">O coronel Paiva ligou novamente para o secretário da Cultura, reclamando do Hora da Notícia, que estaria veiculando informações tendenciosas. Citou um caso específico: ao noticiar o julgamento de autores de um atentado terrorista na Espanha, o telejornal dava mais destaque à pena de morte do que aos crimes praticados pelos autores do atentado.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">O caso envolvia militantes antifranquistas acusados da morte de um policial e por isso, condenados à morte, entre eles, duas mulheres grávidas. Várias matérias exibiam imagens do garrote vil em que a sentença deveria ser executada. Não havia adjetivos, nem era preciso – as matérias eram claramente contrárias à pena de morte. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Mindlin contra-argumentou, explicando que essa avaliação podia ser subjetiva. Assumiu o compromisso de instalar um televisor em sua sala e monitorar o programa, como o coronel já fazia. Ficou acertado também que o secretário conversaria com Vlado e que nenhuma providência seria tomada contra o jornalismo da Cultura ou sua equipe sem que o responsável pelo SNI falasse antes com o secretário ou com o governador. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Alguns dias mais tarde, o coronel Paiva telefonou pela terceira vez, agora para dizer que estava achando o telejornal “muito chocho”. Ao que Mindlin respondeu que a responsabilidade era de seu interlocutor, já que dele partira a recomendação para que o Hora da Notícia evitasse qualquer comentário “tendencioso”. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Ao cabo de duas semanas e debaixo desse tiroteio todo, Vlado formalizou suas primeiras propostas e as encaminhou à assessoria administrativa da emissora. Propunha o cancelamento imediato do Jornal da Manhã, a suspensão temporária do Jornal Agrícola, a redução pela metade do tempo do Jornal da Cidade, a suspensão da edição de sábado do Hora da Notícia e um reexame dos noticiosos da rádio. A partir de janeiro de 1976, se o estúdio próprio do jornalismo estivesse pronto, o formato e o nome do jornal mudariam ( a proposta era chamá-lo de Jornal da Noite) e no lugar das edições de três minutos do TV2 Notícias, entrariam duas emissões de dez minutos do Hora da Notícia, além de um jornal infantil e uma revista semanal.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">As medidas imediatas foram aprovadas e postas em prática, mas já estava em pleno curso a Operação Radar, desencadeada para destruir o Partido Comunista e, acredito, envolver integrantes do primeiro escalão do governo Paulo Egydio, numa manobra cujo alvo final era o general Geisel.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">No plenário da Assembléia, discutia-se mais a situação da Cultura que a escalada de prisões ilegais. Foi lá que o deputado Wadih Helou, aparteado por seu colega José Maria Marin, reclamou da ausência de uma equipe da TV Cultura na inauguração de um serviço de água e esgoto e disse que não ficara surpreso, em razão das denúncias de Cláudio Marques:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>- Num país como o nosso, que está em pleno desenvolvimento, num país como o nosso, que se constitui num verdadeiro oásis no mundo de hoje, são esses elementos pagos pelo governo numa emissora de televisão do governo de São Paulo, que pregam a desagregação do nosso povo, da nossa cidade, omitindo-se de comunicar ao povo paulista as realizações do nosso governo. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Acusado por Helou de ser conivente com a ação subversiva da TV Cultura, Mindlin saiu em nossa defesa. Explicou que enquanto não fossem apontados fatos concretos, não havia motivos para preocupação e que a equipe lhe parecia séria e objetiva, que não merecia as suspeitas e críticas levantadas. Sobre Vlado, foi claro:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>- O jornalista Vladimir Herzog é um sujeito sério, que merece a confiança da Fundação Padre Anchieta. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">O secretário rebateu diretamente o ataque de Wadih Helou:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>- Se a TV Cultura deixou de promover o governo em algum momento, foi por mero acaso. A missão da emissora é, além de promover a cultura e cumprir seu programa educativo, dar uma informação objetiva, tanto quanto possível. Não deve fazer críticas sistemáticas ao governo, como também não é seu papel fazer uma apologia sistemática. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Quanto às matérias sobre a revolução russa e o socialismo – na verdade, aulas de Geografia do curso supletivo, aprovadas pela censura federal &#8211; afirmou:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>- Não vejo por que tanto barulho pelo simples fato de a TV Cultura falar de revolução russa e socialismo. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">No dia 20 de outubro, após minha prisão pelos homens do Dói-Codi, Vlado levou meu pai para falar com Mindlin. O secretário da Cultura estava nos Estados Unidos e eles só estiveram com o assessor de imprensa, Armando Figueiredo. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">No Roda Viva histórico de dezembro de 2006, reprisado agora Mindlin falou de Vlado, da ditadura e do que mais amava – os livros. Abaixo, um resumo do que disse:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>Eu fui secretário de Cultura, Ciência e Tecnologia por insistência do Paulo Egídio [governador de São Paulo], e hesitei muito porque eu não queria participar de um governo nomeado e não eleito. Fui a favor da abertura política, desde o momento em que a política foi fechada. Fui contra o regime. Mas havia, naquela época,  uma perspectiva de abertura porque o MDB [Movimento Democrático Brasileiro, partido opositor do regime militar, que em 1980 passa a se chamar Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB] tinha ganhado as eleições em 1974 e o governo tinha respeitado o resultado das eleições. De modo que o momento parecia permitir esperanças. E o grupo de amigos a quem eu consultei disse que eu devia aceitar porque se quem queria a abertura recusasse o cargo, o cargo seria ocupado por alguém que não desejaria a abertura. E eu, então, combinei com o Paulo Egídio de ficar um ano e, se houvesse abertura eu continuaria, se não houvesse, eu sairia. E, surpreendentemente, deu para fazer muita coisa naquele ano. Quando você está em um cargo público, sabe dizer não e planeja coisas pela importância que elas têm em si mesmas e não para se promover, ou não usar o cargo como degrau para progresso na carreira política. Eu tive para mim que foi uma experiência muito interessante. Mas quando houve o episódio Herzog &#8211; eu estava nos Estados Unidos e telefonei para o Paulo Egídio dizendo que ia voltar e só consegui passagem na terça-feira, e eu soube da morte no domingo &#8211; eu queria levar a cabo a carta de demissão. Quando fui vê-lo, ele me disse: &#8220;você está liberado porque esse é o nosso acordo, mas se você sair agora você vai enfraquecer a resistência ao grupo radical do exército que pegou o Herzog. Ele vai pegar você para me pegar e me pegaria para pegar o presidente. Então você resolve. Você pode sair porque é combinação, mas se você ficar eu não posso garantir nada, amanhã podemos estar todos na rua, ou presos&#8221;. E aí eu achei que tinha que permanecer por mais um tempo, mas já tendo resolvido deixar na primeira oportunidade. Tempos depois, o Paulo Egídio quis transferir a secretaria para secretaria de governo. E aí eu usei isso como pretexto para deixar o posto. E não me arrependo nem de ter aceitado, muito menos de ter saído. