(15:06:16) 1: você é chato.
(15:06:30) 2: conversa comigo
(15:06:35) 2: inventa uma história?
(15:06:59) 1: ontem tinha um oficial da PRODAM na porta da minha casa na hora do espetáculo do Circo
(15:07:05) 1: e ele disse assim
(15:07:14) 1: “eu gostaria muito de oficializar esse Circo”
(15:07:21) 1: e eu bati nele com uma marreta
(15:08:25) 1: e a o anão me disse
(15:08:34) 1: “mas eu nem sabia que a PRODAM tinha oficiais!”
(15:09:11) 1: “e ainda assim com todas as caixas altas!” eu respondi
tenho um blog secreto dentro da minha cabeça. ficam nele todos os gritos contidos.
No centro de Fedora, metrópole de pedra cinzenta, há um palácio de metal com uma esfera de vidro em cada cômodo. Dentro de cada esfera, vê-se uma cidade azul que ó o modelo para uma outra Fedora. São as formas que a cidade teria podido tomar se, por uma razão ou por outra, não tivesse se tornado o que é atualmente. Em todas as épocas, alguém, vendo Fedora tal como era, havia imaginado um modo de transformá-la na cidade ideal, mas enquanto construía o seu modelo em miniatura, Fedora já não era mais a mesma de antes e o que até ontem havia sido um possível futuro hoje não passava de um brinquedo numa esfera de vidro.
Agora Fedora transformou o palácio das esferas em museu: os habitantes o visitam, escolhem a cidade que corresponde aos seus desejos, contemplam-na imaginando-se refletidos no aquário de medusas que deveria conter as águas do canal (se não tivesse sido dessecado), percorrendo no alto baldaquino a avenida reservada aos elefantes (agora banidos da cidade); deslizando pela espiral do minarete em forma de caracol (que perdeu a base sobre a qual se erguia).
No Atlas do seu império, ó Grande Khan, devem contar tanto a grande Fedora de pedra quanto as pequenas Fedoras das esferas de vidro. Não porque sejam igualmente reais, mas porque são todas supostas. Uma reúne o que é considerado necessário, mas ainda não o é; outras, o que se imagina possível e um minuto mais tarde deixa de sê-lo.
Italo Calvino
…En la ventana estaban los tejados de siempre y el sol nublado de las seis. Me pareció increíble que es día sin premoniciones ni símbolos fuera el de mi muerte implacable. A pesar de mi padre muerto, a pesar de haber sido un niño en un simétrico jardín de Hai Feng ¿yo, ahora, iba a morir? Después reflexioné que todas las cosas le suceden a uno precisamente, precisamente ahora. Siglos de siglos y sólo en el presente ocurren los hechos; innumerables hombres en el aire, en la tierra y el mar, y todo lo que realmente me pasa me pasa a mí…
J.L. Borges