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>Normalmente a gente tem a ilusão que vai poder ler muitos mais livros do que a gente consegue. Agora, a convivência com livros é muito agradável e quase que independente da leitura. A gente passa e os livros ficam, de modo que outros lerão os livros que eu não li.</em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>Eu não encontro explicação para o fenômeno Paulo Coelho. Eu considero que ele está para a literatura como o bispo Edir Macedo está para a religião. Li O alquimista porque não concordo com a maneira de falar do Oswald de Andrade [(1890-1954) poeta e ensaísta brasileiro, um dos escritores mais atuantes no movimento modernista brasileiro, "não li e não gostei". Eu li para poder dizer que não gostei, ou com muita surpresa para ter que dizer que gostei, o que não foi o caso. Agora, é um fenômeno inexplicável e a fama é mundial. Dizem que os tradutores são melhores do que ele, mas isso talvez seja maldade. </em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>Eu divido as leituras em duas categorias, as leituras profissionais e as leituras de deleite, de prazer. Neste campo de leitura, onde provavelmente existem muitos autores que eu não li eu não me lembro de nenhum que eu  tenha lido sem prazer.</em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>O primeiro livro antigo que eu tive em mãos foi em um sebo, quando eu tinha 13 anos, uma edição portuguesa do Discurso sobre a história universal, numa tradução portuguesa publicada em Coimbra em 1740. Naquele tempo eu não tinha familiaridade com o livro antigo, eu fiquei fascinado pela data e depois aprendi que a data tem uma importância muito relativa. Há muito livro moderno mais importante do que um livro do século XVI ou XVII, mas esse foi o primeiro que eu conservo até hoje.</em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"><em>O que deu mais trabalho foi a primeira edição de O Guarani [do escritor José de Alencar] de 1857, de que se conheciam apenas dois exemplares. E eu soube de um terceiro que foi oferecido aos colecionadores do Rio por um grego, mais mercador de livros do que colecionador, e os cariocas não tiveram coragem de comprar apesar de não estar pedindo uma exorbitância. Quando eu soube disso eu fui procurar o grego mais ele já tinha partido para a Europa. E eu fiquei atrás desse livro, uma vez encontrei a primeira e segunda parte, das quatro partes do livro, num sebo em Santiago. Comprei, mas não era satisfatório. Noutra vez, eu vi em um catálogo de um leilão em Londres um exemplar estimado em um preço ridículo, mas em leilão isso não quer dizer nada, e eu mandei um telegrama para um livreiro amigo dizendo que queria que comprasse o livro. Depois, na compreensível impaciência, telefonei para ele perguntando quanto o livro atingiria no leilão. E ele me disse: &#8220;eu acho que umas vinte libras&#8221;. Eu digo: &#8220;você está enganado, se houver brasileiro no leilão, o preço será bem mais alto. Em todo caso, eu quero que compre de qualquer maneira&#8221;. No dia do leilão, telefonei para saber por quanto ele tinha comprado e ele disse: &#8220;olha, não comprei porque quando o livro chegou a sessenta libras eu achei que você podia ficar aborrecido&#8221;. E eu disse: &#8220;aborrecido eu estou agora&#8221;. Mas, enfim, não há o que fazer. Soube depois que, na realidade, não tinha sido vendido. Era do grego e como não teve comprador oferecendo mais do que sessenta libras, ele retirou o livro do leilão. Passam-se alguns anos, e eu fui convidado para um leilão de livros raros de uma biblioteca muito boa de um colecionador francês que morava no Rio. E tive a sorte de ser convidado pela Air France [companhia aérea francesa] para um vôo non stop de Bueno Aires para Paris, o vôo inaugural. Então, eu fui levado para Buenos Aires, levado para Paris, e lá encontrei o dono da livraria Cosmos, dizendo que tinha uma surpresa para mim, que o grego estava em Paris e O guarani estava com ele para evitar possível negócio do grego com outra pessoa. E aí foi uma epopéia a discussão com o grego, mas acabei comprando e fiquei praticamente com o livro no colo durante toda a estadia e, na volta, o livro sempre comigo, pus na pasta e naquele tempo, se trocava de avião no Rio para São Paulo. Eu dormi durante a viagem e quando eu abro a pasta no avião do Rio para São Paulo, o livro tinha sumido. Eu provavelmente abri a pasta dormindo e o livro escorregou. Eu cheguei em casa e perguntei para minha mulher se ela poderia imaginar que livro que eu tinha comprado em Paris. E ela não podia saber e eu disse que era O guarani. E ela: &#8220;Não diga, que coisa boa&#8221;. E eu digo: &#8220;É, mas já perdi&#8221;. E tinha que me resignar, mas eu deixei marcado o lugar aonde eu estava, e três ou quatro dias depois a Air France me telefona dizendo que o livro tinha sido encontrado. Eu acho que esse foi o que mais causou emoção e dificuldade.</em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">A íntegra transcrita dessa entrevista está no site e no portal do Roda Viva. </span><span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.tvcultura.com.br/rodaviva.%20"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">www.tvcultura.com.br/rodaviva. </span></a></span></span><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;"> Vale conferir.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Tahoma, sans-serif;">Paulo Markun</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Todos rouanets</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 12:16:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Na prática, você doa o dinheiro para um projeto aprovado, guarda o recibo e apresenta junto com a sua declaração de final de ano. É um pouquinho mais complicado que isso na verdade, mas só um pouquinho =)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">A lei rouanet é um dispositivo que permite deduzir dinheiro de imposto para financiar projetos culturais. Geralmente é usado por grandes empresas (tributadas em lucro real) para patrocinar projetos em troca de exposição de marca e ganhos de &#8216;responsabilidade social&#8217;.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">O que pouca gente sabe – ou ainda, muita gente sabe, pouca gente usa – é que além das empresas, pessoas físicas também podem deduzir até 6% do seu imposto de renda para patrocinar esses projetos.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Na prática, você doa o dinheiro para um projeto aprovado, guarda o recibo e apresenta junto com a sua declaração de final de ano. É um pouquinho mais complicado que isso na verdade, mas só um pouquinho =)</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Um dos motivos pelos quais pouca gente usa isso é que 6% do imposto de pessoa física acaba sendo pouca grana para a maioria dos projetos e das pessoas. Pra não falar do sem-número de pesssoas-pj que vivem através da figura jurídica, um cálculo rápido com um CLTista que deixe uns 30% em tributos (e acho que não é tudo que conta) teria menos de 2% do salário para doar para um projeto.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Ou ainda, alguém que ganhe r$4500 brutos poderia contribuir por ano com miseros r$1000!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">É pouco, da trabalho e eu mesmo nunca fiz. Mas não posso deixar de pensar (graças a minha avó que vivia martelando essas maluquices na minha cabeça) que se simplificarmos um pouco e usarmos bem a rede, pode ser uma saida para colocar mais cultura na mesa.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">A idéia é montar um sistema que de alguma forma automatize esse processo, você cadastra seu projeto já aprovado com número do PRONAC e escambau, define algumas contrapartidas para os patrocinadores (nome no site, ingresso pra peça, leitura dramática dos nomes em ordem alfabética ou o que mais a criatividade sugerir e a logística permitir) e começa a divulgar pelas redes&#8230; um contador vai mostrando como esta a captação e (opcionalmente) quem já doou e quanto. Um sistema de blogs internos / agregador de feeds permite que as pessoas acompanhem o andamento do projeto, antes, durante e depois da execução.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Para quem quer doar, o sistema explica passo a passo e de forma didática como é que a banda toca, para onde vai o dinheiro e – claro – como é que se faz para de fato deduzir esse valor no final do ano e gera automaticamente um comprovante para ser impresso. Traz também uma calculadora que estima o quanto a pessoa pode doar e um newsletter personalizado que informa a pessoa de projetos dentro de regiões geográficas ou áreas de interesse específicos.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Ainda é um protótipo que por hora se resume a esse texto e um longo e gostoso brainstorm no carro, Existem uma série de questões práticas e legais que precisam ser acertadas antes de se colocar a mão na massa, mas como acho que idéia é uma coisa para botar na rua e deixar rolar, resolvi compartilhar por aqui.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Mas pensem&#8230; somos 3000 só no CulturaDigital.br se cada um pudesse deduzir esses r$1000, já seriam r$3.000.000  por ano para investir e fazer acontecer em rede. Parece bom?</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">&#8211; sem revisão</p>
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		<title>Apontamentos para o #thackday</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 15:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguns rascunhos e idéias do que gostaria de fazer nesse Transparência Hackday...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns rascunhos e idéias do que gostaria de fazer nesse Transparência Hackday&#8230;</p>
<p><strong>Descolar dados:</strong></p>
<p>É fato que temos poucas bases de dados abertas por aqui&#8230; até tem bastante informação espalhada &#8211; e mapear isso já seria legal pacas &#8211; mas quase tudo enclausurado em tabelas HTML (quando damos sorte) ou PDFes e já vi meia duzia de bancos que geram .DOC ( go figure ) tudo isso atrás de um FORM bizarro com paramêtros obscuros.</p>
<p>Não é o ideal, mas é o que temos&#8230; então acho que temos bastante trabalho na área de parsers e APIs.</p>
<p>Rola tanto criar crawlers que façam uma varredura completa de uma determinada base &#8211; começamos a fazer isso com o<a href="http://www.portaldatransparencia.gov.br/"> Portal da Transparência</a> &#8211; como pensar em criar APIs para facilitar o trabalho.</p>
<p>Objetivamente acho que o modelo do <a href="http://legislink.wikispaces.com/">Legislink</a> é bastante interessante e acho que pode facilmente ser aplicado a outros casos.</p>
<p>Para ficar em um exêmplo menos político, mas que me seria bastante útil por causa do <a href="http://www.livrolivre.art.br">LivroLivre</a>&#8230; criar uma melhor forma de acessar o <a href="http://www.bn.br/portal/index.jsp?nu_pagina=35">banco de dados da biblioteca nacional</a>, nos daria algo minimamente parecido com o serviço que lá fora a Amazon faz brilhantemente.</p>
<p><strong>Tropicalizar ferramentas:</strong></p>
<p>Outra coisa bastante divertida e que pode gerar resultados mais duradouros é traduzir e tropicalizar uma série de aplicativos que estão pipocando em código aberto por ai. O próprio <a href="http://legislink.wikispaces.com/">Legislink</a> é um exemplo, mas porque não portar pra cá o <a href="http://www.everyblock.com/">Everyblock</a> ou o <a href="http://www.fixmystreet.com/">Fixmystreet</a>?</p>
<p><strong>Mashupear:</strong></p>
<p>Por fim temos todos os mashups e cruzamentos, possíveis e impossiveis&#8230; ou improvaveis.  Mas nesse #thackday meus esforços vão estar concentrados em um. Criar um site que interprete e dê sentido para as longas listas de passagens emitidas pelo poder público. Vários orgãos fornecem essa informação&#8230; mas podemos começar com o próprio <a href="http://www3.transparencia.gov.br/TransparenciaPublica/jsp/diarias/diariaPorData.jsf">portal de Transparência</a>, não?</p>
<p>Da pra pegar os destinos e traçar tudo no Google Maps. Criando um ranking de quem andou mais e por onde passou&#8230; da pra fazer um matching aproximando os sobrenomes e explicitando familias&#8230;  da pra pergunta <a href="http://www3.transparencia.gov.br/TransparenciaPublica/jsp/diarias/diariaExtrato.jsf?consulta=5&amp;CodigoOrgao=25806&amp;idDiaria=1784793">que raios de passagem é essa que custa R$ 17,106.44</a> ou mesmo, para não ficar só em exemplos negativos&#8230; ver gente que foi pro mesmo lugar em datas próximas e sugerir que &#8211; na próxima &#8211; faça um esquema de carona solidaria =P</p>
<p>Enfim&#8230; alguns apontamentos. Estou animado com a possibilidade de tirar essa e outras idéias do papel. Agora é ver se rola.</p>
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		<title>Por um estúdio livre</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 01:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[commons]]></category>
		<category><![CDATA[estudio livre]]></category>
		<category><![CDATA[rossio]]></category>
		<category><![CDATA[tv publica]]></category>

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		<description><![CDATA[É um ambiente modular para produção livre de audiovisual amarrado por uma interface web que permita sua auto-organização. Nessa interface idéias podem encontrar profissionais e amadores dispostos a executa-las e de lá esse grupo já reserva horários no estúdio, câmeras hd, equipamento de som e luz, ilhas de edição e até um espaço para o lançamento e projeção do produto final.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Talvez &#8216;estúdio&#8217; não seja a palavra ideal. Mas palavra é coisa que se troca e se acerta, mesmo em tempos de Google, então vou deixar isso de lado. Sei que <a title="Estúdio Livre" href="http://www.estudiolivre.org">Estúdio Livre</a> já é uma entrada na wikipedia da vida com <a title="Estúdio Livre" href="http://www.estudiolivre.org/tiki-index.php?page=sobre&amp;bl">significado e história</a>, mas <a title="Desambiguação" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Desambiguação">desambiguemos</a> e bola pra frente que o ponto não é esse <img src='http://blog.markun.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </em></p>
<div>
<div>
<div>
<div></div>
<div>Desde o lançamento do <a title="LivroLivre" href="http://www.livrolivre.art.br">Livro Livre</a>, que venho pensando na idéia de objetos (físicos) livres. Na verdade, todo o movimento do (<span style="text-decoration: line-through;">Creative</span>) Commons nasce com base nessa idéia de bens físicos e, no entanto, quase sempre consideramos isso uma propriedade aplicável somente aos bens simbólicos, imateriais &#8211; quando não somente aos bens digitais.</div>
<div></div>
<div>Em um <a title="Rossio não-rival" href="http://www.ime.usp.br/~is/papir/RNR_v9.pdf">texto</a> que abre o livro <a title="Além das Redes de Colaboração" href="http://rn.softwarelivre.org/alemdasredes/">Além das Redes de Colaboração</a>, o Prof. Imre Simmon propoe uma tradução da palavra Commons como Rossio, palavra pra lá de feia que era usada para designar espaços de terras que podiam ser utilizados por qualquer pessoa da comunidade para um determinado fim.</div>
<div></div>
<div>O próprio Commons em inglês é o termo usado para designar espaços como ruas e praças, espaços públicos (físicos) de uso comum.</div>
<div></div>
<div>E ainda assim temos dificuldade em ver a aplicação da lógica do (Creative) Commons para além dos bens simbólicos. Pensamos sempre em música, filmes, textos e toda sorte de produção intelectual&#8230; mas raras vezes pensamos que um livro (objeto) pode ser tão livre quanto seu conteúdo, se assim ficar decidido.</div>
<div></div>
<div>Os <a href="http://www.livrolivre.art.br/">livros livres</a> estão ai, girando na praça e (espero) passando de mão em mão e mente em mente, maximizando assim seu uso. Mas mesmo essa liberdade ainda esta atrelada à idéia de que aquele produto intelectual ali contido pode ser lido várias vezes sem se desgastar.</div>
<div></div>
<div>Diante de tudo isso, rabisco aqui algumas idéias do que imagino ser um &#8216;estúdio livre&#8217;. Um espaço físico para a produção de conteúdo audiovisual que seja de uso comum, assim como são nossas praças e ruas, onde qualquer pessoa &#8211; respeitando certas normas da coletividade &#8211; pode usar e produzir.</div>
<div></div>
<div>É na verdade uma apropriação do modelo implementado pelo grupo Denver Open Media, do qual falei no <a title="sobre o Denver Open Media" href="http://blog.markun.com.br/post/denver-open-media">post passado</a>, um canal público de televisão em Denver que mudou radicalmente o seu modelo de atuação construindo uma das experiências de TV Pública mais interessantes que eu conheço.</div>
<div></div>
<div>Na minha cabeça essa estrutura está montada em um espaço público, mas pode tranquilamente ser feito em qualquer outro lugar.</div>
<div></div>
<div>É um ambiente modular para produção livre de audiovisual amarrado por uma interface web que permita sua auto-organização. Nessa interface idéias podem encontrar profissionais e amadores dispostos a executa-las e de lá esse grupo já reserva horários no estúdio, câmeras hd, equipamento de som e luz, ilhas de edição e até um espaço para o lançamento e projeção do produto final.</div>
<div></div>
<div>Idealmente você tem:</div>
<div></div>
<div>a) Estúdio Aberto</div>
<div>b) Estúdio Fechado</div>
<div>c) Ilhas de Edição</div>
<div>d) Espaço de Projeção</div>
<div>e) Banco coletivo de material</div>
<div></div>
<div><strong>a) Estúdio Aberto</strong></div>
<div>Não é exatamente um estúdio. Na verdade, está mais para uma Ágora ou para um palco do que para um estúdio. Mas, de qualquer forma, é um espaço aberto (inclusive ao público) com um sistema de luz, câmera, internet e som, que permite as mais variadas manifestações culturais. Shows, peças de teatro, debates, manifestos, oficinas, etc. Eventualmente esse espaço pode ser também o Espaço de Projeção (d) adicionando aí um telão.</div>
<div></div>
<div><strong>b) Estúdio Fechado</strong></div>
<div>Esse sim é um estúdio mais tradicional, daqueles que o fundo é todo azul/verde e permite as mais loucas pirações que o ChromaKey permitir. Novamente, um sistema de luz, câmera, internet e som que dá uma certa versatilidade ao espaço.</div>
<div></div>
<div><strong>c) Ilhas de Edição</strong></div>
<div>Cinco, seis, quantas forem. São ilhas de edição e finalização básicas, porém funcionais que permitem processar todo o material captado nos estúdios e fora deles. Oficinas de edição podem ser ministradas para capacitar as pessoas e melhorar a qualidade do produto final.</div>
<div></div>
<div><strong>d) Espaço de projeção</strong></div>
<div>Esse espaço, que pode ser criado junto ao Estúdio Aberto &#8211; é um sistema de retroalimentação. Quase um cineclube, um telão projeta as produções realizadas ou editadas no espaço (e eventualmente fora dele) criando um canal de visualização permanente do material. Com alguma facilidade isso pode ser streamado para a rede, criando um canal web interativo nos moldes do que a TV Cultura já vem fazendo com o Roda Viva e outros programas.</div>
<div></div>
<div><strong>e) Banco coletivo de material</strong></div>
<div>Essa é a instância lógica que une todos os espaços físicos. Dentre as premissas de produção, é que todo conteúdo produzido nesse sistema deve ser de uso livre (no mínimo para usos não comerciais), inclusive para remixes. (Em português claro: CC-BY-NC-SA)</div>
<div>Então existiria um grande banco de dados que armazenaria e disponibilizaria todo material bruto e suas subseqüentes edições para uso comum.</div>
<div></div>
<div><em>Lembrando que, com a rede e o p2p, esses espaços não precisam necessariamente estar fisicamente juntos. <strong>Porque não ter, por exemplo, ilhas de edição livres espalhadas por todas as unidades do SESC? Teatros de universidades servindo como &#8216;estúdios abertos&#8217;? Cineclubes como espaços de projeção? Tudo isso participando de uma nuvem audiovisual? </strong>O próprio armazenamento pode ser feito em uma nuvem semelhante ao que o </em><a title="um serviço de storage distribuido" href="http://wua.la/en/about/"><em>Wuala</em></a><em> proporciona e um &#8216;youtube&#8217; de conteúdos livres cuida de organizar e permitir a visualização em baixa resolução de todo material disponível.</em></div>
<div></div>
<div>São enfim, apontamentos, nem tudo &#8211; claro &#8211; está resolvido. Além do custo inicial de implantação, existe um custo relativamente alto de manutenção da estrutura. Mas acho que cabe ai pensar em modelos alternativos de sustentabilidade&#8230; tenho algumas coisas na cabeça mas que vão ficar para um outro post.</div>
</div>
</div>
</div>
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		<title>Denver Open Media</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 00:39:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
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		<category><![CDATA[tv publica]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre as soluções propostas, um grupo chamado Deproduction, propôs algo bastante interessante e transgressor. A TV deixaria de produzir seu conteúdo e ao invés disso tornaria-se uma grande central de produção para grupos e produtos independentes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Consta na história que o <a title="Denver Open Media" href="http://www.denveropenmedia.org/">canal público de Denver</a> passava pelo já conhecido sufoco orçamentário. Com uma audiência desprezível e pouco recurso para criar uma produção própria de qualidade, o canal e a cidade resolveram sentar juntos para decidir o próprio futuro da TV.</div>
<div></div>
<div>Dentre as soluções propostas, um grupo chamado <a title="Deproduction" href="http://www.deproduction.org/">Deproduction</a>, propôs algo bastante interessante e transgressor. A TV deixaria de produzir seu conteúdo e ao invés disso tornaria-se uma grande central de produção para grupos e produtos independentes. <em>Vale lembrar que muitas TVs do mundo todo já trabalham com grande parte da grade composta por produtos independentes, os caras só levaram isso às últimas conseqüências.</em></div>
<div></div>
<div>Hoje o <a title="Denver Open Media" href="http://www.denveropenmedia.org/">Denver Open Media</a> é uma organização composta por três pilares, <strong>Produção</strong>,<strong> Treinamento </strong>e<strong> Exibição</strong>.</div>
<div>A TV passou a fornecer para qualquer pessoa, mediante uma anuidade quase simbólica, acesso a todo o equipamento da emissora. São dois estúdios completos, dezenas de câmeras e ilhas de edição, equipamento de luz e áudio&#8230; enfim&#8230; <a title="Equipamentos de Produção" href="http://www.denveropenmedia.org/rentequipment">toda sorte de equipamentos</a> que se fazem necessários para a produção de um material audiovisual de qualidade.</div>
<div></div>
<div>Paralelamente a isso, um sistema web te permite entrar em contato com diversos profissionais, freelancers ou voluntários que podem te ajudar a concretizar a sua idéia.</div>
<div></div>
<div>Também é possível participar dos diversos e recorrentes <a title="Treinamento" href="http://www.denveropenmedia.org/classes">módulos de treinamento</a> que são oferecidos pela própria TV para que você ou seu grupo possam adquirir o expertise necessário para realizar o seu programa.</div>
<div>Um intricado sistema de direitos de comercialização entra em cena para tentar tornar os projetos e o processo sustentável e rentável, mas de toda forma a contrapartida é simples: todo o material produzido dentro da TV pode ser veiculado na própria TV. &#8216;Pode&#8217;, o que não quer dizer necessariamente que vai. Toda a <a title="Exibição" href="http://www.denveropenmedia.org/livestream">grade da TV é escolhida colaborativamente</a> e montada <a title="User-Automated Broadcast" href="http://www.denveropenmedia.org/node/38">automaticamente</a> usando um <a href="http://www.denveropenmedia.org/node/39">sistema baseado em Drupal</a> que deve estar disponível publicamente em meados do ano que vem.</div>
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		<title>Modelos de negócios abertos</title>
		<link>http://blog.markun.com.br/post/modelos-de-negocios-abertos</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Dec 2008 22:03:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[cultura livre]]></category>
		<category><![CDATA[negócios abertos]]></category>
		<category><![CDATA[tecnobrega]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre as principais características desse modelo, estão a sus-tentabilidade econômica; a ﬂexibilização dos direitos de pro-priedade intelectual; a horizontalização da produção, em geral, feita em rede; a ampliação do acesso à cultura; a contribuição da tecnologia para a ampliação desse acesso; e a redução de intermediários entre o artista e o público.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>De forma resumida e simpliﬁcada, pode-se dizer que negócios </p>
<p>abertos são aqueles que envolvem criação e disseminação de </p>
<p>obras artísticas e intelectuais em regimes ﬂexíveis ou livres </p>
<p>de gestão de direitos autorais. Nesses regimes,  a propriedade </p>
<p>intelectual não é um fator relevante para sustentabilidade da </p>
<p>obra. No open business a geração de receita independe dos </p>
<p>direitos autorais.</p>
<p>Entre as principais características desse modelo, estão a sus-</p>
<p>tentabilidade econômica; a ﬂexibilização dos direitos de pro-</p>
<p>priedade intelectual; a horizontalização da produção, em geral, </p>
<p>feita em rede; a ampliação do acesso à cultura; a contribuição </p>
<p>da tecnologia para a ampliação desse acesso; e a redução de </p>
<p>intermediários entre o artista e o público.</p>
<p>Esses modelos de negócios abertos baseiam-se em algum tipo </p>
<p>de commons. A liberação do uso de uma obra pode se dar pela </p>
<p>utilização de um instrumento legal como a licença Creative </p>
<p>Commons ou por uma situação social, em que a ausência de </p>
<p>estruturas de propriedade intelectual gera, na prática, o com-</p>
<p>partilhamento de conteúdo e livre acesso à obra.</p>
<p> </p></blockquote>
<p><strong><a title="Baixe o livro." href="http://www.portalliteral.com.br/lancamentos/tecnobrega-o-para-reinventando-o-negocio-da-musica">Tecnobrega</a> - O Pará reinventando o negócio da música.  ( Ronaldo Lemos e Oona Castro )</strong></p>
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		<title>Festa dos Livros Livres &#8211; (29/11) &#8211; Venha e liberte seus livros!</title>
		<link>http://blog.markun.com.br/post/festa-dos-livros-livres-2911-venha-e-liberte-seus-livros</link>
		<comments>http://blog.markun.com.br/post/festa-dos-livros-livres-2911-venha-e-liberte-seus-livros#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Nov 2008 20:58:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[festa]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[livro livre]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste sábado (29/11) as 20hs vamos realizar no bar Pandora, Pça Roosevelt, 252 uma festa para arrecadar livros para o projeto do LivroLivre  ( www.livrolivre.art.br ).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span>Opa, </span></div>
<div></div>
<div><span>gostaria de convidar</span> e pedir para que passem o convite adiante. Neste <span><strong>sábado (29/11) as 20hs</strong> vamos realizar no <strong>bar Pandora, </strong><a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;hl=en&amp;geocode=&amp;q=Pra%C3%A7a+Franklin+Roosevelt,+S%C3%A3o+Paulo,+SP&amp;sll=-23.549687,-46.64458&amp;sspn=0.010209,0.019312&amp;ie=UTF8&amp;ll=-23.548684,-46.645138&amp;spn=0.010209,0.019312&amp;z=16&amp;iwloc=A"><strong>Pça Roosevelt, 252</strong></a></span> uma <span>festa para arrecadar livros</span> para o projeto do <a href="http://www.livrolivre.art.br/">LivroLivre</a>  ( <a href="http://www.livrolivre.art.br/" target="_blank">www.livrolivre.art.br</a> ). Pode ser qualquer tipo de livro, desde que em &#8216;razoavel&#8217; estado, mas damos preferencia para literatura, sobretudo literatura brasileira. O LivroLivre pretende ser sobretudo um projeto de fomentação da <span>boa leitura</span>.</div>
<div></div>
<div><span>Para quem não sabe, o LivroLivre é um projeto de <strong>distribuição p2p de livros</strong>, que criei no meio desse ano, inspirado no Bookcrossing ( <span><a href="http://www.bookcrossing.com/" target="_blank">http://www.bookcrossing.com/ )</a><span>. A idéia é simples, você pega um livro que não use mais, cadastra no site e cola a etiqueta e passa o livro para frente, pedindo que a pessoa faça o mesmo depois que terminar de ler. E ai, a partir desse momento o livro não é mais seu ou de ninguém, ele é livre, vira &#8216;commons&#8217;. Estamos realizando uma série de ações nesse ano com o apoio da APAA, mas a idéia é que seja um processo descentralizado. Então mesmo que não possa vir, entra lá no site, libere seus livros e distribua. Vamos montar juntos essa grande biblioteca colaborativa.</span></span></span></div>
<div></div>
<div><span>O <strong>boteco é simpático e a cerveja é barata</strong></span>, mas se não puderem ir, passem pelo menos para <span>deixar aqueles livros que estão juntando poeira na estante</span> e que poderiam estar tendo melhor uso na mão de gente que vai ler de verdade.</div>
<div></div>
<div>Outra, no <span>domingo (30/11)</span>, vamos fazer outra <span><strong>Blitz Literária</strong> </span>dessa vez na Barra Funda, na <span><a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;hl=en&amp;geocode=&amp;q=Pra%C3%A7a+Nicolau+de+Moraes+Barros+,+Barra+Funda,+S%C3%A3o+Paulo,+SP&amp;sll=-23.52008,-46.672926&amp;sspn=0.040845,0.077248&amp;g=Barra+Funda,+S%C3%A3o+Paulo,+SP&amp;ie=UTF8&amp;ll=-23.525746,-46.655502&amp;spn=0.010211,0.019312&amp;z=16&amp;iwloc=A">Praça Nicolau de Moraes Barros Filho</a> (Areião) começando as 10hs</span>. Dessa vez vamos estar juntos do <span>projeto da sub-prefeitura da Sé &#8216;Te encontro na praça&#8217;</span> então quem quiser aparecer pode não só encontrar com a gente e os nossos (e claro, com nossos quero dizer de todos <img src='http://blog.markun.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' />  livros mas também fazer a unha e cortar o cabelo na faixa!</div>
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		</item>
		<item>
		<title>Livro Livre &#8211; Blitz Literária (15/11)</title>
		<link>http://blog.markun.com.br/post/livro-livre-blitz-literaria-1511</link>
		<comments>http://blog.markun.com.br/post/livro-livre-blitz-literaria-1511#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 18:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[blitz literária]]></category>
		<category><![CDATA[bookcrossing]]></category>
		<category><![CDATA[colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[livro livre]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro Livre ( www.livrolivre.art.br ) um projeto de distribuição p2p de livros físicos que lá fora é conhecido como Bookcrossing. O principio é simples, livro não foi feito para ficar parado na estante, foi feito para ser lido e para tanto precisa ser livre.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Estou lançando o <span>Livro Livre ( <a href="http://www.livrolivre.art.br/" target="_blank">www.livrolivre.art.br</a> )</span> um projeto de <span>distribuição p2p de livros físicos </span>que lá fora é conhecido como Bookcrossing. O principio é simples, <span>livro não foi feito para ficar parado na estante, foi feito para ser lido</span> e para tanto precisa ser livre. Então a idéia é criar uma espécie de <span>&#8216;biblioteca aberta&#8217;</span> da qual você sempre pode dispor, desde que após a leitura faça o favor de encaminhar o livro para outra pessoa.</div>
<div></div>
<div>
<p>Na prática além desse site-backbone que serve como linha guia, um espaço de retorno e de trackeamento desses livros, o projeto Livro Livre constitui-se de duas outras ações os <span>Pontos de Livro Livre</span>, espaços físicos com estantes que sirvam de ponto de troca de livros e as <span>Blitz Literárias</span> que são rompantes rápidos que pretendem levar a um determinado espaço geográfico/comunidade uma quantidade significativa de livros num curto período de tempo e com isso, espero, criando um &#8216;<span>foco de leitura e de leitores</span>&#8216; que com alguma sorte e trabalho continuem se reproduzindo organicamente.</div>
<div>
<p><span>Neste sábado (15/11) vamos realizar a primeira Blitz, no bairro da Lapa que também tera um Ponto de Livro Livre instalado no espaço cultural Authos Pagano. Serão cerca de 1000 livros distribuídos por um grupo de 10 voluntários do Livro Livre. Nosso trajeto começa as 10hs no Terminal da Lapa e vai até a praça Cornélia onde acontece a Feira de Artes da Lapa. </span></div>
<div>
<p>Fica o convite para <span>apareçam, trazendo livros, ajudando a distribuir ou mesmo só para bater-papo</span>. Estarei twittando nossos progressos através do <span>@livrolivre ( <a href="http://www.twitter.com/livrolivre" target="_blank">http://www.twitter.com/livrolivre</a> )</span>, então vai ser fácil de achar. </div>
<div>
<p>Quem tiver livros que queira doar para o projeto, pode mandar email para <a href="mailto:contato@livrolivre.art.br" target="_blank">contato@livrolivre.art.br</a>  mas particularmente prefiro que vocês simplesmente entrem no site, <span>etiquetem o livro e libertem</span>. Seja no próprio prédio, local de trabalho ou qualquer outro espaço&#8230; a chave de um projeto desses esta justamente na <span>descentralização do processo</span>.</div>
<p> </p>
<div>Alguns links relevantes:</div>
<div><span>#flashmob contra PL do Azeredo</span></div>
<div><span><a href="http://www.shorttext.com/0hliq33" target="_blank">http://www.shorttext.com/0hliq33</a>    </p>
<p>LivroLivre</p>
<p></span></div>
<p><a href="http://www.livrolivre.art.br/" target="_blank">http://www.livrolivre.art.br/</a> </p>
<div><span>Mapa com o trajeto na Lapa</span></div>
<p><a href="http://maps.google.com/maps/ms?ie=UTF&amp;msa=0&amp;msid=116845076315589573727.00045b7f84e0b46f366b9" target="_blank">http://maps.google.com/maps/ms?ie=UTF&amp;msa=0&amp;msid=116845076315589573727.00045b7f84e0b46f366b9</a></p>
<p>Twitter</p>
<p><a href="http://twitter.com/livrolivre" target="_blank">http://twitter.com/livrolivre</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Publico.org, Moitará e o futuro das coisas</title>
		<link>http://blog.markun.com.br/post/publicoorg-moitara-e-o-futuro-das-coisas</link>
		<comments>http://blog.markun.com.br/post/publicoorg-moitara-e-o-futuro-das-coisas#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 03:52:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Markun</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[economia solidaria]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo colaborativo]]></category>
		<category><![CDATA[knight foundation]]></category>
		<category><![CDATA[moitara]]></category>
		<category><![CDATA[newsmaking]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[publico]]></category>

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		<description><![CDATA[Publico.org é um sonho conjunto de várias pessoas que admiro e que nasceu lá atrás com uma resposta a falência do processo democrático e da comunicação pública no país.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em></em></p>
<p><em></p>
<div>
<div>
<p>Faz já algum tempo que não escrevo nesse blog, a vida tem andado bastante agitada&#8230; com uma porção de<span><span>idéias</span></span> e <span><span>projetos</span></span> finalmente tomando forma. A equipe na <a href="http://www.nunklaki.com.br"><span><span>Nunklaki</span></span></a>, minha empresa que pretende suprir o <span><span>gap </span></span>que existe entre os <span><span>departamentos</span></span> de TI e Comunicação criando e usando ferramentas na rede para promover transformação social (e que ainda não tem site) esta consolidada e produzindo loucamente. </p>
<p><span style="font-style: normal;">Um desses </span><span><span><span style="font-style: normal;">projetos</span></span></span><span style="font-style: normal;"> é o </span><a href="http://www.publico.org.br"><span style="font-style: normal;">Publico.</span><span><span><span style="font-style: normal;">org</span></span></span></a><span style="font-style: normal;"> um sonho conjunto de várias pessoas que admiro e que nasceu lá atrás com uma resposta a falência do processo democrático e da comunicação pública no país. A </span><span><span><span style="font-style: normal;">idéia</span></span></span><span style="font-style: normal;"> era relativamente simples, através de uma plataforma de colaboração e articulação das redes </span><span><span><span style="font-style: normal;">queríamos </span></span></span><span style="font-style: normal;">desenvolver uma comunicação </span><span><span><span style="font-style: normal;">efetivamente</span></span></span><span style="font-style: normal;"> pública e com isso montar uma cobertura das eleições que transcenderia os políticos e os partidos e seria focado </span><span><span><span style="font-style: normal;">efetivamente</span></span></span><span style="font-style: normal;"> nos problemas da cidade.</span></p>
<p>Não posso deixar de pensar que se esse <span><span>projeto</span></span> tivesse vingado&#8230; a cena política talvez fosse outra. E, no caso, não é <span><span>ingenuidade</span></span>&#8230; mas uma esperança secreta de que seja realmente possível levar o debate político de volta para as ruas. Quem sabe ai as campanhas fossem de fato construídas sobre <span><span>idéias</span></span> ao invés de mero exibicionismo de &#8216;o meu é maior que o seu&#8217;, &#8216;tamanho não é documento&#8217; e por ai vai&#8230; derivando analogias de sexo até chegar onde chegou&#8230; uma <span><span>sexóloga</span></span> colocando como questão política a sexualidade alheia.</p>
<p><span style="font-style: normal;">Enfim, fato consumado é que não conseguimos articular o </span><span><span><span style="font-style: normal;">projeto</span></span></span><span style="font-style: normal;"> a tempo. Ou pelo menos de viabilizar o</span><span><span><span style="font-style: normal;">projeto</span></span></span><span style="font-style: normal;"> a tempo. Mas o original ainda pode ser consultado aqui: </span><a href="http://blog.markun.com.br/wp-content/uploads/2008/11/publicopontoorg.pdf"><span><span style="font-style: normal;">Publico.</span><span><span style="font-style: normal;">Org</span></span><span style="font-style: normal;"> - </span><span><span style="font-style: normal;">Projeto</span></span><span style="font-style: normal;"> Original</span></span></a><span style="font-style: normal;">.</span></p>
<p><span style="font-style: normal;">Mas um grupo </span><span><span><span style="font-style: normal;">impar</span></span></span><span style="font-style: normal;"> estava formado e já </span><span><span><span style="font-style: normal;">tínhamos</span></span></span><span style="font-style: normal;"> passado pela parte mais complicada que era aceitar e acertar as divergências e encontrado um caminho do meio. Depois de um </span><span><span><span style="font-style: normal;">call</span></span></span><span style="font-style: normal;"> to </span><span><span><span style="font-style: normal;">arms</span></span></span><span style="font-style: normal;">, regado a pizza e vinho na casa do Rodrigo </span><span><span><span style="font-style: normal;">Savazoni</span></span></span><span style="font-style: normal;"> resolvemos que daquele </span><span><span><span style="font-style: normal;">angu</span></span></span><span style="font-style: normal;"> saia caroço, ou enfim, alguma coisa assim e passamos a nos reunir quase religiosamente as quintas-feiras para dominar o mundo, uma </span><span><span><span style="font-style: normal;">Dudinka</span></span></span><span style="font-style: normal;"> por vez.</span></p>
<ul>
<li><a href="http://web2brasil.pbwiki.com/Rodrigo%20Savazoni"><span style="font-style: normal;">Rodrigo </span><span><span><span style="font-style: normal;">Savazoni</span></span></span></a><span style="font-style: normal;"><br />
</span></li>
<li><span style="font-style: normal;">Editor de Novos Produtos na área de Conteúdo Digital de O Estado de S. Paulo e ex-Editor Chefe da agência pública de notícias Agência Brasil<br />
</span></li>
<li><a href="http://www.andredeak.com.br/"><span style="font-style: normal;">André </span><span><span><span style="font-style: normal;">Deak</span></span></span></a><span style="font-style: normal;"><br />
</span></li>
<li><span style="font-style: normal;">Editor </span><span><span><span style="font-style: normal;">Multimídia</span></span></span><span style="font-style: normal;"> da Agência Brasil e Coordenador de Comunicação da CPFL Cultura<br />
</span></li>
<li><a href="http://blog.markun.com.br/"><span><span style="font-style: normal;">Pedro </span><span><span style="font-style: normal;">Markun</span></span></span></a><span style="font-style: normal;"><br />
</span></li>
<li><span style="font-style: normal;">Editor do Jornal de Debates e Consultor em </span><span><span><span style="font-style: normal;">Mídias</span></span></span><span style="font-style: normal;"> Sociais<br />
</span></li>
<li><a href="http://narua.org/new/"><span style="font-style: normal;">Paulo </span><span><span><span style="font-style: normal;">Fehlauer</span></span></span></a><span style="font-style: normal;"><br />
</span></li>
<li><span style="font-style: normal;">Criador do </span><span><span><span style="font-style: normal;">Coletivo</span></span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span><span style="font-style: normal;">Multimídia</span></span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span><span style="font-style: normal;">Garapa</span></span></span><span style="font-style: normal;">.</span><span><span><span style="font-style: normal;">org</span></span></span><span style="font-style: normal;">, que realiza trabalhos para a Folha de S. Paulo e MTV<br />
</span></li>
<li><a href="http://midiasocial.wordpress.com/"><span><span><span style="font-style: normal;">Ceila</span></span></span><span style="font-style: normal;"> Santos</span></a><span style="font-style: normal;"><br />
</span></li>
<li><span><span style="font-style: normal;">Organiza </span></span><span><span><span style="font-style: normal;">NewsCamp</span></span></span><span style="font-style: normal;">-SP e criadora da rede social Desabafo de Mãe. Também </span><span><span><span style="font-style: normal;">atua</span></span></span><span style="font-style: normal;"> como </span><span><span><span style="font-style: normal;">freelancer</span></span></span><span style="font-style: normal;"> para diferentes veículos com ênfase em </span><span><span><span style="font-style: normal;">Telecomunicações</span></span></span><span style="font-style: normal;">, </span><span><span><span style="font-style: normal;">internet</span></span></span><span style="font-style: normal;"> e TI<br />
</span></li>
<li><a href="http://lattes.cnpq.br/0205151030500381"><span><span><span style="font-style: normal;">Caru</span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span style="font-style: normal;">Schwingel</span></span></span></a><span style="font-style: normal;"><br />
</span></li>
<li><span style="font-style: normal;">Doutora em </span><span><span><span style="font-style: normal;">Ciberjornalismo</span></span></span><span style="font-style: normal;"> e mestre em </span><span><span><span style="font-style: normal;">Cibercultura</span></span></span><span style="font-style: normal;"> pelo </span><a href="http://facom.ufba.br/jol"><span style="font-style: normal;">GJOL </span></a><span style="font-style: normal;">e</span><a href="http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/"><span><span style="font-style: normal;">Ciberpesquisa </span></span></a><span style="font-style: normal;">do </span><a href="http://www.poscom.ufba.br/"><span><span><span style="font-style: normal;">PósCom</span></span></span></a><span style="font-style: normal;">-</span><a href="http://www.ufba.br/"><span style="font-style: normal;">UFBA</span></a><span style="font-style: normal;">. Jornalista (</span><a href="http://www.ufrgs.br/FABICO/"><span><span><span style="font-style: normal;">Fabico</span></span></span></a><span style="font-style: normal;">/</span><a href="http://www.ufrgs.br/"><span style="font-style: normal;">UFRGS</span></a><span style="font-style: normal;">), empresária, </span><span><span><span style="font-style: normal;">arquiteta</span></span></span><span style="font-style: normal;"> da informação, trabalha desde 1995 desenvolvendo produtos e serviços para a </span><span><span><span style="font-style: normal;">internet</span></span></span><span style="font-style: normal;">. Especialista no desenvolvimento de plataformas web para a produção de jornalismo. Pesquisadora associada ao GJOL, </span><span><span><span style="font-style: normal;">ativista</span></span></span><span style="font-style: normal;"> do </span><span><span><span style="font-style: normal;">Projeto</span></span></span><span style="font-style: normal;"> Software Livre-BA. Consultora e instrutora do SEBRAE-BA.<br />
</span></li>
<li><a href="http://www.linkedin.com/in/francescocardi"><span><span><span style="font-style: normal;">Francesco</span></span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span><span style="font-style: normal;">Cardi</span></span></span></a></li>
<li><span style="font-style: normal;">Especialista em </span><span><span><span style="font-style: normal;">consultoria</span></span></span><span style="font-style: normal;"> e desenvolvimento de </span><span><span><span style="font-style: normal;">projetos</span></span></span><span style="font-style: normal;"> na área de </span><span><span><span style="font-style: normal;">internet</span></span></span><span style="font-style: normal;"> e tecnologia com experiência </span><span><span><span style="font-style: normal;">internacional</span></span></span></li>
</ul>
<p> </p>
<p> </p>
<p><span style="font-style: normal;">E no Amigo </span><span><span><span style="font-style: normal;">Gianotti</span></span></span><span style="font-style: normal;">, um </span><span><span><span style="font-style: normal;">boteco</span></span></span><span style="font-style: normal;"> pra lá de simpático (que não serve cachaça, mas tem </span><span><span><span style="font-style: normal;">Foccacias</span></span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span><span style="font-style: normal;">incríveis</span></span></span><span style="font-style: normal;">) foi que surgiu a </span><span><span><span style="font-style: normal;">idéia</span></span></span><span style="font-style: normal;"> do </span><span><span><span style="font-style: normal;">Moitará</span></span></span><span style="font-style: normal;">, coração </span><span><span><span style="font-style: normal;">recém</span></span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span><span style="font-style: normal;">transplantado</span></span></span><span style="font-style: normal;"> para o Publico.</span></p>
<p><span style="font-style: normal;">Como aplicar os </span><span><span><span style="font-style: normal;">princípios</span></span></span><span style="font-style: normal;"> da economia solidária em processos e bens </span><span><span><span style="font-style: normal;">intangíveis</span></span></span><span style="font-style: normal;">? Ou ainda mais especifico, como trazer esse modelo </span><span><span><span style="font-style: normal;">econômico</span></span></span><span style="font-style: normal;"> para o processo de </span><span><span><span style="font-style: normal;">newsmaking</span></span></span><span style="font-style: normal;"> e criar um modelo </span><span><span><span style="font-style: normal;">sustentável</span></span></span><span style="font-style: normal;"> para o trabalho </span><span><span><span style="font-style: normal;">colaborativo</span></span></span><span style="font-style: normal;">? Existem mais pistas que respostas&#8230; mas já da para sentir que tem alguma coisa ai. Nesse momento em que o mundo vive uma crise </span><span><span><span style="font-style: normal;">econômica</span></span></span><span style="font-style: normal;"> sem precedentes é interessante poder pensar novas formas de valoração de trabalho ou de uma própria revisão das </span><span><span><span style="font-style: normal;">idéia</span></span></span><span style="font-style: normal;"> de trabalho e valor. E claro, jornalismo.</span></p>
<p><span style="font-style: normal;">Para isso construímos ao longo das últimas semanas um </span><span><span><span style="font-style: normal;">projeto</span></span></span><span style="font-style: normal;"> que submetemos ao </span><span><span><span style="font-style: normal;">Knight</span></span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span><span style="font-style: normal;">News</span></span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span><span style="font-style: normal;">Challenge</span></span></span><span style="font-style: normal;">um concurso proposto pela </span><span><span><span style="font-style: normal;">Knight</span></span></span><span style="font-style: normal;"> </span><span><span><span style="font-style: normal;">Foundation</span></span></span><span style="font-style: normal;"> que financia $5mi em </span><span><span><span style="font-style: normal;">projetos</span></span></span><span style="font-style: normal;"> inovadores de comunicação. Os </span><span><span><span style="font-style: normal;">projetos</span></span></span><span style="font-style: normal;"> agora estão em fase de avaliação e por isso peço que aqueles que se interessarem, que votem e comentem no </span><a href="http://moourl.com/publico"><span><span><span style="font-style: normal;">projeto</span></span></span></a><span style="font-style: normal;">.</span></p>
<p><span style="font-style: normal;">E de uma forma ou de outra, esse tema e essa possibilidade tem permeado muito do meu pensamento-lateral&#8230; então fiquem a vontade para comentar ou me provocar pelo </span><span><span><span style="font-style: normal;">twitter</span></span></span><span style="font-style: normal;"> ou quaisquer dos outros membros do </span><strong><span style="font-style: normal;">#publico</span></strong><span style="font-style: normal;"> :)</span></div>
</div>
<p></em></p>
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